Voltar ao ponto de partida


Por Sérgio Cossa


Talvez o melhor fosse dizer: andar tanto para depois voltar ao ponto de partida. É assim que se pode resumir o processo político moçambicano, de há uns tempos para cá. Dá-se muitos passos para frente e chegam as eleições e zás, volta-se ao ponto de partida. Não é momento de procurar culpados. Mas democracia implica instituições fortes e credíveis. Credíveis aos olhos de todos. Porque parece estar aí o cerne da questão: como construir uma democracia credível sem instituições que o sejam? Sem instituições que não oferecem confiança a todos os intervenientes?

Acreditava-se uma nova era com a assinatura do Acordo de Paz Definitiva e todas as mudanças que implicou no tecido eleitoral. A grande novidade: a eleição dos governadores provinciais. Mas basta mudar a lei? O problema é muito mais profundo do que isso.

As eleições de 15 de Outubro vieram mostrar que há muito mais por ser mudado e, não só as leis.

Os dois maiores partidos da oposição recusam-se a aceitar os resultados das eleições e falam de uma fraude monumental. Um especialista no processo político moçambicano fala “ das piores eleições de sempre”. Fala-se de enchimento de urnas a favor do candidato do partido Frelimo. De observadores não credenciados. De Delegados de partidos expulsos pela Polícia. Mas claro, de outro lado, fala-se de uma vitória esmagadora, resultado do melhor manifesto, melhor organização, melhor candidato etc. Ao que parece, para inequívoca vitória que aquele com quem é suposto dar certo precisava- para afungentar fantasmas no interior do seu partido- não se olhou a meios.

Mas mesmo assim o problema está aí. As eleições não foram acompanhadas de uma dose de cedibilidade que, obrigasse vencidos a aceitarem os resultados e vencedores a festejarem sem que tenham que estar constantemente a explicar a sua vitória.

E enquanto não houver a necessária dose de crediblidade nas eleições, continuaremos a andar muito e terminar no ponto de partida.

O processo político moçambicano volta a estar num impasse. Esperam-se negociações e talvez novos acordos. Porque tem sido essa maneira de sair do ponto morto no nosso processo político.

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