Ora viva Camarada Presidente!


Por Luis Nhachote


Deu-me, vislumbrando os meus filhos nas suas quezílias domésticas, uma vontade indiscritível de escrever uma missiva ao camarada Presidente Filipe Jacinto Nyusi. Vai, excelência, perdoar-me pela ousadia, mas trata-se duma mania da qual não me consigo livrar já lá vão 18 anos. Explico-lhe: no esplendor da minha juventude, imbuído duma cidadania quiçá mais vibrante, escrevi 40 cartas ao então Presidente Joaquim Chissano. Na época, de sectores próximos do nosso arauto do “deixa-andar”, recebi vários epítetos, tais como “reacionário” e “confuso” e outros mimos que é frequente, nesta república, serem usados pelos beija-mão que gravitam ao redor do Presidente baptizaram todo aquele que não se curva ao vergonhoso e repugnante de ver maravilhas onde muitas vezes só há desastres. Compreendi a meio das missivas que o “cliente número UM” dos nossos serviços secretos de então sabia pelos seus canais, que as minhas inqueitações expedidas às sextas-feiras, chegavam ao seu sector de trabalho, por fax ou email, através do pioneiro da nossa liberdade de imprensa e expressão no pluralismo democrático: O MEDIAFAX

Essa explicação longa é uma advertência e ao mesmo uma declaração de intenções. É que deu-me, vendo as torrentes de genuflexão que lhe são dirigidas, uma assomo de rebeldia é uma incontornável vontade de dizer-lhe o que não lhe dizem.

Sabe camarada chefe, sei que é assim que gosta de ser tratado, os moçambicanos vivem numa situação de total indefinição e incertezas por conta duma multiplicidade de factores, que vão deste os naturais até aos que são movidos pela ganância e descaso humano (vide ciclones IDAI e Kenneth e as famigeradas dívidas ocultas).

A maldita guerra movida por interreses escusos contra as gentes simpáticas de Cabo Delgado, é outro mal neste mar de indefinições e incertezas. Noutro dia, por alturas da inauguração de uma filial do Instituto Nacional de Segurança Social, na Catembe, o camarada Presidente é citado a dizer que “...*_nos matamos por causa do gás”*

As medidas tomadas por causa dessa menção, terão levado os serviços do “cliente número UM”, que é V. Excia, a vincular-se à “união de facto” com o Ruanda de Paul Kagame, mesmo que para isso os coros estridentes dos refugiados ruandeses e da SADC ficassem roucos (Até o tapete vermelho foi para Kagame, enquanto V.Excia caminhava pelo asfalto da nossa insignificância enquanto seus patrões!!! Caramba...e zwetiti do Protocolo).

É para isso, penso que devem existir os Serviços de Inteligência. Um Estado que se preze, tem que ter a sua intregridade territorial inviolavél. Ou então ter sob seu controlo os seus bandidos que os existem em todas as latitudes, prontos a olearem os sistemas e a capturá-los.

Se a “união de facto” com Paulo Kagame com “amadrinhamento” da rabujenta SADC esconde outros interreses que não sejam de “AMOR”, como nos ensinava Jesus Cristo no seu ministério, então deixemos o tempo se encarregar da sentença ao ritmo da sua unidade temporal ao ritmo do Tic-tac.

É que no mundo actual, mesmo com altos e destacados quadros ao serviço de qualquer que seja o “cliente número UM”, os segredos acabarão por ser revelados. Por leaks de documentos ou audios como tem sido apanâgio na casa dos libertadores que agora precisam de apoio para libertar Cabo Delgado. São os tempos das tecnologias, meu caro Presidente

Numa quimica talvez comparada com os tempos do pão para os circenses, meu camarada Presidente, a sociedade entre tantos afazeres busca incessasentemete por uma bussóla que lhe indique o seu rumo, anda entretida com o julgamento das dívidas ocultas. Não é caso para menos: a nossa fotografia mais feia foi exibida no concerto das nações como caloteiros. Tratam-se de 2.2 biliões de dolares que foram pedidos em nosso nome colectivo.

Uma franquia de moçambicanos com quem debato o país anda impressionada, sobretudo depois de assistir na produção de prova, que os cambistas do nosso formal e informal, nunca mencionadas na planilha de subornos da famigerada Privivest (diz-se que a PGR rastreou e bem aquela mola), também estiveram no amago da contratação dos empréstimos a troco de garantias soberenas.

Não fosse a nossa zelosa PGR, como iriamos saber que o cambista que lhe foi passado um cheque de 875 mil e isso foi razão para o seu encarceramento?

Como iriamos saber camarada Presidente e “cliente número UM” dos nossos serviços de segurança que tem o dever de o proteger como nosso símbolo? Só mesmo com a PGR que conduziu o processo e o julgamento já esta a mostrar de uma vez por todas, a esses doadores que cá se faz justiça e que devem liberar de uma vez por todas esse mola bloqueada para o massageamento oleoso do funcionalismo público. O gás ha-de vir....para pagar...  

Camarada Presidente, a troca de mimos entre o juiz Efigénio Baptista e os principais servidores do então “cliente número UM” é assunto para, querendo, o Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) consiga a façanha de explicar ao juiz que circo é circo e “a história é uma ficção controlada” como o bem disse e escreveu a Agustina Bessa Luís.

A racionalidade ao alcance de mentes que procuram pensar continua a fazer a aritimetrica do obtido pela gang 19 e da soma total daquilo que é sabido. Em cálculos simples camarada presidente, a parte do massageamento de Teofilo, Ndambi, Bruno, Angela, Mutota, Renato, Ines, Mbanda, Khensaujee e Cia é muito pequenina.

Podem ate nos provar que Iskandar Safa e Boustani levaram a grande fatia, mas precisariamos de fazer o processo de reversão de idades para que a memória não conflitue com o esquecimento.

Camarada presidente, um precedente já foi aberto. Ainda bem que tenha sido assim pois o futuro ainda é uma incógnita. Não poderá e deverá ser novidade se o actual “cliente numero UM” daqueles indespensavéis serviços, tenha tambem de um dia passar por uma cena como as dos dias correntes. Dizem que a historia repete-se, a primeira vez como tragédia e a segunda como uma farsa. Uria Simango fundou a FRELIMO, REZOU por ELA, virou REACIONARIO e foi FUZILADO.

Assim que for lavrada a sentença, pode ser que o camarada presidente, mande instalar a necessária sindicancia, sobre como foram usados os 10 milhões de dolares, que a proactiva Privinvest tambem bafejou a nossa Frelimo, para além de alguns individuais ora conhecidos.

Quem sabe se apartir dai não faça sentido falarmos do assobiado terceiro mandato .....depois de apresentados os resultados de uma investigação mais ampla da Procuradoria Geral da República, que mais uma vez, no ambito da sua boa vontade não pode ir mais do que deve.

Ate lá, a luta continua camarada Presidente.

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