Tropas russas em Cabo Delgado para ajudarem e verem (seus) interreses energéticos


Por Nazira Suleimane


A romaria de contestação da presença de tropas russas na provincia de Cabo Delgado, onde insurgentes tem semeado pânico, terror e luto foi enorme à peça do Moz24h que em exclusivo deu a conhecer aos seus leitores semana passada.

Dia seguinte a nossa peça, a STRATFOR, uma plataforma de inteligência geopolítica fundada em 1996 em Austin, Texas, por George Friedman completava o que as nossas fontes tinham revelado

A nivel interno procuramos fazer o sagrado contraditório, mas o mutismo e o espanto nas autoridades competentes foi a tónica.

A seguir tentamos fazer a melhor tradução da peça do Strafor e nesma mesma edição reproduzimos na integra a versão original.


Rússia, Moçambique: Moscovo segue um caminho bem usado na África Austral


https://worldview.stratfor.com/article/russia-mozambique-moscow-makes-move-southern-africa-energy-gas-jihadist


Seja em capacidade oficial ou privada, as forças militares russas têm aparecido em diferentes países da África durante o ano passado. Os últimos relatórios chamam a atenção para Moçambique, onde Moscovo mantém um relacionamento próximo com o partido no poder. Com a Rússia ansiosa para aproveitar o crescente setor energético de Moçambique, a cooperação militar é uma ferramenta testada e comprovada para garantir o acesso de Moscovo às riquezas do país da África subsahariana.


O que aconteceu


É uma revelação que surpreenderá ninguém que tenha assistido à Rússia invadir a África nos últimos anos: vários observadores relataram recentemente um aumento na sua presença militar em Moçambique. Os soldados russos estão colaborando com os serviços de segurança de Moçambique em vários locais no norte do país, incluindo as cidades portuárias de Palma e Nacala e a cidade interior de Mueda, provavelmente com o objetivo de treinar as forças locais e apoiá-las com inteligência e logística. Naturalmente, a localização da presença russa levantou especulações sobre as intenções de Moscovo, dado que o norte de Moçambique abriga uma ameaça jihadista persistente que as forças locais não conseguiram eliminar - bem como as reservas de energia mais importantes do país.


Por que isso importa


Moçambique é o ponto de partida para as aberturas russas na África, que incluem atividades militares aumentadas em lugares como a República Centro-Africana e o Sudão. Durante o ano passado, Moscovo e Maputo assinaram uma variedade de acordos de cooperação militar, incluindo pactos no apoio ao treinamento. A relação entre Moçambique e a Rússia, no entanto, é muito mais profunda que a cooperação militar. Pouco antes de surgirem relatórios sobre a presença militar de Moscovo no país, as duas capitais chegaram a vários acordos econômicos importantes. Em agosto, a Rosneft assinou um acordo com Moçambique sob o qual o produtor de petróleo russo poderia entrar em um ou mais blocos de petróleo do condado (onshore e offshore). Além disso, a Rússia também perdoou Moçambique quase toda a sua dívida com Moscou, e o Gazprombank também está explorando oportunidades para financiar uma variedade de projetos de bilhões de dólares em gás natural liquefeito e desenvolvimento offshore. Moçambique é o ponto de partida para as aberturas russas na África, que incluem o aumento das atividades militares em todo o continente


Moçambique na Estratégia Africana da Rússia


A Rússia tem uma longa história de envolvimento em Moçambique, tendo apoiado a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) durante sua guerra de independência contra Portugal e a guerra civil que se seguiu. Como a Frelimo continuou a governar Moçambique, a Rússia continuou a promover seu relacionamento. Por fim, no entanto, há um prêmio maior para a Rússia: acesso aos vastos recursos naturais de Moçambique. Mesmo antes de seu atual impulso na África, Moscou cortejou Maputo com equipamento militar e outras formas de apoio para obter acesso às reservas de petróleo e gás do país da África Austral. E enquanto Maputo procura expandir sua produção e infraestrutura de energia, a Rússia continuará a cultivar laços estreitos com os que estão no poder para garantir a si mesma uma participação no lucro energético de Moçambique.

0 visualização

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI