Presidentes da CNE foram premiados pelo governo do dia









Por Sérgio Cossa


A excepção de dois casos sempre houve a tendência de colocar na Presidência da Comissão Nacional de Eleições, CNE, figuras “independentes” ou pelo menos supostasmente equidistantes das formações políticas que disputam os pleitos eleitorais. Um dos casos foi o do segundo presidente da Comissão Nacional das Eleições, Leonardo Simbine. Simbine é um dos poucos que se sentaram na cadeira da Presidência da CNE que não era oriundo do que se chama de Sociedade Civil. Ele já era uma alto funcionário governamental, ocupando o cargo de Secretário- Geral no então Ministério da Administração Esteiatal, quando foi indicado para dirigir a Comissão Nacional de Eleições. O cargo de Secretário-Geral num Ministério, seria o equivalente ao que hoje se denomina de Secretário Permanente.

O outro caso foi o de Jamisse Taímo, que substituiu Leonardo Simbine, que apesar de conotado com a sociedade civil por via do Conselho Cristão de Moçambique, quando chegou a Presidência da Comissão Nacional de Eleiçõe já ocupava um cargo de confiança presidencial. Jamisse Taímo era desde 1997 Reitor do então Instituto Superior de Relações internacionais. Cargo que só viria a deixar em 2007. Jamisse Taímo dirigiu a CNE aquando das competitivas eleições de 1999 em que a oposição e o seu candidato, Afonso Dlhakama, chegaram a reivindicar vitória. Contudo, Joaquim Chissano e o partido Frelimo é que foram declarados vencedores.

Foi com Brazão Mazula que se estreiou o paradigma de premiar com cargos estatais quem deixasse a Presidência da Comissão Nacional de de Eleições. Mazula que dirigiu a CNE nas primeiras eleições multipartidárias que aconteceram em 1994, depois que deixou o órgão eleitoral foi nomeado pelo então Presidente da República, Joaquim Chissano, Reitor da Universidade Eduardo Mondlane. O seu sucessor na CNE foi Leonardo Simbine de quem já nos referimos acima.

Simbine foi substituído pelo Reverendo Jamisse Taímo a quem também já nos referimos.

Depois de Jamisse Taimo, outro Revendo assumiu a Presidência da CNE. Arão Listsuri até então mais conhecido como músico foi o homem que se seguiu. Litsuri chegou a CNE pela mão do Conselho Cristão de Moçambique e, nas eleições para a presidência do órgão venceu a então presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabota. Depois que abandonou a direcção da Comissão Nacional de Eleições, foi “premiado” com cargo de director Nacional de Assuntos Religiosos no então Ministério da Justiça,hoje Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. Litsuri está no cargo desde finais de 2010.

E porque não há duas sem três, João Leopoldo da Costa, o homem que substituiu Arão Litsuri no cargo de presidente da Comissão Nacional de Eleições também teve direito ao seu “prémio”. João Leopoldo da Costa é desde 2017 vice- ministro da Saúde.

Caso para perguntar que “prémio” espera ao Sheik Abdul Carimo depois que deixar a presidência da Comissão Nacional de Eleições.

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