Primeiro ciclo de governação: ruptura com o “Guebuzismo”?


Em Janeiro de 2015, Filipe Nyusi tomou posse num contexto político e sócioeconómico atípico: havia uma indignação generalizada contra a governação de Armando Guebuza. Milhões de moçambicanos revoltados perante o enriquecimento da família presidencial e da elite da Frelimo, o elevado custo de vida e a violação dos direitos fundamentais, como o direito à expressão. Um dos exemplos ilustrativos da indignação popular contra a governação de Guebuza foi a humilhação que o então secretário- -geral da Frelimo, Filipe Paúnde, sofreu no Mercado Janet, na capital do país. Na campanha eleitoral de 2014, Paúnde foi vaiado pelas vendedeiras do Mercado Janet, quando tentava convence-las a votar na Frelimo e no seu candidato presidencial. No fundo, as senhoras do Mercado Janet usaram Paúnde para mandar uma mensagem contra Guebuza, cuja imagem tinha caído no descrédito. Uma das razões para a impopularidade do então Estadista foi a institucionalização do famoso G40, um grupo de 40 pessoas escolhidas pelo partido para monopolizarem o debate político nos órgãos públicos de informação (RM, TVM e jornal Notícias). Perante o sentimento de revolta, Nyusi fez do seu discurso inaugural uma resposta às grandes questões que se impunham no momento. Não foi por acaso que sempre reclamou que estava a inaugurar um novo ciclo de governação, uma tentativa clara de demarcar-se de Guebuza e, ao mesmo tempo, de responder aos problemas que a opinião pública levantava sobre a governação do seu antecessor. Provavelmente, o novo Presidente não tinha compreendido o alcance do seu discurso, mas o que mais lhe interessava no momento era marcar uma ruptura com tudo quanto representasse a governação de Guebuza. Ou seja, o mais importante era dizer aquilo que as pessoas de dentro e de fora do partido queriam ouvir naquele momento, depois do tanto esforço que fizeram para travar Guebuza e a sua esposa na luta pela manutenção do poder político. Um ano antes de terminar o segundo mandato, Guebuza continuava em “velocidade de cruzeiro” e não dava sinais de que iria abandonar o poder em menos de dois anos. Além de viagens pelo estrangeiro, Guebuza continuava a fazer nomeações de titulares dos órgãos da administração da Justiça. ( Centro para Democracia e Desenvolvimento)

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