Terroristas tomam o controlo da única via alternativa de ligação entre Sul e Norte de Cabo Delgado


Por Estacio Valoi


Os Terroristas que vem semeando luto e terror tomaram o controlo da única via alternativa de ligação entre Sul e Norte de Cabo Delgado através do distrito de Montepuez, Nangade, Pundanhar e Palma, assim como com a ligação ao distrito de Mueda, depois de recentemente, quase um mês, desde a tomada do distrito de Mocímboa da Praia, apurou o Moz24h de fontes infalivéis naquele ponto.

Depois da intransitável via Awasse - Mocímboa da Praia onde os terroristas montaram um posto avançado, com ataques e confrontos intensivos entre as Forcas de Defesa e Segurança e os ditos “Al-shabab” com emboscadas pelo meio levadas a cabo contra as Forças de Defesa de Moçambique, nada e ninguém passa por aquela via. Tomada, eram mais de cem soldados, foram emboscados, tiveram que recuar, não conseguiram passar.


Emboscadas e “crocodilos”


Segundo algumas fontes militares do Moz24h que vem falando desta questão faz quase dois anos e meio, e as respectivas emboscadas, crocodilos são “espiões” no seio das FDS que vão informando o inimigo sobre as movimentações dos militares.

“Temos crocodilos”. O Batalhão de cerca de 80 militares que estava ali no Quartel de Quelimane onde vocês estavam detidos, cerca de 80% foram mortos, sofreram uma emboscada enquanto estavam ali mesmo no quartel. Os 20% que conseguiram escapar resistiram e conseguiram dominar o adversário – os terroristas. O que ali aconteceu foi uma emboscada, muito bem organizada. Por exemplo: - Estamos a ter o pequeno-almoço agora, e na hora da saída do pequeno-almoço, oferecem as coordenadas aos bandidos, e de seguida o que se vê, é uma descarga de metralhadora sobre os militares.

Dos militares que sobreviveram e que restam, esses é que são mortos à catana, não há disparo, pode aparecer o inimigo não atires, ouves do chefe do Batalhão, a voz dele a dar comando e a dizer para os militares não atirarem sobre os terroristas, a dizer não respondam. “O comandante disse para não dispararem”.

Entre “crocodilos” e outras peripécias, Mocímboa da Praia foi tomada quase que definitivamente perfazendo até aqui mais de um mês, desde que em Agosto último os “Al-shabab” se acomodaram naquele distrito com posto avançado em Awasse, onde confrontos intensos se vão registando sem que as Forcas de Defesa Nacional tenham logrado recuperar o distrito.

A recente tomada do porto de Mocímboa da Praia, ponto estratégico de acesso ao mar, e de todo o distrito a cerca de menos de 90 km da zona de petróleo e gás de Palma a, aparentemente os terrorista que viveram no nas proximidades do distrito, desta vez não só ficou à volta do distrito como decidiu tomar toda a estaca de Mocímboa após vários atentados que decorrem desde o início deste mês de Agosto naquela região do Norte de Cabo Delgado.

O grupo fundamentalista al-Shabab teve como alvo uma aldeia no distrito de Macomia, no norte de Moçambique, na terça-feira, o mais recente de uma onda de ataques em uma área que se tornou notoriamente perigosa. “As aldeias estavam a arder. Isso é ruim ”, disse um morador que não quis ser identificado.

Na semana passada, a ilha de Vamize, atracção turística no norte do país, viu um grupo de insurgentes irromper em sua costa. Em Vamizi os terroristas roubaram comida, cabritos e outras coisas. Disseram à população para sair da ilha. Outros apanharam barco e foram saindo, aquela pessoa que recusou foi baleada.


“Estamos numa ilha”


No último sábado, quando eram cerca das 8h30 e à semelhança do troço que liga Awasse ao distrito de Mocímboa, Mueda, tomado pelo terroristas, desta vez atacaram a única via alternativa de ligação via terrestre Sul - Norte de Cabo Delgado, na zona de Pundanhar via Nangade, no distrito de Palma no extremo norte da Província de Cabo Delgado, onde está projectada a construção de alguns megaprojectos de exploração de gás natural, foi atacada pelos terroristas resultando num considerável número de “mortes de soldados”.

Segundo testemunhas no local o ataque deu-se quando um certo número de viaturas e pessoas circulavam como sempre o fazem de Palma, via Pundanhar, Nangade, até Montepuez e mais a sul da Província de Cabo Delgado, via alternativa que se vem usando desde que os distritos de Macomia, Awasse, Mocímboa e Mueda ficaram intransitáveis devido aos ataques terroristas.

“Naquelas vias não há ou nunca houve colunas, as pessoas circulam como bem quiserem - Naquela estrada estava a passar-se assim à vontade. Passava-se a qualquer hora, cada pessoa decidia e passava por aquela via. Está mal aqui. Assim até parece que estamos numa ilha. Não conseguimos voltar a Montepuez, Pemba, tivemos que ficar aqui em Palma, assim estamos aqui. Muita confusão. Ninguém está a passar nessa zona”.

Cerca de 10 a 15 quilómetros de estrada andados em viaturas, entramos no epicentro do ataque – “À nossa frente iam carros, lá em frente vimos uma Mahindra e uma carrinha Toyota Canter que os bandidos atacaram. De seguida nós recuámos”.


Entre manobras evasivas e tentativa dos terroristas de bloquear a retaguarda


“Escapámos. Quando os terroristas viram que o camião de marca Fuso que nos vinha seguindo estava a manobrar para voltar ao ponto de partida, começaram a disparar sobre o camião para que este bloqueasse a estrada mas não o atingiu em nenhum sítio. Naquele momento não havia militares para confrontar os bandidos que estavam a atacar viaturas e civis. Depois chegaram os soldados que começaram a perseguir os bandidos 10 km para dentro de onde fomos atacados e do sítio de onde fugimos. Pelo percurso cruzaram com o motorista de um carro atacado e que foi ferido com uma bala no ombro e outra na perna. As balas ainda estão lá. Socorremos aquelas pessoas para o Hospital distrital de Palma” - Enfatizou a fonte.

Sem poder precisar o número real de mortes em resultado deste ataque, as nossas fontes dizem que foram muitas.

“Não sei dizer quantas mortes, mas lá houve mortes porque a pessoa que estava à minha frente à que viu esse fuzilo. Eu vinha atrás de dois camiões e à frente também, quase para ultrapassar encontro os camiões, não havia espaço, forma de como fazer ultrapassagem, se não eu estaria à frente dos camiões que foram atacados. Escapámos”.

Na manhã de Domingo, isto ontem por volta das 7h30, em contacto com Palma o Moz24 horas teve a informação de que a situação “tensa“ ainda se mantinha e que não havia qualquer previsão, nem havia qualquer saída. Continuo numa Ilha, a situação ainda não está calma. Não vamos sair daqui hoje, como tudo às vezes é segredo, até agora não temos informação! Estamos com camionistas, colegas. Não há saída, nem coluna de soldados para podermos sair. Não há coluna!

A palavra de ordem um pouco por todo lado de Cabo Delgado com destaque para o a zona Norte daquela Província é: - “A situação está mal”.


“Situação está mal” com os contínuos ataques


Segundo outras fontes, exactamente em Pundanhar e Palma os terroristas ocuparam a via. “A estrada de Pundanhar foi ocupada pelos gajos (terroristas). Já ocuparam, não se passa. Não sei onde ir ou viver, não sei se vou para Quionga. As Ilhas de Vamize, Kilammimbe, Longwe estão todas ocupadas, nem de barco dá para sair, está ocupado. Não há meios. A estrada de Palma - Pundanhar assim como a estrada Palma - Mocímboa estão fechadas”.


O número de mortes vai aumentando


Os militares que vinham naquela via de Nairoto, Nangade, Pundanhar, Palma, muitos morreram. Ontem o Cuninga foi baleado ali no cruzamento de Nhica do Rovuma, Tchikwedo, onde também queimaram dois carros. Os gajos (terroristas) estão a dizer que vão entrar em Palma. Seis jovens que foram para o mato cortar paus, só voltaram quatro. Os outros dois foram mortos. Aqui estou a pensar em muita coisa. Estou com crianças, não dá! Entrar em Tanzânia, sim pode se passar. Isto está mal. Amanhã você pode me ligar e eu não atender, é para você perceber que Tio morreu!

Nesta guerra que vai completar o seu 3º ano no dia cinco do próximo mês de Outubro exactamente no dia 5, desde a mesma data e mês do ano 2017 até hoje já resultou em mais de 1.500 mortes entre militares e civis, acima dos números de 250.000 refugiados segundo as Nações Unidas, uma crise humanitária sem precedentes.

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