Total “abandona” Afungi e aumenta receios sobre continuidade do projecto


O ataque à vila de Palma é o primeiro de grandes proporções que ocorreu a menos de 40 quilómetros de Afungi, o local onde está projectado o complexo industrial da Mozambique LNG, orçado em 20 mil milhões de dólares. Devido à situação de insegurança, a Total iniciou uma operação de evacuação dos seus trabalhadores e de empresas subcontratadas para a cidade de Pemba, usando meios aéreos e marítimos. A operação de evacuação inclui o transporte de trabalhadores de Pemba para a Cidade de Maputo, local de origem da maioria. O último navio transportando trabalhadores que estavam em Afungi atracou na sexta-feira no Porto de Pemba, alimentando receios sobre a continuidade dos projectos de gás da bacia do Rovuma. No acampamento de Afungi só ficou pessoal essencial responsável pela segurança das instalações. O ataque de quarta-feira, 24 de Março, aconteceu um dia depois do Governo e a Total terem anunciado para Abril a retoma gradual das obras de construção do complexo industrial de Afungi. O anúncio aconteceu três meses depois de a Total ter interrompido os trabalhos devido às ameaças de segurança, após ataques nas proximidades da zona de implementação do projecto Mozambique LNG. Na sequência, a petrolífera francesa exigiu às autoridades moçambicanas a definição e implementação de um plano de acção com o objectivo de reforçar a segurança num perímetro de 25 quilómetros do centro das operações petrolíferas. Em resposta, o Governo declarou a área do projecto Mozambique LNG como sendo uma zona de operação especial de segurança e reforçou as infra-estruturas de segurança e o contingente das FDS para garantir a retoma das obras de construção da fábrica de GNL e dos programas de desenvolvimento comunitário. O controlo da zona de operação especial da área de segurança continua a ser assegurado exclusivamente pelas FDS, à luz do memorando de entendimento assinado entre o Governo e a Total em Agosto de 2020. A grande questão que se levanta neste momento é de saber o que é que a Total irá exigir ao Governo como condição para a retoma dos trabalhos em Afungi. O que é o Governo irá fazer para garantir a continuidade dos projectos de gás natural do Rovuma em condições de segurança e de competitividade para o desenvolvimento de Cabo Delgado e de Moçambique em geral? Será que o Governo vai abrir mão do argumento de soberania nacional e permitir intervenções militares estrangeiras pontuais? Ou vai continuar a alimentar a propaganda de que a situação está controlada até ao próximo ataque de grandes proporções? (CDD)

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