Para dançar Tango....São precisos dois


Por Edson Cortez


Num documento1 publicado recentemente pelo Centro de Integridade Pública (CIP), em que são apresentados os argumentos da defesa da Privinvest no tribunal de Londres, é possível verificar que uma das novidades apresentadas é que o então Presidente da República, Armando Guebuza, tinha conhecimento dos pagamentos de milhões de dólares efectuados por aquela empresa aos membros do seu Governo e a pessoas do seu círculo, incluindo ao seu filho, Armando Ndambi Guebuza. O documento revela que a Privinvest efectuou pagamentos de cerca de 7 milhões de dólares a Manuel Chang, então Ministro das Finanças¸ e um milhão de dólares a Filipe Nyusi, na altura candidato da Frelimo à presidência da República. Era expectável¸ e até previsível¸ que esse cenário acontecesse. Num contexto como o moçambicano, a imunidade alcança-se através de alianças estratégicas com os indivíduos “certos” que possam garantir a segurança física, dos bens patrimoniais, os direitos contratuais e até constitucionais. Afinal de contas, “apesar de o cabrito comer aonde está amarrado” – ditado popular- é sempre melhor não comer sozinho. O então Presidente da República, Armando Guebuza, não podia dançar sozinho este tango. Era necessário que arrastasse consigo pessoas da sua confiança e não só. Pessoas que pudessem¸ num futuro a curto ou médio, garantir que este assunto fosse abafado, não por temerem a ele – Guebuza - porque já não teria o poder de outrora, mas sim porque¸ defendendo Armando Guebuza, significaria defenderem-se a eles próprios. Desde as descobertas das dívidas ocultas até aos mais recentes desenvolvimentos deste caso, Filipe Nyusi tem tido uma actuação hesitante e titubeante. Duas hipóteses podem ser lançadas:

1. Ou Nyusi é ingenuo politicamente, porque o desenvolvimento do caso forneceu todos os elementos para que ele encarnasse o papel de Pôncio Pilatos, lavando as mãos e deixando a justiça fazer o seu trabalho; tarefa que tranquilamente poderia levar à “morte política” do seu antecessor, algo muito comum na política. 2. Ou então, não é inocente neste enredo, tentando por conseguinte fazer a gestão possível de um assunto delicado e que há muito tempo saiu do seu controlo – leia-se – da alçada da justiça moçambicana. A segunda hipótese parece ser a mais provável. Pode não ter resistido ao dinheiro fácil. Juntou-se à festa e dançou tango onde os mestres da orquestra eram Armando Guebuza e Iskandar Safa. Recebeu as migalhas, mas que foram suficientes para lançar um enorme descrédito à sua imagem de actual Chefe de Estado. Até que seja transitado em julgado, Nyusi, tal como todo e qualquer cidadão num estado de direito, tem direito a presunção de inocência. E oxalá que ele consiga provar que o é. Agora, mais uma vez, os olhos da sociedade vão-se virar para a reactiva PGR, a ver o que ela irá fazer com mais este capítulo dos detalhes sórdidos daquele que é¸ até hoje¸ considerado o maior escândalo de corrupção em Moçambique. Fiquemos atentos aos próximos capítulos! (Director do CIP)

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