PAM alerta para falta de verbas para apoiar deslocados


"O PAM pretende ajudar, em novembro, 400.000 deslocados internos que fogem da violência de Cabo Delgado, o que custaria cerca de sete milhões de dólares (5,9 milhões de euros) por mês. Na ausência de financiamento suficiente, o abastecimento de alimentos será comprometido, levando à diminuição ou mesmo à suspensão da distribuição de alimentos aos necessitados", refere o PAM.

A posição da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) é expressa no relatório de outubro sobre a situação de Moçambique, divulgado na sexta-feira e consultado hoje pela Lusa.

De acordo com os dados do documento, o PAM apoiou menos deslocados no norte de Moçambique de setembro para outubro, apesar de o número de famílias sem alimentação nem casa não ter parado de aumentar.

O PAM revela que deu apoio a cerca de 152.000 deslocados no último mês, quando em setembro tinha apoiado cerca de 234.000.

Segundo organizações de socorro e de acordo com o Governo moçambicano, o número de deslocados já estará na ordem dos 500.000.

O alerta de subfinanciamento já tem sido feito nos últimos meses.

Antonella D'Aprile, representante do PAM em Moçambique, referiu em setembro que as porções de alimentos podem vir a ser reduzidas a partir de dezembro, se não houver financiamento adicional.

Além da situação em Cabo Delgado, começou a época menos produtiva dos campos, até às colheitas de abril.

Até lá, toda a população moçambicana está mais vulnerável a riscos de insegurança alimentar.

Considerando a situação de todo o país, não apenas de Cabo Delgado, o PAM anunciou no documento que dispõe de 98,7 milhões de dólares para dar apoio à globalidade da população nos próximos seis meses, cerca de 35% dos fundos que considera necessários.

A pandemia não ajuda: "A covid-19 está a agravar o frágil contexto humanitário em Moçambique", acrescenta.

A Lusa tentou obter esclarecimentos do PAM acerca do mais recente relatório, mas ainda não obteve uma resposta.

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

A província onde avança o maior investimento privado de África, para exploração de gás natural, está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico desde 2019. (Lusa)

16 visualizações0 comentário