O tempo e o legado de JES*


O legado dos Presidentes, um pouco por todo o mundo, não se mede apenas no momento em que deixam o mundo dos vivos, mas acaba sempre por ser valorizado à medida que os anos ajudam a redescobrir dimensões que se revelam e se perpetuam no tempo. Sabemos todos do valor e da dimensão do legado do antigo Chefe de Estado, expresso na circunstância actual de dor e luto pelo seu passamento, quer por nacionais, quer por estrangeiros e quer ainda por instituições internacionais. Os mais de cinquenta anos de serviço público dedicado à pátria espelham bem o que deixou José Eduardo dos Santos, razão pela qual variadas vozes não cessam de defender o estudo e a preservação desta importante trajectória. A versatilidade da sua vida e obra, a começar pelas lides desportivas em que, segundo contemporâneos, foi um homem dedicado, passando pela épica fuga para aderir à guerrilha, tendo sido escolhido para a frequência do curso de Engenharia de Petróleos na ex- -União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, apenas para mencionar estas etapas, vale apreciação e exaltação. Ao lhe ser confiada a importante pasta das Relações Exteriores, José Eduardo dos Santos, como regista a História, foi instrumental no reconhecimento e adesão de Angola na então Organização da Unidade Africana, actual União Africana. Foi igualmente decisivo na entrada de Angola como Estado membro de pleno direito das Nações Unidas, realidade efectivada em Fevereiro de 1976, numa altura muito difícil para Angola que era na altura, seguramente, o mais "novo membro" da maior organização do mundo. Quando assumiu a chefia do Governo, no dia 21 de Setembro de 1979, na sequência da inesperada morte do Primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, carregava já consigo anos de experiência e "savoir-faire" que o levou a dirigir o então Estado ainda nascente com os resultados que testemunhamos. Mostrou-se sempre para resolver os problemas na mesma senda consubstanciada no famoso slogan de Neto, e ainda bem que o fez sempre em nome dos superiores interesses de Angola. Contrariamente à ideia de que já se conhece toda a dimensão dos feitos de José Eduardo dos Santos, vale reconhecer que muito ainda estará por se mensurar e nos certificarmos da grandeza em torno da vida e trajectória do antigo Presidente da República. Acreditamos que grande parte do legado do ex-Presidente José Eduardo dos Santos apenas o tempo poderá, com maior precisão, avaliar e valorizar da mesma maneira como ocorrem com os líderes históricos. O desafio que prevalece, doravante, para as instituições e pessoas passa pelo ensinamento dos feitos, que não são poucos, do ex-Presidente, e que importa que sejam transmitidos às gerações actuais e vindouras. Pensamos que existe essa necessidade, interesse e vontade de preservar o legado de JES, as iniciais com as quais era também chamado o antigo Presidente, e permitir que tempo venha a valorizá-lo mais ainda. Não temos a menor dúvida de que o tempo ajudará a valorizar o legado de José Eduardo dos Santos, para o bem da História recente de Angola. *In Jornal Angola

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