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“Viver num mundo frágil: O impacto das alterações climáticas na crise de saneamento”


Viver sem instalações sanitárias coloca em perigo a saúde e a subsistência das pessoas mais vulneráveis do mundo e o risco de viver sem saneamento adequado aumenta à medida que os efeitos das alterações climáticas se fazem sentir.

Num relatório intitulado Viver num mundo frágil: O impacto das alterações climáticas na crise de saneamento, a ser lançado a 19 de Novembro por ocasião das celebrações do Dia Mundial da Latrina, a WaterAid, citando dados do Joint Monitoring Programme de 2019 (monitoria conjunta OMS/Unicef), refere que em Moçambique, 71% da população, ou seja, mais de 20 milhões de pessoas, não tem acesso a um sanitário condigno.


O documento salienta de que modo o saneamento seguro pode ajudar as comunidades a tornarem-se mais resilientes aos surtos de doenças evitáveis, como a cólera, bem como ao impacto das alterações climáticas. Numa lista de 181 paises do mundo, a WaterAid colocam Moçambique na posição 39 em termos de vulnerabilidade às mudanças climáticas.

O Dia Mundial da Latrina é celebrado sob o lema “Saneamento Sustentável e Mudanças Climáticas”, para mostrar que o cenário está a piorar. Cheias, secas e subida do nível do mar estão a ameaçar os sistemas de saneamento - desde latrinas a fossas sépticas e estações de tratamento – afectando muitas comunidades em todo o mundo.


Para ter uma ideia, somente 45% da população mundial pode contar com saneamento gerido com segurança, isto é, um sanitário mantido de forma a permitir que os resíduos humanos sejam tratados e eliminados de modo seguro. Ascende a dois mil milhões o número de pessoas que não têm acesso a um sanitário básico privado e a mais de 600 milhões o das pessoas que não têm alternativa, senão praticar o fecalismo a céu aberto.


Em Moçambique, ainda de acordo com o relatório, mais de 8 milhões de pessoas defecam em espaços abertos tais como campos, florestas, praias, rios ou outros espaços. Nos locais onde faltam sanitários condignos, os dejectos humanos podem contaminar as águas subterrâneas ou acabar em rios e lagos, poluindo o que, muitas vezes, é a única fonte de água para consumir, cozinhar e lavar. As crianças brincam em locais onde os patógenos pululam e, como resultado da contaminação fecal, há comunidades inteiras em risco de contrair doenças diarréicas.


Além disso, as condições de saneamento deficientes nas unidades de saúde aumentam o risco de estas se tornarem os epicentros das epidemias. Uma em cada 10 unidades de saúde não dispõe de saneamento e 1,8 mil milhões de pessoas não têm serviços básicos de água nas suas unidades locais.



A falta de água limpa, sanitários condignos e higiene é responsável pela morte de cerca de 800 crianças com menos de 5 anos todos os dias e, no total, por cerca de 829 000 mortes por ano. Estas mortes não são notícia de primeira página, em parte, porque ocorrem predominantemente em comunidades mais pobres. Em Moçambique, cerca de 2500 crianças morrem anualmente devido à falta de água limpa, saneamento decente e boa higiene. Entre 2030 e 2050, prevê-se a ocorrência de 250 000 mortes adicionais por ano devido às alterações climáticas e muitas destas mortes estarão relacionadas com más condições de saneamento.


A WaterAid Moçambique apela à acção urgente do Governo e da Comunidade Internacional para que reforcem os investimentos em serviços de saneamento. A existência de serviços de saneamento seguros, fiáveis e inclusivos ajuda a prevenir a propagação de doenças infecciosas.


A instituição de beneficência internacional está a incentivar os governos para que incluam planos ambiciosos de saneamento nas suas estratégias de adaptação às alterações climáticas a fim de preparar melhor as comunidades para resistirem aos impactos das alterações climáticas.


O Director Nacional da WaterAid Moçambique, Adam Garley, afirmou: “Embora o mundo tenha enfrentado urgente e acertadamente o desafio da COVID-19, perdem-se silenciosamente todos os anos centenas de milhares de vidas devido à falta de água limpa, sanitários condignos e higiene. A existência destes direitos humanos básicos contribui para travar as doenças infecciosas, sendo ainda mais vital a disponibilidade de sistemas de saneamento condignos, pois o impacto das alterações climáticas afecta negativamente as comunidades vulneráveis.


O relatório da WaterAid revela que as alterações climáticas intensificaram a crise de saneamento, com eventos climáticos cada vez mais frequentes e extremos, que destroem instalações sanitárias e sistemas de saneamento, colocando em risco a saúde e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. É chocante que mais de 20 milhões de pessoas em Moçambique não tenham acesso a um sanitário condigno.

“Os governos devem responder sem demora à ameaça urgente das alterações climáticas e reconhecer o papel vital que o saneamento resiliente ao clima desempenha para ajudar as comunidades vulneráveis​ a estarem mais preparadas para as alterações climáticas porque, apesar de serem as que menos contribuem para elas, são as pessoas mais pobres do mundo que sofrem actualmente as consequências do seu impacto destrutivo. ”(Moz24)


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