Rosário Fernandes: Vítima da ditadura do partido-estado


Por Sérgio Cossa


O presidente do Instituto Nacional de Estatística, INE, Rosário Fernandes, colocou o seu lugar á disposição. Não era para menos. Depois do INE ter desmentido os números que o recenseamento eleitoral realizado pelo STAE na província de Gaza produziram, a sua situação ficou verdadeiramente desconfortável. Não como profissional claro. O desconforto veio poque começou a ser tido como inimigo pelos militantes do partido Frelimo. Por aqueles que acham inconcebível que as suas estratégias eleitorais fraudulentas sejam denunciadas. Por aqueles que olham a política com um campo em que tudo vale. Mesmo inventar milhares de eleitores acima de todas as regras aceites pela comunidade científica. Masa fica sempre a questão: onde está a fronteira entre o estado e o partido? Ou se quisermos mais, que linha separa o funcionário público do militante do partido?

Aliás, o processo de democratização em Moçambique continua refém dessa herança monopartidária que em o partido e estado eram praticamente a mesma coisa. Aliás, uma herança que tem sido um impedimento para que a Admistração Pública dê um salto qualitativo. Só essa herança monolítica explica, que o presidente Filipe Nyusi tenha praticamente intimidado Rosário Fernandes aquando da inauguração do edifício do Ministério da Economia e Finanças. É mesma herança que vai explicando a mediocridade de muitos dos nossos serviços públicos. Porque gente coerente e íntegra como Rosário Fernandes é intimidade por não alinhar com expedientes partidários. E depois o Estado enche –se de “ ondas vermelhas” extremamente nocivas a uma Administração Pública profissional e íntegra.

541 visualizações0 comentário