Terroristas voltam a lançar ataques violentos em vários distritos


Em finais de Abril, as Forças de Defesa e Segurança (FDS) vieram ao público anunciar, pela primeira vez este ano, vitória em várias frentes de combate aos insurgentes que desde Outubro de 2017 aterrorizam a população do centro e norte de Cabo Delgado.

Em conferência de imprensa de 28 de Abril, o Ministro do Interior, Amade Miquidade, disse que 129 terroristas tinham sido abatidos em quatro operações das FDS nos distritos de Muidumbe e do Ibo, entre os dias 7 e 13 de Abril. Na altura, o governante explicou que as sucessivas baixas que os terroristas sofreram terão sido a causa do massacre de 52 jovens na aldeia de Xitaxi, no distrito de Muidumbe. Entretanto, as FDS ainda não divulgaram o relatório sobre o massacre, segundo a promessa feita pelo Ministro do Interior.

As investidas das FDS, apoiadas pelos mercenários da firma Dyck Advisory Group, repeliram os insurgentes e relançaram a esperança de uma relativa segurança nas zonas afectadas. Foram contabilizados pelo menos três semanas sem registo de ataques violentos nos distritos do centro e norte de Cabo Delgado, apesar da existência de incursões esporádicas prontamente repelidas pelas FDS.

Quando a situação parecia controlada, os insurgentes voltaram em peso e desencadearam uma série de ataques violentos contra comunidades e algumas posições das FDS.

Aliás, foi o próprio Governo que deu a conhecer, no dia 14 de Maio, os detalhes dos ataques registados em mais de 10 aldeias dos distritos de Nangade, Quissanga, Mocímboa da Praia, Meluco, Muidumbe, Macomia e Mueda, entre os dias 11 e 13 de Maio.

Esta vaga de ataques resultou na destruição de pelo menos 11 aldeias; rapto de 16 pessoas e desaparecimento de outras 16; três barracas vandalizadas e pilhadas; postos de transformação de energia eléctrica sabotados ao longo da estrada que liga Macomia e Mocímboa da Praia; destruição por fogo posto de um hospital recém-construído em Awasse; sabotagem da linha de telecomunicações da rede de telefonia mó-vel da Vodacom em Awasse, onde foi queimado a fibra óptica; e destruição da fibra óptica da Movitel no distrito da Mocímboa da Praia, facto que deixou aquele ponto do país sem comunicação telefónica.

Como sempre, as FDS não revelaram nem as baixas que sofreram na luta contra os insurgentes nem o material de combate roubado pelo inimigo. Nas imagens que o Estado Islâmico publica na sua agência de notícias Amaq para reivindicar ataques em Moçambique, é frequente ver material bélico usado pelas FDS nas mãos dos insurgentes, que vezes sem conta aparecem vestidos com o uniforme das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR).

Aliás, fontes do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) contaram que num dos últimos ataques deste mês, os insurgentes apoderaram-se de meios circulantes das FDS, incluindo carros blindados e dezenas de motorizadas recentemente distribuídas pelo Comandante-geral da Polícia aos operativos que estão no teatro das operações.

Na comunicação de quinta-feira, o Ministro do Interior fez notar que, no dia 13 de Maio, os terroristas foram surpreendidos pelas FDS na via que liga Chinda a Mbau, no distrito da Mocímboa da Praia, quando seguiam em três viaturas e igual número de motorizadas, mais um camião cisterna, todos roubados.

No confronto, as FDS reclamam terem abatido 42 terroristas e destruído todos os meios circulantes nos quais se faziam transportar. Amade Miquidade não precisou se entre os meios circulantes na posse dos insurgentes estavam viaturas ou motorizadas das forças governamentais.

Já na madrugada de quinta-feira, “foi rechaçada uma tentativa de assalto ao distrito de Quissanga, acção que resultou no abate de oito terroristas e ferimento de vários outros”.

O comunicado não esclarece se a tentativa do ataque ocorreu numa aldeia ou na vila sede do distrito, que em finais de Março foi tomado de assalto pelos insurgentes. Este fim-de-semana, concretamente no sábado, os insurgentes voltaram a atacar a aldeia de Miangalewa, no distrito de Muidumbe, tendo causado a morte de pelo menos 10 civis, uns decapitados e outros mortos a tiro.

Este foi o segundo ataque em Miangalewa em menos de uma semana, situação que provocou uma saída massiva da população para zonas relativamente seguras. Já na noite do último domingo, os residentes dos bairros 30 de Junho e Nanduadua, nos arredores da vila municipal da Mocímboa da Praia, abandonaram as suas casas após terem avistado “homens estranhos” nas proximidades. Lembre que Mocímboa da Praia foi a primeira vila a cair nas mãos dos terroristas em Março, antes da tomada das sedes distritais de Quissanga e Muidumbe.

Nesta nova vaga dos ataques, os insurgentes estão a fazer incursões nos mesmos locais onde atacaram em finais de Março. Na sequência do recrudescimento dos ataques, o Comandante-geral da PRM, Bernardino Rafael, está a trabalhar em Cabo Delgado. (Moz24h)

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