Terroristas evitam matar civis e tentam conquistar simpatia da população


Abandonada à sua sorte, a vila de Mocímboa da Praia só não “acordou” para um massacre porque desta vez os terroristas preferiram poupar a vida da população civil. Enquanto prosseguia o assalto contra alvos militares, o pânico e o desespero tomavam conta dos residentes locais. Alguns desafiaram o fogo cruzado que clareava a madrugada e fugiram para a praia. De lá apanharam pequenos barcos e rumaram para as ilhas ao largo da vila. Mas a maioria permaneceu dentro das casas, esperando pelo pior. Mas quando os tiros cessaram, os terroristas entraram casa por casa e mandaram toda gente para as mesquitas. “Eles entraram na minha casa e disseram que devíamos ir à mesquita rezar. Desconfiamos porque estávamos com muito medo, mas quando chegamos na mesquita encontramos muitas pessoas. Os al Shabab disseram que não devíamos fugir porque seu objectivo não era de fazer mal a ninguém”, contou uma senhora, em contacto telefónico com o CDD. Depois de dois anos de matança (contagens paralelas apontam para mais de 600 pessoas assassinadas), os terroristas que actuam em cabo Delgado parecem estar a mudar de estratégia: conquistar a simpatia da população. Como? Poupando-a de mortes violentas e levando-a a acreditar que o inimigo comum são as FDS e o Estado no geral. “Os al Shabab repetiam sempre que estavam a lutar pelo bem da população; que não têm nenhum problema com a população, mas com os militares. Até nos aconselharam a não sair da vila porque podíamos ser mortos por militares que haviam fugido para as matas”. Durante a sua permanência na vila de Mocímboa da Praia, os terroristas conviveram com a população e distribuíram comida que saquearam em vários estabelecimentos comerciais. Quando estavam a sair da vila, houve espaço para despedidas, com a população a agradecer pelo facto de não ter havido assassinatos de civis. “Uns saíram de carros carregados de armas e comida e outros apanharam barcos. Até à altura em que saíram, por volta das 19H00, nenhum militar ou polícia estava na vila”, contou ao telemóvel um jovem que trabalha numa loja. Mocímboa da Praia é uma vila de referência no norte de Cabo Delgado: é atravessado pela EN380 que liga a capital Pemba ao distrito de Palma, palco de grandes projetos de gás natural liquefeito cujos investimentos poderão ascender a 60 mil milhões de dólares. O aeródromo funciona como um pequeno “hub” local, onde chegam aeronaves que partem de Pemba e os helicópteros que fazem a ligação para Palma. O porto serve como alternativa para o abastecimento dos distritos do centro e norte da província com combustível e outros bens. É esta importante vila municipal que foi tomada e dirigida por terroristas durante 24 horas. Com a nova estratégia que visa conquistar a simpatia da população, os terroristas podem estar a preparar o terreno para uma ocupação efectiva de vilas do norte e centro de Cabo Delgado. (CDD)

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