“Situação já era calamitosa hoje não sei como a classificar”


Alerta Bispo de Pemba preocupado com deslocados


Nos últimos dias chegaram à cidade de Pemba mais de três mil deslocados. A situação considerada “traumática” preocupa a Igreja que apela à mobilização urgente de recursos para “socorrer com um mínimo de eficácia tantas pessoas de mãos vazias.

O aumento significativo do número de pessoas em fuga dos grupos armados que continuam a espalhar violência e morte na província moçambicana de Cabo Delgado,

nomeadamente na região de Macomia, está a preocupar a Igreja católica.

O bispo de Pemba, D. Luiz Lisboa, e o bispo de Lichinga, D. Anastásio Canira, testemunharam, semana passada, a chegada em massa de deslocados ao bairro de

Paquitequete, o principal ponto de desembarque dos deslocados na cidade capital de Cabo Delgado.

“Estão a chegar inúmeros barcos. Só hoje (quarta.feira), este barco que está aqui é o oitavo,” disse D. Luiz Lisboa, numa mensagem divulgada pela diocese.

“A situação já era calamitosa e hoje não sei como a classificar”, afirmou o bispo de Pemba, apelando a “todos de boa fé a darem uma resposta possível no apoio aos irmãos que mais necessitam”.

Também o bispo de Lichinga manifestou a sua preocupação face à situação que classificou como “traumática”. "Estou muito impressionado com essa situação, que eu interpreto como uma situação muito traumática, que até ultrapassa as capacidades humanas para acolher toda a multidão que está a fugir";, afirmou D. Anastásio Canira.

De acordo com o padre Fonseca Kwiriwi, um dos responsáveis pela comunicação da Diocese de Pemba, “as coisas continuam feias” na região e “cresce cada vez

mais” o número de deslocados que procuram acolhimento junto dos principais centros urbanos”.

Em declarações à Fundação AIS, o sacerdote nota que a cidade de Pemba se transformou num porto de abrigo. “Barcos sobrelotados, normalmente com mulheres e crianças, têm chegado a esta cidade costeira, agravando uma situação já muito frágil do ponto de vista

humanitário”, refere o sacerdote, acrescentando que há pessoas que chegam a Pemba “em péssimas condições”.

O responsável pela comunicação da Diocese de Pemba conta que “num dos grupos de deslocados, registou-se o caso dramático de uma mulher que deu à luz na praia, depois de desembarcar de um barco com muita gente”.

Segundo a Diocese de Pemba desde sábado, dia 17 de Outubro, calcula-se que cerca de 3 mil pessoas terão fugido de suas casas, perdendo tudo o que tinham, por causa dos ataques dos grupos armados que reivindicam pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico.

Perante o aumento no número de deslocados, “torna-se cada vez mais urgente mobilizar recursos para a Diocese ter também meios para socorrer com um mínimo de eficácia tantas pessoas de mãos vazias”, assinala a diocese. (x)

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