Terroristas voltam a assaltar mais uma sede distrital perante o silêncio de Filipe Nyusi


Mais do que a pandemia da covid-19, Cabo Delgado vive o terror da guerra que ganha terreno perante o silêncio do Governo e do Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança. Depois de assaltar e ocupar as vilas sedes dos distritos de Mocímboa da Praia e de Quissanga em finais de Março, os terroristas voltaram a intensificar os ataques e ontem tomaram de assalto a vila de Namacande, sede do distrito de Muidumbe. Tal como nos primeiros assaltos a vilas, os terroristas entraram em Namacande e atacaram, em primeiro lugar, as unidades das Forças de Defesa e Segurança, incluindo o comando distrital da Polícia. Depois de se abastecerem com o armamento do Estado, os terroristas atacaram outros alvos, preferencialmente instituições públicas e estabelecimentos comerciais, como a sede do Governo distrital, a agência do Millennium bim, a bomba de combustível e lojas. O ataque à sede distrital de Muidumbe começou por volta das 09H00 e até às primeiras horas da noite os atacantes continuavam a circular na vila e a saquear instituições públicas e privadas. Muitas famílias continuavam escondidas nas matas e outras figuram para o planalto de Mueda. Antes do assalto à vila de Namacande, houve registo de ataques em três aldeias do distrito de Muidumbe nas últimas 48 horas. Segundo apurou o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), os ataques começaram na tarde da segunda-feira, no posto administrativo de Chitunda, concretamente na aldeia de Mienguelewa, onde os terroristas incendiaram uma igreja, barracas e raptaram um número não quantificado de pessoas. “Eu fui uma das pessoas raptadas. Mas pelo caminho me mandaram voltar porque não estava a aguentar devido à idade. Mas ainda estou muito chocado com o que vi: seis homens foram mortos a tiro após uma tentativa de fugar”, descreveu ao telemóvel um sobrevivente do ataque à aldeia de Mienguelewa. A fonte do CDD contou ainda que os atacantes avisavam a população para não sair de casa sob o risco de ser atingido durante o ataque ao acampamento militar que garante segurança ao empreiteiro japonês que está a construir a ponte sobre o rio Messalo, na Estrada Nacional Nº 380, que liga Pemba à Palma. Entretanto, há informações que indicam que os militares, logo que se aperceberam da presença de terroristas em Mienguelewa, abandonaram o acampamento, deixando desprotegido o estaleiro da empresa japonesa. Ainda na segunda-feira, os terroristas atacaram, pela segunda vez, o Posto Administrativo de Bilibiza, no distrito de Quissanga, onde vandalizaram o Instituto Agrário, roubaram colchões e cabritos que mais tarde ofereceram à população local. Já na terça-feira, os terroristas começaram por atacar a aldeia de Xitaxi, antes de entrar na vila de Namacande, sede do distrito de Muidumbe. Outro grupo assaltou as aldeias de Ntchinga e Muatide. “Quando entraram em Muatide, vandalizaram o centro de saúde e a Escola Secundária de Luanda”, contou uma fonte contactada pelo CDD. Em Ntchinga, os terroristas concentraram a população que não conseguiu fugir da aldeia e explicaram que os seus principais alvos são os militares; e que seu objectivo é instar um governo islâmico. Esta estratégia de conquistar a simpatia da população começou a ser implementada em Mocímboa da Praia, quando os atacantes ocuparam a vila e promoveram reuniões com a população e distribuíram comida saqueada em estabelecimentos comerciais.


Pânico em Mueda e alerta máximo em Pemba


quando os primeiros deslocados chegaram à vila de Mueda fugindo dos ataques em Muidumbe, os residentes locais entraram em pânico e recolheram às suas casas temendo uma incursão dos terroristas. “Desde às 12H00 ninguém sai de casa. As ruas estão vazias. Algumas pessoas que chegaram de Muidumbe contaram que os terroristas teriam dito que a próxima vila a assaltar é Mueda”, disse um residente local. Ainda assim, as pessoas fugiram para Mueda, pois sabem que é neste distrito onde está instalado o quartel militar das Forças de Defesa e Segurança que coordena as operações no centro e norte de Cabo Delgado. Enquanto na vila de Mueda a população está em pânico, na cidade de Pemba vive-se uma espécie de recolher obrigatório a partir das 21H00, sobretudo no histórico bairro de Paquitequete. O bairro é a porta de entrada de milhares de pessoas que chegam à Pemba, por via marítima, fugindo dos ataques em Mocímboa da Praia, Macomia e Quissanga. As Forças de Defesa e Segurança suspeitam que, entre os deslocados que desembarcam em Paquitequete, podem estar infiltrados terroristas que chegam para fazer o reconhecimento à cidade de Pemba. Há cerca de uma semana que as principais ruas da cidade estão fartas de agentes das Forças de Defesa e Segurança que fazem patrulha, incluindo revista a viaturas. “A revista minuciosa começa às 21H00 e prolonga-se até às 05H00 da madrugada. Neste período é muito complicado circular, os militares fazem muitas perguntas, querem ver o que as pessoas levam nas pastas e nas viaturas. O cerco é maior nas ruas próximas ao Quartel da Marinha e no bairro Paquitequete. Eles dizem que não querem ver ninguém a circular naquela zona depois das 21H00”, narrou um residente da cidade de Pemba. Durante a noite, as avenidas e ruas próximas às instituições do Estado, como o Palácio do Governador, são fechadas ao trânsito e agentes da Polícia são destacados para impedir a circulação de viaturas e pessoas. Mais do que o distanciamento social imposto pela covid-19, Pemba vive um recolher obrigatório não anunciado pelas autoridades competentes. Aliás, o silêncio do Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança perante o avanço triunfal dos terroristas pelos distritos de Cabo Delgado aumenta o sentimento de insegurança e de abandono no seio da população da província. Desde que os ataques terroristas começaram em Outubro de 2017, Filipe Nyusi ainda não convocou o Conselho de Estado para ouvir várias vozes sobre o melhor caminho a seguir para restaurar a segurança em Cabo Delgado.


(CDD)

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