Relatório preliminar diz que morte dos 111 golfinhos resultou do encalhamento durante a maré baixa


Na sequência da morte de 111 golfinhos, da espécie Stenella longirostris em dois incidentes separados, nos dias 21 e 23 de Fevereiro, no Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto, Henriques Bongece, Vice-Ministro do Mar, Águas Interiores e Pescas, liderou uma missão intersectorial à Província de Inhambane, Distritos de Vilanculos e Inhassoro entre os dias 24 e 27 de Fevereiro de 2021. Integraram a missão quadros do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, do Ministério da Terra e Ambiente, da Universidade Eduardo Mondlane e membros do Conselho Provincial de Representação do Estado de Inhambane. Para além das observações realizadas in loco foram feitas várias consultas à rede de especialistas da região e internacionais nomeadamente: o Grupo de especialistas em Cetáceos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN); da Comissão Internacional sobre baleias e do painel de especialistas em encalhamento para áfrica e Oceano Indico; bem como com a Coordenação para assuntos de encalhamento do IndoCet para a região do Oceano Indico e com a editora associada da Revista Científica sobre Mamíferos Marinhos. Estes especialistas aconselharam sobre o tipo de amostras e informação a ser recolhida assim como sugeriram os laboratórios mais indicados para se procederem as análises dessas mesmas amostras. Na altura a equipe moçambicana foi informada sobre o fenómeno do encalhamento de mamíferos marinhos que tem estado a ocorrer em diferentes partes do globo e de que em muitos casos não tem sido possível determinar as causas. Os casos menos difíceis de comprovar as causas relacionam-se com: a pesca excessiva; a poluição dos mares por plástico; a poluição sonora resultante do incremento do tráfego no mar ou de passagem recente de submarinos militares; as actividades sísmicas associadas à pesquisa / exploração de hidrocarbonetos; o desenvolvimento industrial, incluindo a construção de portos; as mudanças climáticas, eventos extremos como ciclones e a consequente alteração da dieta dos animais marinhos; e os maremotos. Do trabalho pericial realizado (ao local e o exame dos animais) foi possível constatar o seguinte: • Não existirem sinais de mutilação dos animais ou de contaminação por hidrocarbonetos visíveis. • Os golfinhos se encontravam na parte oeste da Ilha de Bazaruto (área com profundidade que varia entre os 3 e os 7 metros) onde normalmente não têm o hábito de entrar, tendo possivelmente ocorrido uma “anomalia de navegação”. • 23% dos golfinhos tinham o estômago vazio o que indica que parte dos 111 golfinhos não estava a alimentar-se no local. • A morte dos golfinhos resultou do encalhamento (Beaching) durante a maré baixa. • Na altura da ocorrência, não tinha havido quaisquer pesquisas sísmicas na região. • A morte dos golfinhos ocorreu durante ou pouco depois da passagem do ciclone Guambe na área. • Que fenómeno semelhante tinha sido registado pelos habitantes da Ilha em 1997 e em 2006, tendo envolvido um número menor de animais naqueles dois casos. Para se aprofundar o estudo das causas desta mortalidade de acordo com as recomendações dos especialistas foram colhidas amostras que serão enviadas para laboratórios especializados dentro e fora do país. Das duas espécies de golfinhos que ocorrem em Moçambique, a sinistrada é uma espécie oceânica que se desloca para o mar aberto durante a noite para se alimentar (em profundidades que variam entre os 10 e os 50 metros) e que durante o dia vem para perto da costa para descansar, em áreas com profundidade de até 20 metros. É uma espécie relativamente abundante, e amplamente distribuída ao longo do Canal de Moçambique, cuja população é estimada entre 10 a 15 mil indivíduos e não consta da lista de espécies em perigo de extinção. Esta missão teve o apoio do Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto (PNAB) e do parceiro de co-gestão do Parque, a African Parks, que trabalha em estreita coordenação com o Governo de Moçambique para ajudar a identificar a causa do encalhamento em massa. O PNAB é gerido no âmbito de um Acordo de parceria Público-Privada que foi assinado em Dezembro de 2017 entre o Governo de Moçambique, representado pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a African Parks. A African Parks é uma organização sem fins lucrativos de conservação que assume plena responsabilidade pela reabilitação e gestão a longo prazo de parques nacionais e áreas protegidas em parceria com governos e comunidades locais. No Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto (PNAB) para além da ocorrência de mamíferos marinhos tais como dugongos, baleias, golfinhos e outros, proporcionada pela combinação de águas rasas e profundas, bem como pela disponibilidade de nutrientes e tranquilidade da zona, foi registada a ocorrência de 180 espécies de aves, 45 de répteis, 16 de mamíferos terrestres, 500 de moluscos marinhos e costeiros, e 2000 espécies de peixe. O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto (PNAB), situado na província de Inhambane, possui uma área de 1.430km2 e foi criado a 25 de Maio de 1971 sendo o primeiro parque marinho no país. (x)

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