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Sobreviventes desembarcam em Paquitequete


Estacio Valoi

Quarenta e quatro (44) sobreviventes das setenta e quatro (74) pessoas que iam a bordo do barco que naufragou após ter batido numa rocha próximo a ilha de Matemo, desbarcaram sabádo último na praia do Paquitequete, apurou o Moz24h no local. Entre os sobreviventos estão os tripulantes da embarcação e populares que rumavam destino a Pemba. A chegada destes sobreviventes engrossa o número de deslocados que aportam Pemba fugindo dos ataques terroristas com o que conseguem levar.


Alguns sobreviventes que falaram ao Moz24h contaram que saíram de Palma a fugir dos ataques ‘terroristas’ num grupo composto por homens, na sua maioria mulheres, crianças quando viram a embarcação naufragar entre a ilha de Makalowe, no distrito de Macomia.

Os sobreviventes acabaram escalando a ilha de Matemo apos terem sido salvas por uma outra embarcação. “ O baco estava cheio’ e teve que cruzar ‘ altas ondas e contra o vento’ dizia Issa Tarmamade a alguns órgãos de informação.

“Ainda próximo da Ilha de Matemo no arquipélago das

Quirimbas, a embarcação viria a bater numa rocha provocando o naufrágio, vimos corpos a flutuar,”

No seu desembarque em Paquitequete de plantão estão os activistas – voluntários do grupo Kuendeleya composto por 125 voluntários baseado no porto comercial de Paquitequete, que vem recebendo os deslocados de guerra que desembarcam naquele porto desde o primeiro dia numa ‘ Operação Awa Desembarque de Deslocados de Paquitequete”

São milhares de pessoas entre crianças, mulheres na sua maioria que durante os últimos quinze dias desembarcaram em Paquitequete resultante dos mais recentes ataques encetados pelos bandidos armados sobre o Arquipélago das Quirimbas, as aldeias de Olumboa, Guludo, Kirimizi, Mucojo, Ntony no distrito de Macomia.


Do desembarque, contas feitas segundo aquele grupo “ já chegaram 300 embarcações, 12.000 deslocados que vamos cuidando deles, demos 150m3 de água, 15000 pães, 15000chás, 17000 refeições, 30000L de papas, 500 Esteiras, 15000Kg roupa, 7500kg de material de higiene, 3200Kg de lenha tudo trazido em 25 Viaturas.”



Enquanto a presença governamental não se faz sentir como era suposto, algumas individualidades entre comerciantes de Cabo Delgado de Nampula e algumas organizações humanitárias vão se esforçando no sentido de prover o básico para aquelas pessoas que muitas delas chegam a Pemba com diarreia-cólera, desidratadas enquanto outras são levadas pelo mar, morrem afogadas, de fome, doença. Na praia do Paquitequete são vários grupos de pessoas sem não tem familiares, não sabem para onde ir e continuam a dormir sobre a areia da praia, ao relento com um olho e orelha aberta, dependendo da vontade dos mares alta e baixa.

Quando são as altas tem de dormir de pé Outro grupo o que esta a espera do apoio para irem ao encontro dos seus familiares nos distritos de Ancuabe, Montepuez Niassa ou provincia de Nampula, mais a sul. Estão a espera que os seus familiares lhes enviem dinheiro para apanharem autocarro ou meter combustível no barco, outros estão a espera de pessoas de boa vontade. E depois tem o grupo de pessoas que não tem familiares, não tem nada. Não sabem para onde ir.


Cidade de Pemba rebenta pelas costuras

Do Bairro de Paquitequete, Gingone, Muxara, Mahate as casas andam completamente lotadas, de números mais altos contabilizados pela nossa reportagem durante três semanas de visita pelos bairros, onde em cada uma das casas podem ser encontradas entre 54, 40 pessoas da mesma família, falta quase tudo ou tudo ‘Nunca recebemos comida, nada, vieram disseram que iam dar-nos senhas. Fomos la para o posto mas os que tem senhas nem são deslocados. Ficamos la e voltamos para casa.” Enquanto a guerra continua “Não podemos voltar para as nossas machambas, nossa vida normal.”


Como Amade são pessoas aos milhares que contaram estórias similares. Amade viveu, viu membros da sua família serem assassinados.


“Meu primo foi decapitado, amigo dele cortado com catana em pedaços. Naquele primeiro ataque em Tanganhane, na sede de Macomia, foi tudo no mesmo dia. Quando chegaram de Madrugada começaram a disparar e nós percebemos porque eles disparam para tudo que esta a frete deles. Fugimos para o mato. Minha mulher fugiu para um lado eu para o outro, vivíamos na mesma área, ela ali a frente eu na terceira casa, casas diferentes. Atacaram o quartel, algum militares ate acabaram fugindo connosco para o mato, tiraram uniforme, pediram capulana, vestidos, armas meteram no saco, outros deitaram fora. Quando o ataque parou pouco foi quando voltamos para a aldeia, algumas pessoas. Vimos pessoas mortas a catana e bala, casas queimadas, dentro das barracas tiraram tudo. Levamos o que podíamos.


Outros de Macomia fugiram para Quissanga, Quirimbas, via marítima mas nem todos chegaram a Pemba e outros pela mata dentro num percurso de mais cerca de 300 quilómetros ate Pemba

“Cinco dias que dormimos no mato, pessoas sem comida, sem água, crianças caíram, mais velhos morreram, outros morreram cansados de caminhar. Chegaram, eram três e um vermelho, outro preto e um assim da cor militar e mais um aviãozinho branco. Esse disparava enquanto os helicópteros deixavam cair bombas., ‘ alshababs ‘também tiraram farda como de militares Moçambicanos, juntaram-se com a população.


Exima-se que mais de 400.000 deslocados, mais de 2500 mortes em ascensão tenham deixado suas terras desde que a guerra protagonizada pelos ditos ‘alshababs” começou a 5 de Outubro de 2017 no Norte de Cabo Delgado. Uns ainda conseguem chegar com alguns bens desde cabritos, boys, panelas, colchoes e outros chegam quase que de mãos vazias, sem familiares cujos corpos deterioram-se no mato outros morreram em naufrágio, mas uns chegam com vida. Contudo, há os que sobre acontecimentos vão tirando proveito dos que outrora antes de fugirem da guerra nas suas vilas eram pequenos empresários, negociantes, agricultores, hoje esperam por um quilo de farinha, sem tecto, comida, dinheiro, sobre seus cadáveres vão caminhado e/ou vão tirando proveito. Os abutres



Abutres

E o outro grupo, é o dos abutres que tem como fonte de rendimento as mortes, o sofrimento dos deslocados de guerra. Os bens alimentícios e outros destinados aos deslocados, os abutres acabam distribuindo aos seus parentes, amigos ou vendem em detrimento dos deslocados de guerra.


‘ Muitas ONG’ fizeram-se ao largo da praia do Paquitequete, assim como a distribuição de alimentos começou a ser feita quando o chefe de estado estava na cidade de Pemba quando foi inaugurar a estacão de energia de Meto’ro mas no dia seguinte muitas desapareceram, não estão presentes,” e outros ‘ os do governo dizem que estamos a alimentar bandidos, o secretario do bairro de Paquitequete Luís Salimo disse aos voluntários, recebeu orientações la de cima.”

No bairro Expansão Chuiba uma Senhora de apelido Muassumo, chefe do quarteiro ficava com as declarações do bairro atribuídas aos deslocados de guerra a qual em troca exigia uma parte dos produtos alimentícios e outros pelas organizações atribuídas aos necessitados. “Não conhecemos o nome completo da senhora só o apelido que é Muassumo, chefe do quarteirão. Ela ficou com as nossas declarações durante um mês e meio e exigia metade das poucas coisas que recebíamos.” Disseram deslocados naquele bairro.


As senhas e cheques atribuídos por algumas organizações humanitárias não são canalizados a estas pessoas. “ Essas senhas, cheques os chefes dão a seus amigos familiares que não são deslocados para irem receber comida. Outros vendem uma senha no valor em produto de 5 mil meticais. Vendem a 2 mil meticais. Aqui não temos comida. Tem famílias de 50, 40, 20…pessoas que nunca receberam esses alimentos.”Disseram deslocados


Mocímboa ficou nas mãos dos ‘terroristas.”


Com os pronunciamentos mais recentes do Governo Moçambicano, Mocímboa da Praia acabou sendo deixado sob pleno controlo dos “terroristas”

O distrito de Mocímboa da Praia, porto e o aeroporto continuam nas mãos dos grupos armados ‘Terrorista”, desde o assalto do dia 23 de Março. Segundo o Comandante geral da polícia da Republica de Moçambique Bernardino Rafael. “Não há nenhuma Vila tomada como tal, onde eles vivem e exercem actividade. Há Vilas que eles, por pressão de ataques, a população se deslocou, tais como em algumas aldeias que nós temos ao nível do nosso país, não estavam nas mãos dos terroristas porque nós exercemos um controle acrescido" declarou o Comandante contudo, acrescentando o controlo era feito através de binóculos, "não estamos lá fisicamente nos portos e na vila de Mocímboa da Praia”.


Do Interior o tom é o mesmo a voz de Miquidade

O Ministro do Interior, Amade Miquidade em declarações a comunicação social lamentava sobre palco das operações Norte "A situação contínua complexa, a guerra nunca foi uma boa coisa. É só olharmos para o número de deslocados que se fazem à [cidade de] Pemba, com todos os riscos" e"eles estão a assaltar aldeias para roubar mantimentos para sua própria logística", frisou Amade Miquidade.

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