WaterAid apela à inclusão da Higiene Menstrual nas intervenções e políticas de resposta à Covid-19


Sob o lema É tempo de Agir”, celebra-se hoje, Quinta-feira, 28 de Maio, o Dia Mundial de Gestão de Higiene Menstrual (GHM). A data foi instituída como forma de sensibilizar a sociedade, a nível global, sobre a importância duma boa gestão de higiene menstrual, promovendo o acesso à informação e elevando a consciência de mulheres e raparigas sobre a menstruação.

Este ano, a data é celebrada num contexto em que o mundo está a ser negativamente impactado pela pandemia da Covid-19, que vem realçar e agravar ainda mais os desafios relacionados com a menstruação, que muitas mulheres e raparigas enfrentam em todo o mundo.

A WaterAid estima que, todos os dias, 300 milhões de mulheres e raparigas menstruem em todo o mundo. Ser capaz de gerir a menstruação com segurança, higiene, confiança e dignidade é fundamental para a saúde, educação, direitos humanos, desenvolvimento económico e igualdade entre homens e mulheres, em geral. Antes do início da pandemia da COVID-19, estima-se que mais de 500 milhões de mulheres em todo o mundo não tinham o que necessitavam para gerir a sua menstruação.

Com a eclosão da Covid-19 e sua propagação pelos países do mundo, o cenário mudou de forma desfavorável para as mulheres, na medida em que (1) o acesso à informação sobre menstruação ficou interrompido, já que as escolas, os centros comunitários e outros locais onde as mulheres e as raparigas podem, normalmente, aceder à informação crítica sobre a menstruação estão fechados em muitos países. Os serviços de saúde de rotina estão reduzidos. Acresce-se a isso o facto de as mulheres e as raparigas terem, normalmente, menos acesso à informação digital do que os homens, o que dificulta a sua capacidade de procurar informação sobre a menstruação através de canais digitais durante o encerramento.

Para além disso, (2) as medidas de distanciamento social, entre eles os lockdowns, intensificam o impacto dos tabus e estigmas ao nível dos agregados familiares nas mulheres e raparigas e tornam mais difícil gerir a menstruação, sem vergonha e desconforto, em espaços frequentemente confinados. Só para exemplificar, no Dia da Higiene Menstrual de 2019, pessoas em todo o mundo organizaram 726 eventos no terreno em 74 países. Este ano, as pessoas não se podem reunir pessoalmente para desafiar publicamente o estigma e os tabus que rodeiam a menstruação.

Igualmente, (3) a falta de acesso à infra-estruturas adequadas de Água, Saneamento e Higiene (ASH) continua a ser um nó de estrangulamento em muitos países como Moçambique, considerando que milhões de mulheres e raparigas não têm acesso a água, saneamento e por isso, não estão em condições de lavar frequentemente as mãos ou de eliminar os materiais menstruais de forma segura e confortável depois de mudarem os pensos. A má infra-estrutura de ASH nas instalações dos cuidados de saúde, nomeadamente, nos centros de saúde e hospitais significa que as trabalhadoras e as pacientes não conseguem gerir adequadamente a sua menstruação nestes locais.

Em face destas circunstâncias, a WaterAid entende que, associado aos ensinamentos da pandemia da Covid-19, é tempo de tomar medidas urgentes para enfrentar a crise global em curso em matéria de saúde e higiene menstrual.

“Estamos convencidos de que é possível criar um mundo em que, até 2030, ninguém seja deixada para trás por causa da sua menstruação. Para que isso aconteça, todos os actores relevantes - governos, agências da ONU, ONG’s, sector empresarial, associações filantrópicas - têm de intensificar, significativamente, a acção e investir na saúde e higiene menstrual, assim que a crise da COVID-19 se atenuar”, disse Adam Garley, Director Nacional da WaterAid Moçambique.

Este ano, no Dia Mundial de Gestão de Higiene Menstrual também se reconhece que a menstruação não pára com a pandemia da Covid-19. Daí o lema chamar os países para a acção, sublinhando a urgência do trabalho colectivo necessário para alterar as normas sociais negativas em torno da menstruação e também para catalisar o progresso no sentido de capacitar as mulheres e as raparigas para desbloquearem as suas oportunidades educativas e económicas.

Especificamente, a WaterAid apela a todos os intervenientes relevantes para:

· Prosseguir os esforços para garantir o acesso a produtos menstruais e a água potável, sabão e instalações de saneamento básico favoráveis à menstruação, em casa e nos centros de saúde, para que as mulheres e as raparigas possam gerir os seus períodos de forma segura, higiénica e com dignidade - onde quer que se encontrem. Isto inclui a designação de produtos menstruais como bens essenciais para minimizar as barreiras ao fabrico e ao fornecimento. Se a distribuição de produtos menstruais for feita, garantindo também uma boa gestão, é possível proteger as mulheres e as raparigas da COVID-19 e não só.

· Sempre que possível, manter as intervenções em curso para combater o estigma do período e dar acesso à informação sobre a menstruação. Explorar alternativas à comunicação interpessoal, tais como serviços em linha, de rádio, telefónicos e de mensagens. Fornecer informação sobre alternativas feitas em casa para aquelas que não podem ter acesso a produtos de higiene menstruais.

· Pelo menos manter os níveis de investimento em saúde e higiene menstrual durante a pandemia

Intervenções da WaterAid em Moçambique

Desde 2015 que a WaterAid Moçambique tem implementado, com algum sucesso, as intervenções sobre Higiene Menstrual em 18 escolas, sendo 7 em Boane, 3 em Memba e 4 em Mossuril, 2 em Cuamba e 2 em Mecanhelas. As intervenções incluem, nomeadamente, a criação e formação de clubes de saúde escolar para quebrar mitos sobre menstruação, disseminação de conhecimento sobre boas práticas de gestão de higiene menstrual, desenvolvimento de ferramentas simples de comunicação (vídeos animados e brochuras sobre a primeira menstruação, parcerias com a imprensa para advocar sobre higiene menstrual, organização e formação de professores, organizações comunitárias de base e fóruns com actores chave para discutir os desafios e oportunidades em torno volta dos direitos das raparigas em relação ao tema.

Mas para que as actividades tenham o sucesso desejado, elas são combinadas com outras intervenções, nomeadamente, a construção de sanitários que ofereçam privacidade à rapariga, o abastecimento de água e a disponibilidade de sabão, elementos importantes para a higiene.

Dados em poder da WaterAid indicam que uma em cada dez raparigas falta à escola durante o período menstrual, devido à falta de pessoal de apoio e condições adequadas nos sanitários. Mais de metade dos cerca de doze mil estabelecimentos de ensino geral, não tem acesso à água, principalmente no ensino primário. Nestes estabelecimentos, estudam mais de três milhões e duzentas mil raparigas. Deste universo, mais de um milhão encontra-se na fase da pré-adolescência, altura em que geralmente inicia o ciclo menstrual.

O Governo de Moçambique, atravês do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, reconhece a importância da água para a higiene, sobretudo na fase de menstruação, considerando que é na escola onde as raparigas ficam maior parte do tempo.

Todavia, a sua disponibilidade nas escolas é ainda uma miragem. Politicamente, o Governo comprometeu-se a reforçar em quantidade e qualidade as infra-estruturas sanitárias escolares que cumprem com os padrões de segurança e privacidade, para além da disponibilização de água, sabão, tratamento adequado do lixo e incentivar a produção de pensos sustentáveis e ou alternativos.


Sobre a WaterAid


A WaterAid é uma organização internacional com fins não lucrativos que trabalha para que o acesso à água, ao saneamento e à higiene seja normal para todos, em todo o lado e em todo o lugar. Está presente em Moçambique desde 1995, onde o seu contributo para água, saneamento e higiene é altamente reconhecido pelo Governo e pelos intervenientes do sector. Tudo o que a organização faz no Pais é determinado por um compromisso em atingir o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável número 6 até 2030 – assegurar o acesso à água e saneamento para todos. (Moz24h)

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