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‘Perseguindo Unicórnios de Carbono’


Perseguindo Unicórnios de Carbono o novo relatório lançado ontem pelas Organizações de justiça climática


A decepção dos mercados de carbono e do “net zero”. Actores poderosos estão a usar as promessas de "net zero" para esconder a sua inacção climática. Parar a crise climática exige que deixemos de queimar combustíveis fósseis - nenhum pensamento mágico irá resolver este problema, apenas acção imediata e mudança de sistema. Mas as corporações transnacionais e os governos estão a esconder-se atrás do "net" no "net zero" -afirmando que apenas precisam de pagar a outra pessoa para remover o carbono, através da compensação de carbono, em vez de tomarem medidas por si próprios.


Este relatório racionaliza a ciência por detrás dos anúncios de "net zero" que são usados para obscurecer a inacção climática. Explora as novas estratégias para expandir os mercados de compensação de carbono, ligadas à nova procura de compensações "net zero". Explica também os papéis desempenhados por vários actores envolvidos no esforço de "tornar as compensações novamente grandes".


Estes incluem actores menos óbvios, tais como algumas grandes organizações de conservação, bem como os mais óbvios: os bancos, a indústria financeira e os interesses empresariais por detrás da manutenção do status quo da produção e consumo de combustíveis fósseis. “Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, por isso sabemos da urgência em encontrar soluções para esta crise.


Mas é injusto que aqueles que criaram a crise evitem a sua responsabilidade histórica e continuem a promover "falsas soluções" que lhes permitam continuar a fazer negócios como de costume e a lucrar, ao mesmo tempo que descarregamos fardo sobre os nossos países do Sul. É isto que as metas "net zero" estão a fazer, o que significa que a crise continuará a agravar-se e que as soluções reais serão postas de lado. As nossas terras e florestas não são para a compensão de carbono das emissões de outros e não participaremos nestegreenwashing.


Precisamos de uma mudança de sistema para enfrentar esta e muitas outras crises que são um produto do nosso actual sistema injusto", disse Anabela Lemos, Directora da Justiça Ambiental (JA!) / Amigos da Terra Moçambique. “A acção global para travar a crise climática atingiu um ponto fulcral este ano, uma vez que eventos climáticos extremos continuam a causar estragos na vida e subsistência das pessoas. Corporações transnacionais, governos poluidores e mesmo algumas grandes ONGs de conservação estão a desfilar esquemas de compensação de carbono e promessas de "net zero" como solução, enquanto a ciência mostra que isto é pura fantasia.


Estes poderosos actores usam o "net zero" para disfarçar a inacção climática e continuar a beneficiar do status quo. Esquemas de compensação perigosos farão maís mal do que bem, especialmente para as comunidades do Sul global que enfrentam a violação de terras e direitos.


O nosso relatório deixa clara a urgência de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e de alcançar emissões zero real, em vez de perseguir os míticos unicórnios de carbono", disse Dipti Bhatnagar, Amigos da Terra Internacional, coordenadora do programa Justiça Climática e Energia. “As promessas de net zero por parte dos países ricos e a sua contínua dependência das compensações de carbono nos países pobres para as alcançar, são vias de escape para fazer os reais cortes de emissões necessários para se permanecer dentro de um orçamento global de carbono de 1,5 ºC.


Tais abordagens são perigosamente pouco ambiciosas e injustas, já que não podemos permitir mais emissões por parte do Norte rico num mundo com restrições de carbono que exige emissões zero agora sem compensações. Temos de acabar com o colonialismo do carbono, que é o que as compensações de carbono representam, onde os pobres têm de sequestrar as emissões dos ricos, para além de fazerem os seus próprios cortes de emissões. Isto é uma injustiça climática", disse Meena Raman da Third World Network, baseada na Malásia.


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