Relatos da guerra em Cabo Delgado


Estacio Valoi e Nazira Sulemane


Mais um ataque perpetrado pelos bandidos armados no Norte de Cabo Delgado deixa casas destruídas, pessoas raptadas e mortes na aldeia Nabage zona litoral da Vila da Mocímboa da Praia.


Segundo fontes no local, o ataque deu-se antes de ontem, depois de no dia anterior os bandidos terem passado pelas aldeias de Naikidunga.


“ Eles voltaram três vezes, só que antes de ontem é que entraram em Nabage, perto de Ulo, na via que vai a Marere, desce em baixo. Agora, Nabage esta assim e Ulo esta assim.

Queimaram casas, capturaram mulheres. Morrer não falta. Antes de ontem também mataram pessoas que saíram daqui de Milamba- Mocímboa que iam para machamba."

Ainda segundo fontes, em alguns percursos não se passa. ‘Antes de ontem e ontem, saindo de Mocímboa a caminho da aldeia Naquitengue, pelo caminho, sempre matam. Ninguém passa. Na via de Marere em Naikidunga, Macimoja, Natige, Kalugo, Nazimo, nessas aldeias todas também atacaram, ninguém ficou.”

Para além da gerra que se vem resgistando, e actualmente agravando – se com a situação de intransitabilidade pela ponte sobre o rio Montepuez , em Mocímboa da Praia faltam produtos alimentares,e, quando há os preços são assustadores.

“Comida aqui há falta. Como ponte ainda mal a comida passa via litoral de barco. Agora quando vem aqui faz muito caro. Ate um saquinho de farinha de 50kg esta a 2 mil meticais. Eu aqui tenho uns 10 refugiados que vem da aldeia de Nacimoja.”

Da cidade de Pemba diariamente saem bens alimentares, um pouco de tudo na sua maioria trazidos de outras províncias em carinhas camionetas que chegam ao porto dos pescadores em Paquitequete para serem transportados para as zonas, distritos afectados pelos ataques armados


Bispo Luís Fernando Lisboa estima que desde Outubro de 2017 os ataques já causaram mais de 500 mortos e milhares de deslocados factos anteriormente reportados pelo Moz24h

Mas ainda nesta senda dos conflitos e segundo fontes militares na linha da frente num conflito alegadamente ‘sem rosto” e com ‘o crocodilo’ no meio, continua longe de ser debelada. Existem Helicópteros desconhecidos que têm dado voltas nas zonas onde os insurgentes estão alocados, passam sempre na costa em direcção as matas.”


Segundo uma fonte militar relatou ao Moz24h que num dos ataques ocorridos em 2019 onde a FDS tiveram baixas consideráveis ,o número de militares era em menor comparativamente com os bandidos armados.

“Nós eramos apenas vinte e seis contra duzentos e tal. Era para fazermos o quê se não deixar tudo para trás e fugir com as nossas armas!


Tomaram a base “ Sim, atacaram a famosa base de Cogole, lá na central. Não se comia. Estas a ver aquele BTR, queimaram, levaram aquela arma que fica em cima, carregadores, sacudus. Perdemos um colega, tiraram-lhe os órgãos genitais e deixaram lhe ai pendurado. Estou aqui a assistir directo." Disse a fonte na altura

"Não sabemos como. Nós só estamos a ver Helicópteros a passar, a sobrevoarem esta zona. Não sabemos para onde é que vão. Mas aqui por dia passam entre seis a sete helicópteros. Assim que estou aqui a falar contigo, está a passar um na costa. Não sei dizer onde vão pousar e, não sabemos o que trazem! Esse é o maior problema."


Não são helicópteros do Progama Mundial de Alimentacão (PMA)


"Do PMA costumam a pousar ali em frente mas estes que passam vão para aquelas matas de Cogole. O Helicóptero esta a passar pela costa e não tenho como tirar uma foto, nem para tirar as escritas. Vou tentar tirar as fotos porque de manha passam muito perto aqui da posição."

"Os helicópteros passam todos os dias, quase que todo momento. Não ficamos uma hora sem que passe um helicóptero. Esta se mal! Esta se mal. Fazer o quê? Estamos aqui a cumprir. Estamos a ser solicitados em Macomia e acho que vamos mudar la para a vila. Investigamos, investigamos, e tudo vai cair no Obimo Omar mas não sabemos quem é esse Obimo Omar, dizem que ele estava lá na companhia da Africa Muslim, a mesquita. Se forem lá, como a SISE já fez as suas investigações, vai ser difícil obter informações. Não sabemos o que ele era na Africa Muslim. Não temos as características, nunca vimos a tal pessoa.

Não é possível, não sabemos porque é que ele estaria a fazer isto. Essas são questões sobre as quais nós queremos que estes (detidos) respondam, mas não temos como. Pelo que sei dizem que ele era empresário moçambicano. " Disse a nossa fonte."

No sentido de obter mais informações o Moz24 foi a tal Mesquita “África Muslim, ” mas sobre o tal Obimo Omar fomos informado que o mesmo ‘não aparece na mesquita faz tempo" e sobre este mais nada se sabia, muito menos sobre seus laços familiares desde que houve rumores sobre a sua ligação com os bandidos armados

Ainda sobre os helicópteros fontes em Macomia acrescentam que não se trata apenas de um Helicóptero que vai deixando a população em alvoroço sempre sobrevoa aquelas zonas como prenuncio do próximo ataque, morte naquele dia." São vários Helicópteros estranhos que têm ido lá na mata. Más existe um Helicóptero de cores preto na traseira e branco a frente, quando este passa é porque naquele dia vamos morrer. As vezes lança colmam nas matas depois uns recolhem .” Nós só olhamos de longe, não sabemos o que fazer. Disse uma residente de Macomia.

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Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

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