Raul Domingos prepara livro sobre os contornos da Paz em Moçambique


Por: Germano de Sousa*


Raul Domingos, o negociador chefe por parte da Renamo para o Acordo Geral de Paz, revelou ao Moz 24horas que em breve vai lançar um livro de memórias em volta de determinados aspectos em torno deste processo que durou dois anos.

O livro vai abarcar questões de bastidores sobre o processo de negociação que não vêm escritas nem no acordo nem em relatórios. Factos inéditos.

Contou-nos por exemplo que enquanto decorria o processo negocial, ele solicitou a Matteo Zupi da comunidade de Santo Egídio que marcasse um encontro particular, a sós com Armando Guebuza, chefe da delegação do Governo.

“ O encontro aconteceu na Rocca di Papa, uma zona de floresta densa e até o Zupi me perguntou, não parece Gorongoza?lá me encontrei com Guebuza e lhe disse, se estas conversações falharem não será a Renamo, a Frelimo ou o povo moçambicano que falhou, seremos nós que não teremos cumprido com a nossa missão.”

Raul Domingos, conta ainda que Armando Guebuza lhe disse que se encontrariam nos corredores do parlamento para continuarem com o processo. Dito e feito, Armando Guebuza e Raul Domingos foram os chefes das bancadas parlamentares da Frelimo e Renamo respectivamente na primeira legislatura multipartidária da história de Moçambique depois das eleições de 1994.

“ Esta foi a legislatura que teve mais consensos apesar de toda a discussão na plenária “disse o nosso entrevistado.

Lembra que ao longo do processo houve duas questões colocadas.” Colocar de lado o que nos divide e potenciar o que nos une. Uma outra questão foi de que a implementação do acordo seria passo a passo”.

O então número dois da Renamo depois de ter sido expulso desta formação política, fundou em 2003 o PDD, partido da democracia e desenvolvimento e concorreu nas eleições de 2004 para o parlamento e também para a presidência da república.

No processo que decorre no momento, Raul Domingos e o seu partido estão ausentes e ele se justifica.” Temos que ter uma oposição em bloco e não partidos que de forma singular pretendam alcançar o poder.”

Mais adiante, disse “ Apelo a união do PDD, MDM e a Renamo para derrotar a Frelimo”.

Raul Domingos é o único sobrevivente da equipa inicial do processo negocial da paz para Moçambique por parte da Renamo, cujo acordo foi assinado a 4 de Outubro de 1992.

Na equipa inicial, a delegação do governo era constituída por Armando Guebuza, chefe, Teodato Hunguana, Aguiar Mazula e Francisco Madeira. Todos ainda hoje vivos.

Por seu turno a Renamo na equipa inicial era constituída por Raul Domingos, chefe, Vicente Ululo, Agostinho Murrial e João Almirante, todos já falecidos a excepção de Raul Domingos que por via disso se torna a única memória viva do processo por parte da Renamo, não obstante a sua expulsão deste partido (x).


*Colaboração

107 visualizações

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI