Os ex-bancários do Credit Suisse adiantados da “Gang” Chang, Rosário e Nhangumele



Por Luís Nhachote


O expediente das autoridades de Law enforcement dos Estados Unidos da América (EUA) para neutralizar e deter os implicados acusados pelo Departamento de Justiça é digno de um roteiro de Woolywood. Dezembro findava e certamente a vislumbar final de ano explêndido, Manuel Chang, o ‘Chopstick’ era o primeiro a ser inteceptado em pleno OR Thambo Internacional Airport, em Johanesburg. Estavamos a 28 de Dezembro. Uma semana depois, a 4 de Janeiro, as autoridades britânicas detinham, a pedido da Justiça americana, os três antigos banqueiros do Credit Suisse envolvidos nos empréstimos a empresas públicas moçambicanas.

Andrew Pearse, um antigo director do banco Credit Suisse, Surjan Singh, director no Credit Suisse Global Fainanching Group e Detelina Subeva, vice-presidente do banco que intermediou empréstimos clandestinos sairiam dias depois das celas depois de pagarem as cauções. Fazem parte desta “gang” como conspiradores e co-conspiradores nas lupas da acusação americana os nacionais Manuel Chang, António Carlos do Rosário e Téofilo Nhangumele, todos eles ainda sem chance de ‘delatar’ em Brooklyn por estarem detidos, mas entretanto aguardados pela justiça americana.


A vez de Detelina Subeva


A bulgara Detelina Subeva, 37, foi a primeira a tomar o avião de Londres para New York, e a 20 de Maio, diante do juiz William Kuntz II durante uma sessão no tribunal de Brooklyn, declarou culpada. Conspiradora nas lentes da justiça americana ela disse ao juiz que "Concordei, juntamente com outros, em ajudar a lavar as receitas de atividades criminais, nomeadamente subornos ilegais pagos por uma empresa chamada Privinvest e pelo seu representante, Jean Boustani", disse na ocasião Subeva.

Os pagamentos ilícitos, que Subeva referiu terem sido feitos em 2013, estavam ligados a um empréstimo do Credit Suisse a uma empresa pública moçambicana, acrescentou a antiga vice-presidente da unidade de financiamento global do Credit Suisse.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, Subeva explicou ao juiz que o seu chefe, Andrew Pearse, lhe disse que ia transferir 200 mil dólares para uma conta que ela tinha recentemente aberto, e que vinham de subornos pagos por Boustani e a Privinvest a Pearse, no valor de um milhão de dólares.

"Eu concordei em aceitar e ficar com estes dinheiros sabendo que eram provenientes de atividades ilegais", confessou a antiga banqueira, que viu o Ministério Público norte-americano desistir de três outras acusações de conspiração, não sendo ainda claro se também foi feito um acordo sobre a pena, que pode ir de ficar em liberdade até 20 anos de cadeia.


A vez de Andrew Pearse


No dia 21 de Julho, Andrew Pearse,49, antigo diretor-geral da instituição financeira suíça, depois de tomar o vôo da rota Londres/New York também seguiu o caminho da colega e foi admitir a ‘sua’ culpa no processo de fraude. Pearse afirmou ter recebido milhões de dólares no âmbito do mega esquema que envolveu 2 mil milhões de dólares.

Segundo a imprensa internacional, não ficou claro se Pearse está ou não a cooperar com as autoridades norte-americanas. A sua confissão esta sob sigilo. A sua advogada, Lisa Cahill, e Mark Bini, um procurador federal, terão rejeitado tecer declarações nesse dia 21 de Julho no final da audiência.

Pearse é um dos três antigos directores do Credit Suisse acusados pelas autoridades norte-americanas pelo seu envolvimento na fraude. Pearse confessou ter participado numa conspiração para defraudar investidores em vários empréstimos, incluindo um empréstimo de 500 milhões de dólares do Credit Suisse para a EMATUM, em 2013 (após o envolvimento do VTB o valor do empréstimo da EMATUM subiu para 850 milhões de dólares). Antes e depois de trabalhar no Credit Suisse, disse Pearse, “a Privinvest, com o conhecimento de seu executivo Jean Boustani, Iskandar Safa e Najib Allam (director financeiro da Privinvest), transferiram milhões de dólares em comissões ilegais de receitas e pagamentos ilegais pela minha ajuda na obtenção de empréstimos concedidos pelo Credit Suisse”. ”Eu concordei em aceitar o dinheiro, sabendo que era produto de actividade ilegal', disse ele. “Eu tomei essas acções para o meu enriquecimento e dos meus co-conspiradores e para beneficiar o Credit Suisse, que obteve lucros substanciais com os empréstimos concedidos à ProIndicus e EMATUM, nos quais estava envolvido”. Como director do Credit Suisse Securities Europe, Pearse liderou a equipa que organizou um empréstimo no valor de 372 milhões de dólares para a ProIndicus, em Fevereiro de 2013. Ele disse que Boustani “ofereceu-se para me pagar metade do valor pelo qual eu, juntamente com outros, reduzi a taxa de subvenção a ser paga pela Privinvest em conexão com o empréstimo”. Aceitei a oferta de Boustani, acrescentou Pearse, os meus esforços foram bem sucedidos para reduzir as taxas pagas pela Privinvest e recebi pagamentos por transferência telegráfica em uma conta bancária que abri nos Emirados Árabes Unidos com a ajuda de funcionários da Privinvest. Safa estava a par do meu acordo com Boustani. Em Março de 2013, “acordei com Safa e Boustani que eu haveria de receber uma percentagem de quaisquer outros empréstimos da ProIndicus que a Privinvest tivesse recebido após o empréstimo inicial de 372 milhões de dólares”, disse Pearse. “Mais tarde, firmei acordos semelhantes com Safa e Boustani para receber uma percentagem dos valores do empréstimo das transacções da EMATUM e do MAM, enquanto trabalhava como director da Palomar Holdings, empresa onde a Privinvest Shipbuilding Investments possui uma participação de dois terços”. “A entidade Privinvest e/ou Palomar Holdings transferiram electronicamente para a minha conta nos Emirados Árabes Unidos milhões de dólares em conexão com as transacções moçambicanas”, acrescentou. Pearse disse que sabia que outro banqueiro do Credit Suisse, Surjan Singh, “estava sendo secretamente pago pela Privinvest para ajudar na conspiração. Especificamente, em Setembro e Outubro de 2013, fiz dois pagamentos de um milhão de dólares cada para Singh. Os pagamentos, que vieram de fundos que recebi da Privinvest, foram em troca da ajuda de Singh na redução da taxa de subvenção da ProIndicus e para garantir a aprovação do crédito EMATUM pelo Credit Suisse”. Pearse explicou que ajudou “no estabelecimento de um acordo entre Singh e Boustani, do qual Safa estava a par, pelo qual Singh recebeu pagamentos no total de 4,4 milhões de dólares para facilitar a aprovação do crédito EMATUM pelo Credit Suisse”. Pearse também disse ao juiz que, depois de deixar o Credit Suisse, Boustani disse-lhe que a Privinvest havia pago ao filho do então Presidente moçambicano, Armando Guebuza, pelo menos 50 milhões de dólares.o antigo banqueiro foi restituído à liberdade mediante pagamento de fiança, no valor de 2,5 milhões de dólares e autorizado a regressar à sua casa na Grã-Bretanha, onde possui uma residência, orçada em dois milhões de dólares. Pearse está sendo monitorado electronicamente desde e se reporta aos agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) uma vez por semana.


A vez de Surjan Singh


Na semana antepassada o antigo diretor no Credit Suisse Global Financing Group Surjan Singh deu-se como culpado de conspirar para “lavar dinheiro” no caso das dívidas ocultas de Moçambique. De acordo com documento ‘Causa Criminal para Declaração’, da Justiça de Nova York Surjan Singh está livre sob fiança e deu-se como culpado na quarta acusação, de conspiração para cometer o crime de lavagem de dinheiro.

Na audiência, Singh admitiu ter recebido “milhões de dólares de comissões ilegais”, mas não especificou o montante que permitiu a sua facilitação do empréstimo do Credit Suisse a Moçambique. Contudo, o juiz William Francis Kuntz disse-lhe que enfrenta a confiscação de 5,7 milhões de dólares, facto que Singh reconheceu. Singh está em liberdade sob fiança e teve permissão para regressar a Londres, onde mora, devendo comparecer ao tribunal sempre que solicitado. O acordo entre ele e o tribunal está selado. Singh é o terceiro ex-funcionário do Credit Suisse a aceitar a culpa na lavagem de dinheiro, depois da búlgara Detelina Subeva e do neo-zelandês Andrew Pearse. Os três, em conluio com Jean Boustani, da empresa naval Prinvivest, de Abu Dabi, e altos funcionários do Governo moçambicano beneficiaram de mais 200 milhões de dólares desviados de empréstimos feitos para alegadamente para a pesca de atum e protecção costeira. Da parte moçambicana, o acusado mais mediático é Manuel Chang, ex-ministro das Finanças e deputado, detido na África do Sul, a pedido dos Estados Unidos e que aguarda a sua extradição para o Moçambique ou Estados Unidos. A próxima audição para a decisão da extradição de Chang será a 16 de Outubro.


Da "Dor" dos americanos


Neste mediatico caso da monumental fraude a dor das autoridades americanas reside no facto de como os bancos norte-americanos foram usados, para canalizar subornos e comissões, e porque parte da dívida fraudulenta foi vendida a investidores americanos, as autoridades dos EUA evocam, que os crimes foram cometidos na sua jurisdição. Na acusação dos EUA (com mais de um milhão de páginas de transcrições de telefonemas, e-mails e documentos financeiros) são apontados os três ex-banqueiros do Credit Suisse (Pearse, Detevina Subeva e Surjan Singh), Jean Boustani, um vendedor sénior da empresa Privinvest, com sede em Abu Dhabi, que se tornou o único empreiteiro para as três empresas moçambicanas, e o ex-ministro moçambicano das finanças, Manuel Chang. Boustani está preso em Nova Iorque, onde negou todas as acusações. Chang está sob custódia policial em Joanesburgo, África do Sul, tentando evitar a sua extradição para os EUA. Os outros Téo Nhangumele e Rosário também estão detidos em Moçambique.

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