Sasol vai aumentar gastos com fornecedores locais até 2024


A Sasol pretende gastar mais comprando produtos e serviços de empresas locais e, para o efeito, divulgou o seu Plano de Conteúdo Local para os próximos 5 anos.

A petroquímica realizou, esta terça-feira, na cidade da Maxixe, província de Inhambane, um Seminário de Oportunidades Locais, onde apresentou o seu plano quinquenal de conteúdo local, que estabelece os mecanismos estratégias que visam melhorar o acesso das empresas moçambicanas às oportunidades de negócios da empresa.

O objectivo é que, ao cabo do quinquénio 2020-2024, a Sasol já esteja a gastar 71 por cento com fornecedores locais, sendo que espera reduzir os gastos com empresas estrangeiras em cerca de 50 por cento.

Para atingir estes resultados, a primeira petroquímica a explorar gás em Moçambique tem delineada a estratégia de conteúdo local, a qual está à volta de cinco pilares principais.

Em matérias de aquisições locais, a empresa vai aumentar os gastos com bens e serviços fornecidos pelas empresas nacionais, através da implementação de um procedimento preferencial de aquisições.

Vai também desenvolver um Programa de Desenvolvimento de Empresas e Fornecedores (ESD) – uma iniciativa que visa capacitar as PME locais em várias áreas-chave, que incluem a gestão de saúde e segurança no trabalho, cumprimento das normas jurídicas e contabilidade, de modo a prepará-las para poderem ter acesso a oportunidades de negócio na Sasol e noutras empresas.

Entre os cinco pilares, está o lançamento do Fundo para PME (oficialmente chamado Linha de Crédito para Apoio a Micro, Pequenas e Médias Empresas Moçambicanas) cujo objectivo é prover às PME locais produtos financeiros acessíveis. O Fundo já está criado e será gerido pelo Banco Comercial e de Investimentos (BCI).

O diferencial deste fundo, entre vários aspectos, reside na redução da taxa de juros para 10,5 porcento, numa situação em que a taxa média praticada pelos bancos neste momento é de cerca de 20 porcento e, também, graças ao acordo com a Sasol, o BCI vai dar um tratamento especial aos empresários de Inhambane que estejam relacionados com o projecto da petroquímica para reduzir o tempo até 72 horas, desde a requisição até a obtenção do crédito.

No capítulo de emprego local, a firma quer desenvolver a capacidade dos moçambicanos, através de (a) um ensino básico focado na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, (b) programa de formação vocacional e (c) programa de desenvolvimento profissional.

O último capítulo diz respeito a Pesquisa, Desenvolvimento e Transferência de Tecnologias, visando desenvolver e implementar iniciativas escaláveis ou ajustadas ao propósito, em parceria com o Governo.

E estas linhas de acção foram desenhadas desta maneira, em parceira com o Ministério dos Recursos Minerais e Energia porque “nós, na Sasol, acreditamos que podemos melhorar continuamente a vida das nossas comunidades, através desta parceria com o Governo, para juntos ajudarmos as empresas locais. A Sasol, como um dos maiores actores industriais, está desejosa e pronta para contribuir, com vista ao crescimento da economia do nosso país e ajudar a responder às necessidades das comunidades”, explicou Ovídio Rodolfo, Director-geral da Sasol.

Presente no evento, o Governador da província de Inhambane, Daniel Chapo, exigiu do empresariado local mais atenção e união entre si. “Não adianta querer ganhar sozinho, deixar o outro distante, porque, se isso acontecer, haverá outra empresa, ainda que estrangeira, a ocupar o seu lugar”.

E mais: Chapo recordou que a junção de toda a documentação é imprescindível, quando se pretende fazer negócios com uma empresa da envergadura da Sasol. “A Sasol é uma multinacional, tem padrões internacionais que devem ser cumpridos, faz parte da Bolsa de Valores de Nova Iorque, tal como outras multinacionais, então, há coisas que não se pode descurar, por isso, as exigências são do nível da multinacional”, explicou.

Por sua vez, a Secretária de Estado na Província de Inhambane, Ludmila Maguni, enquanto representante do Governo Central, referiu que “é expectativa do Governo que a Sasol dinamize a cadeia de valor a jusante, fomentando a industrialização local”.

Dos empresários, representados pelo Conselho Empresarial Provincial de Inhambane, veio o reconhecimento de que as empresas nacionais ainda precisam de adquirir mais conhecimento, daí terem solicitado à Sasol que facilite a cooperação com empresas estrangeiras.

“A Sasol deve sair da sua zona de conforto e dispor-se a colaborar na materialização realística do conteúdo local. Tudo isto deve ser concretizado facilitando a criação de parcerias com as empresas estrangeiras, para se obter o know-how”.

Refira-se que a Sasol já contratou, desde o início das suas actividades, mais de 1.500 empresas nacionais para a prestação de diversos serviços, um número que podia ser maior, porém, sempre houve problemas no que diz respeito à capacidade de resposta por parte das empresas locais.

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