SG da ONU diz que "não é o momento de reduzir" financiamento da OMS



O secretário-geral da ONU, o portugues António Guterres afirmou que este "não é o momento de reduzir o financiamento das operações" da Organização Mundial da Saúde (OMS), depois de Washington suspender a contribuição para a instituição.

António Guterres declarou, esta terça-feira, que "este não é o momento de reduzir o financiamento das operações da Organização Mundial da Saúde ou de qualquer outra instituição humanitária que combata o vírus" responsável pela pandemia da covid-19. "A minha convicção é que a Organização Mundial da Saúde deve ser apoiada por ser absolutamente essencial aos esforços do mundo para ganhar a guerra contra a covid-19", salientou Guterres. O secretário-geral da ONU reagia deste modo ao anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, de suspender a contribuição do país à OMS, justificando a decisão com a "má gestão" da pandemia da covid-19. "Ordeno a suspensão do financiamento para a Organização Mundial da Saúde enquanto estiver a ser conduzido um estudo para examinar o papel da OMS na má gestão e ocultação da disseminação do novo coronavírus", disse. Na passada quarta-feira, o líder da ONU tinha já reagido às críticas norte-americanas à OMS, ao lembrar que a organização, com milhares de funcionários, está na linha da frente da luta contra a pandemia e no apoio aos Estados-membros da ONU, "principalmente os mais vulneráveis", com directivas, formação ou equipamento. Ao criticar a decisão norte-americana, António Guterres reconheceu que "os mesmos factos podem ser interpretados de forma diversa por diferentes entidades". "Uma vez voltada a página desta epidemia, será tempo de rever para compreender como uma tal doença pode acontecer e alastrar tão rapidamente a sua devastação por todo o mundo", salientou. "As lições aprendidas serão essenciais para gerir eficazmente desafios semelhantes, se surgirem no futuro", acrescentou. "Mas este não é o momento (...) e também não é o momento de reduzir os recursos para as operações" da OMS no combate contra a pandemia, sublinhou. O secretário-geral da ONU concluiu: "como já o disse, o momento agora deve ser de unidade da comunidade internacional para trabalhar em conjunto, de forma solidária, para deter este vírus e consequências esmagadoras". No anúncio feito perante os jornalistas, Trump considerou que "o mundo recebeu muitas informações falsas sobre a transmissão e mortalidade" da doença covid-19. Por outro lado, o Presidente norte-americano referiu que os EUA contribuem com "400 a 500 milhões de dólares por ano" (entre 364 e 455 milhões de euros) para a OMS, em oposição aos cerca de 40 milhões de dólares (mais de 36 milhões de euros), ou "ainda menos", que Trump estimou que fosse o investimento da China na organização. Donald Trump advogou ainda que se a OMS "tivesse feito o seu trabalho e enviado especialistas médicos para a China", para averiguar a "situação no local", a pandemia poderia "ter sido contida na fonte com pouquíssimas mortes". A pandemia da covid-19 já causou mais de 124 mil mortos e infectou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. (Moz24h com agencias)

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