Recordando: Entrevista de Marcelino dos Santos a Emílio Manhique na TVM em 2005


A 19 de Setembro de 2005, Marcelino dos Santos concedeu uma entrevista ao tambem finado jornalista Emilio Manhique. O Programa chamava-se “No Singular” e liderou audiencias na epoca. Em jeito de recordacao o Moz24h passa aqui os excertos mais interessantes das revelacoes do heroi nacional


Emílio Manhique: Lázaro Nkavandame, Gwenjere, Joana Simeão foram mortos depois da independência, mas a Frelimo tinha dito que iam ser reeducados, que iam servir de exemplo. Porque é que foram mortos sem sequer nenhum julgamento?

Marcelino dos Santos: Naturalmente... primeiro porque consideramos que era justiça.


Manhique: Justiça popular?

Marcelino dos Santos: Altamente popular, exercida...


Manhique:... mas foi uma justiça de um movimento guerrilheiro, não de um partido.

Marcelino dos Santos: Justiça contra traidores porque qualquer um deles se aliou ao colonialismo português.


Manhique: Mas porque é que a Frelimo primeiro disse que iam servir de exemplo?

Marcelino dos Santos: Sim, e depois sobreveio a acção, a tentativa do inimigo de buscar elementos moçambicanos descontentes, em particular aqueles que pudessem ser-lhes bastante úteis. Então, aquela consciência que nós tínhamos inicialmente de que são traidores e que, portanto, deveriam ser executados. Bom, numa certa medida podemos dizer que surgiram as condições que forçaram a implementação de uma preocupação e de um sentimento muito, muito, muito antigo porque é bom não esquecer que Lázaro Nkavandame...


Manhique: E porque é que não se informou o povo?

Marcelino dos Santos: Porque aí é preciso ver o momento em que isso acontece e naturalmente embora nós sentíssemos a validade da justiça revolucionária, aquela construída, fecundada pela luta armada revolucionária de libertação nacional, havia, no entanto, o facto de que já estávamos em Estado independente. Quer dizer, Moçambique se tinha já constituído em Estado embora a Frelimo fosse realmente a força fundamental desse Estado. Então foi isso, talvez, que nos levou, sabendo precisamente ainda que muita gente não estava certamente apta a entender bem as coisas, que nós preferimos guardar no silêncio esta acção realizada. Mas que se diga bem claramente que nós não estamos arrependidos da acção realizada porque agimos utilizando a violência revolucionária contra os traidores e contra traidores do povo moçambicano.

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