Uma nova abordagem pode salvar a indústria do Turismo


Por Germano de Sousa

O sector do turismo é o mais afetado no contexto da covid-19 em todo o mundo. Moçambique não foge a regra estando o mesmo  com um futuro incerto o que  requer dos operadores, trabalhadores e reguladores da área uma profunda reflexão, adaptação para salvar, os postos de emprego e a indústria no geral sufocada com a nova realidade. Cerca de 70 mil postos de emprego estão em risco ao nível nacional.

Segundo o presidente da federação moçambicana fe turismo, FEMOTUR, José da Cunha, 65 mil trabalhadores directos têm o seu emprego em risco em todo o país, sem contar com os dos serviços conexos, como taxistas, agências de viagens, mercados locais e praças que acolhem turistas.

Embora o estado de emergência tenha sido declarado em Moçambique em Abril, a área do turismo ressente-se dos efeitos da covid-19 há praticamente quatro meses.

"Desde Fevereiro, altura em que os vôos internacionais começaram a ser cancelados as nossas unidades foram fechando as portas" disse ao nosso jornal José da Cunha.

Sem apoio directo específico, o sector, o mais prejudicado na sequência das medidas do estado de emergência imposto devido a   covid-19 que dia a dia regista novos casos, vive o pior dos momentos no último século.

"A segurança social não nos pode apoiar já que ela está vocacionada a aposentação e casos de doença", afirma Cunha.

O presidente da FEMOTUR, diz ser urgente uma revisão legislativa de modo a se prever situações de emergência, tal como é o caso. Recorda por exemplo, os ciclones Dineia, Udai e Kennedy que num passado recente assolaram o país com um incalculável rasto de destruições ainda por refazer na indústria do turismo.

Optimista, José da Cunha acredita que aliando turismo e cultura o sector venha reerguer-se em breve catapultando a economia nacional.

Com uma visão mais pessemista, Quessanias Matsombe, empresário de longa data do sector do turismo e dono do grupo 'Humula' a operar na Praia do Bilene, na província de Gaza, diz que 2020 é um ano para se esquecer pois " na melhor das hipóteses o turismo só pode  reerguer-se a partir de Fevereiro do próximo ano".

Segundo ele o turista precisa ter um clima de confiança para se fazer presente em qualquer ponto

. Para além disso os operadores do sector vão precisar de se reorganizar no pós emergência.

Matsombe realça o grande fardo que muitos operadores têm que assumir com a emergência, " sessenta trabalhadores dos cerca de cem que tenho tive que dispensar já em Março quando encerramos as portas das nossas unidades hoteleiras " referiu o nosso entrevistado que afirma ter que arcar ainda com a despesa de quase 40 pessoas que garantem a segurança dos estabelecimentos  que desde Março não produzem.

Quessanias Matsombe acusa o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), de não ajudar as empresas nesta crise não obstante estas sejam contribuintes do sistema.

"Há mais de vinte anos a contribuirmos. Hoje sentimo-nos abandonados. Se estamos em emergência, todos devemos adoptar medidas de modo a resolver-se a situação", disse Matsombe.

Segundo o empresário, o INSS é um sistema que não segura nada a não ser a reforma dos contribuintes.

Quessanias Matsombe entende que o sector privado de um modo geral foi marginalizado nesta emergência e mesmo o propalado apoio de mais de 500 milhões de dólares não significa nada.

" Este valor é dado aos bancos comerciais com uma taxa de juros de 7%. Estamos a falar em divisas. Os bancos comerciais por sua vez teriam que aplicar a taxa.Nenhum empresário consciente vai submeter-se a isso. Tanto quanto saiba, nenhum banco comercial aderiu a este pacote ", se explicou o empresário.

Em todo o mundo, o sector de turismo, restauração e prestação de serviços conexos é o mais lesado em termos de negócios no contexto das medidas de prevenção e combate ao covid-19.

Na Europa e outros cantos do mundo os governos estão aliviando paulatinamente de modo a desafogar o sector de restauração e turismo.

Moçambique com mais de 200 casos positivos da Covid-19,  vive desde 1 de Abril em estado de emergência cujas medidas que inclui o confinamento e distanciamento social deverão ser revistas de acordo o evoluir da situação da epedemia no país.(Moz24h) 

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