Tabela salarial única: Resposta messiânica do governo para o elevado custo de vida(?)



Por: Lino Eustáquio


É inegável que nos últimos três meses o povo moçambicano tem sentido o gosto amargo da vida, devido ao elevado custo dos produtos de primeira necessidade que não param de disparar. A "coisa" já estava "preta" durante a vigência do Estado de Emergência por causa da Covid-19 - que trouxe restrições diversas, encerramento de empresas, corte nos salários e perda de postos de trabalho. Agora, a vida do moçambicano está mais apertada.


Vamos por partes, embora esteja ciente de que não serei capaz, por conta da complexidade e diversos estuários do assunto, de trazer um retrato suficientemente fiel, cabal e perfeito da realidade actual que se vive no país.


Em menos de três meses, o país observou o reajuste (leia-se subida) do preço do pão, por duas vezes, em diversos pontos do país. Parece até que o Diabo não quer abdicar da função de padeiro...


A acompanhar o frenético e espevitado ritmo das subidas, aparecem os combustíveis, que, em um mês, passaram por dois agravamentos de preço. E por falar em combustíveis, estes são por aqui apontados, geralmente, pelos agentes económicos (e não só) como factor determinante para o aumento dos preços de primeira necessidade.


A fazer coro à subida do preço dos combustíveis, desfila a orquestra da paralisação dos "chapas" nas principais cidades do país.


De acordo com a DW África, "analistas esperam tempos conturbados em Moçambique, já que o governo afastou a possibilidade de aumentar os subsídios aos combustíveis e às padarias e indicou que estes subsídios serão provavelmente eliminados."


Entretanto, depois da decepção dos novos salários mínimos, no meio de todo este ambiente conturbado e um futuro ornamentado de incertezas, alguns vêem uma luz no fundo do túnel, como parte da solução para aliviar o cidadão do elevado custo de vida que se vive no país: a Tabela Salarial Única (TSU), que promete um "aumento HISTÓRICO do salário mínimo aplicável na função pública”.


Em termos concretos, nada ou pouco se sabe sobre a TSU. O que se sabe é que ela pretende harmonizar as disparidades salariais dentro da Função Pública. O resto do que se sabe é fruto de vagas explicações e muitas especulações.


De uma ou de outra forma, a expectativa e a ansiedade em torno da TSU é gigantesca. Há quem vê nela um poder messiânico do Governo que irá aliviar o bolso do cidadão moçambicano (o funcionário público, principalmente) e galvanizar o seu poder de compra em meio ao cenário escatológico em que vivemos.


Quanto a mim, rezo para que, com a TSU, pelo bem do mais pacato funcionário público moçambicano e da sua família, seja possível abastecer o carro, pagar o transporte público, comprar o pão, o óleo, a farinha e o arroz, sem muitos sufocos e sem a necessidade de rigorosos cálculos matemáticos a que estamos habituados.


Em todo caso, a ver vamos quando o salário "cair" no final do mês de Outubro. (Moz24)




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