Rede mulher jovens lideres: "não há motivos para celebrar 7 de Abril"


A Rede de Mulheres Jovens Líderes Moçambicanas apresentou em voz única, numa

colectiva de imprensa, na cidade de Maputo, os 12 motivos para não celebrarmos o 07 de Abril. A Guerra em Cabo Delgado é um principal de outros casos elencados por elas.

A campanha, segundo as mulheres acontece "diante deste contexto nem o Presidente da República e nem o Ministério de Género se dignaram prestar informação ou esclarecimento sobre os esforços em de marche para responder a todo este cenário. Clamamos por um maior envolvimento da sociedade civil, das forças políticas nacionais, das confissões religiosas incluindo islâmicas, dos artistas, da academia, do sector privado e, de toda a sociedade no geral na agenda da paz. Assim, reconhecendo os esforços que diferentes entidades, movimentos e actores tem estado a empreender na assistência humanitária, no quadro da Resolução 1325 sobre Mulher, Paz e Segurança, da Constituição da República e demais instrumentos nacionais e internacionais


Eis os 12 motivos para não celebrar o 07 de Abril de 2021


1. Quase metade da população de Cabo Delgado está deslocada e o ataque de Palma que vitimou também membros desta Rede veio evidenciar como as populações sentem-se no abandono no processo de fuga, quando o número de deslocados ascende já ao milhão, maioritariamente mulheres e crianças;


2. Palma, Mocimboa, Nangade, Quissanga, Muidumbe, Ibo e Macomia foram assaltados pelos terroristas nos últimos 12 meses com um número inespecificado de mulheres raptadas, mulheres, escravizadas sexualmente, usadas em armadilhas e como cuidadoras de combatentes;


3. Os relatórios da Conta Geral do Estado, os balanços governamentais e os informes sectoriais não provém informação de direito público transversalizada na óptica de género e nem desagregam dados para demonstrar como as realidades têm impactado de forma diferenciada sobre mulheres e homens e, muito menos esclarecem quantas mulheres beneficiaram dos fundos de resposta ao covid e de assistência aos deslocados nas regiões centro e Norte;


4. 2021 iniciou um ano sangrento para a covid19 com um número bastante elevado de mortos e internados graves


5. O preço do pão e da cesta básica ameaçam subir num período em que milhares de mulheres tiveram as suas fontes de renda brutalmente expropriadas em nome da pandemia


6. O número de mulheres detidas, violadas, estupradas e violentadas incluindo por aqueles que têm o dever de protegê-las no período da pandemia atingiu números assustadores (exemplos: vide no emaze.me/2020genero);


7. Num período em que o sustenta pouco sustenta milhares de mulheres morrem de fome em Muecate, Monapo, Nacala-a-Velha, Chibuto, Chicualacuala, e outros distritos de Tete, Manica e Cabo Delgado, chegando a consumir capim para sobreviver;


8. A violência obstétrica e a mortalidade materno infantil continuam bastante elevadas como mostra o Relatório das Nações Unidas sobre os ODS 2019, o que pode ter agravado com a pressão da pandemia que contribuiu para a redução da capacidade de resposta à outras enfermidades;


9. Os locais de culto estiveram fechados na semana Santa e mesmo a Ressurreição de Cristo foi comemorada de forma individual;


10. Desde que Rosa Cukwua e sua companheira foram barbaramente assassinadas nos finais de 2020 nas imediações da residência do director do SERNIC em Lichinga nunca as autoridades se dignaram em prestar qualquer esclarecimento, relegando a sua sorte as mulheres activistas políticas e defensoras dos direitos humanos;


11. Embora Moçambique só tenha apurado mulheres para os jogos olímpicos do Japão pouca atenção tem sido dedicada a sua preparação e a mobilização da consciência nacional para o apoio


12. Milhares de mulheres professoras principalmente primárias duplicaram o número de horas laborais em 2021 sem reforço no subsídio ou em mecanismos de prevenção da infecção por covid19 quando parte significativa das escolas continuam sem acesso a água segura e potável;


13. Enquanto os choques climáticos continuam a criar desastres de proporções alarmantes reduzindo a resiliência das mulheres para responder à violência ou uniões precoces, a auditoria do Tribunal Administrativo à Conta Geral do Estado 2019 denúncia que parte considerável das empresas actuantes no sector extractivo não implementa medidas de prevenção e mitigação de impactos ambientais, não é fiscalizada regularmente e nem tem planos de encerramento ou caução de garantia de reabilitação. (Moz24h)


32 visualizações0 comentário

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI