União Europeia quer maior cooperação com o Ruanda na defesa e segurança


A União Europeia (UE) quer ter maior cooperação com o Ruanda nas áreas de segurança e defesa, reconhecendo os “esforços” do país em estabilizar o norte de Moçambique e a República Centro Africana, disse esta quarta-feira à Lusa fonte oficial.

“A União Europeia (UE) pretende intensificar a cooperação com o Ruanda, em particular nas áreas de segurança e defesa”, referiu um porta-voz da UE, em resposta a perguntas colocadas pela Lusa. Questionado sobre se tal não contradiz críticas da UE acerca de restrições de liberdades no país, sob a liderança do Presidente Paul Kagamé, a mesma fonte diz que é altura de reconhecer o trabalho de estabilização. “A UE reconhece os esforços consideráveis do Ruanda para ajudar a estabilizar a situação de segurança em Moçambique e na República Centro-Africana e procura um intercâmbio operacional e de informação eficaz com as forças armadas ruandesas destacadas no país”, referiu. Para já, o que está em curso é uma Missão de Formação da União Europeia (EUTM, sigla inglesa) dirigida a preparar tropas moçambicanas para combater em Cabo Delgado, sem ligação direta entre a UE e as tropas de outros países no terreno — no caso, do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Mas, há “coordenação para se ganhar conhecimento sobre as dinâmicas de Cabo Delgado”. No final de janeiro, o responsável da EUTM admitiu apoiar o Ruanda. O vice-almirante Hervé Bléjean referiu que o Ruanda solicitou “um maior apoio financeiro” e que o chefe da diplomacia europeia estava “bastante determinado a responder favoravelmente”. A aproximação entre Maputo e Kigali tem sido questionada pela comunidade ruandesa refugiada em Moçambique, estabelecida há anos, e que em 2021 foi alvo de quatro incidentes, entre os quais o homicídio de Revocat Karemangingo, um empresário opositor de Paul Kagamé. “Toda a comunidade está aterrorizada, está com medo”, referiu na altura Cleophas Habiyareme, presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique, receando estarem a ser alvo de perseguição política praticada por pessoas ligadas ao regime de Kagamé. Em setembro, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) apelou à investigação rápida e completa que leve à responsabilização dos homicidas de Karemangingo, mas até agora não houve desenvolvimentos. Atualmente, a UE “não financia nenhuma força militar estrangeira no terreno”, referiu esta quarta-feira o mesmo porta-voz oficial à Lusa. “De um modo geral, tal como previsto na legislação pertinente, o Alto-Representante tem o direito de propor ao Conselho [Europeu] um pacote de apoio sobre questões militares a um potencial beneficiário”, notou. No entanto, qualquer proposta “será debatida pelo Conselho e deve ser adotada por unanimidade e com base num pedido de um potencial beneficiário”. “Até ao momento, não foi tomada qualquer decisão a este respeito no que se refere a Moçambique”, concluiu. O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apelou, há uma semana, em Bruxelas, à necessidade de financiar as forças militares estrangeiras no combate a insurgentes em Cabo Delgado. “O combate envolve altos custos para os nossos parceiros (…). Não vão continuar por muito tempo, para toda a vida e as operações podem ser afetadas” se não houver apoios, referiu. A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico. O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas. Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a SADC permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes. (Observador)



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