União Europeia promete "apoio concreto" face à violência armada em Cabo Delgado


A UE tem manifestado abertura para apoiar o país, tendo estado em Moçambique entre 19 e 28 de maio, uma missão técnica que visitou a província de Cabo Delgado para avaliar necessidade. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, prometeu esta quarta-feira um “apoio concreto” que inclui aspetos de segurança, desenvolvimento e ação humanitária face à violência armada em Cabo Delgado, indicou a Presidência moçambicana em comunicado.


A promessa de Charles Michel foi feita durante uma reunião virtual com chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, segundo a Presidência moçambicana.

Grupos armados aterrorizam a província nortenha desde 2017, com alguns ataques reclamados pelo grupo jihadista Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.800 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 714.000 deslocados de acordo com o governo moçambicano.

A União Europeia (UE) tem manifestado abertura para apoiar o país, tendo estado em Moçambique, entre 19 e 28 de maio, uma missão técnica que visitou a província de Cabo Delgado para avaliar necessidades.

“O presidente do Conselho Europeu agradeceu pela receção da equipa técnica e informou estar em preparação e decisão o apoio concreto a ser prestado pela União Europeia no quadro de uma abordagem integrada que comporta aspetos de segurança, desenvolvimento e ação humanitária”, referiu a nota da Presidência moçambicana.

Em 28 de maio, o ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, disse esperar que a missão de treino da UE em Moçambique seja aprovada formalmente neste mês, adiantando que “a expectativa” é que os militares estejam no terreno cerca de “três meses” depois.

O número de deslocados devido à violência armada em Cabo Delgado aumentou com o ataque contra a vila de Palma em 24 de março, uma incursão que provocou dezenas de mortos e feridos, sem balanço oficial anunciado. A fuga de Palma continua e já provocou perto de 68.000 deslocados.

As autoridades moçambicanas anunciaram controlar a vila, mas os tiroteios têm-se sucedido e a situação levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do empreendimento que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico na próxima década.

Além da violência armada em Cabo Delgado, no encontro virtual desta segunda-feira, Charles Michel e Filipe Nyusi debateram a cooperação bilateral e as respostas face à pandemia de Covid-19. “O presidente do Conselho Europeu manifestou solidariedade da União Europeia, bem como informou sobre a disponibilidade da sua organização em prestar apoio a Moçambique e aos países africanos na disponibilização de vacinas e outras intervenções de resposta à Covid-19 no continente africano”, acrescentou a nota. (Observador)

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