O paradoxo de Filipe Nyusi


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Por Luis Nhachote


Ontem, os dois principais diários, o “Noticias” e o “País” deram estampa nas suas publicações, a figura do Presidente da República, Filipe Nyusi, após o seu término da sua visita de trabalho a provincia da Zambézia!

O “Noticias” titulava: “PR rispido contra a corrupção” e “O País” por seu turno chapava: “Corrupção na Zambézia aborrece Nyusi”!

Não deixa de ser curioso que Filipe Nyusi elenque o discurso anti-corrupção, as portas das eleições que se seguirão em Outubro e ele é candidato à sua própria sucessão. A corrupção é um assunto candente na mesa dos moçambicanos e nos últimos tempos até menores nos jardins de infância entabulam prosas sobre “as dividas ocultas” com uma propriedade de fazer inveja a qualquer adulto que não esteja familiarizado com o calote.

Como se sabe, essas dividas que asfixiaram os mais asfixiados e engordaram a gorduchos pré-consagrados no oficio do calote, foram o Leit Motiv de um esquema disfarçado em “modus soberano” de corrupção.

A ladainha de Filipe Nyusi não é nova. Começou justamente no dia da sua entronização no poder no dia 15 de Janeiro de 2015 na Praça da Independência que disse, e passo a citar, ipsis verbis um interresante trecho do seu discurso inaugural:

“Tomaremos, sem condescendência, medidas de responsabilização contra a má conduta e actos de corrupção, favoritismo, nepotismo e clientelismo praticados por dirigentes, funcionários ou agentes do Estado em todos os escalões”


De acordo com as manchetes dos jornais acima referidos, o Presidente da República, afirmou a plenos pulmões haver manifestações de corrupção generalizada, sobretudo na Saúde, Polícia, Educação, Construção Civil e na Cobrança de impostos que lesam ao Estado.

Na sua procissão discursiva o PR terá ainda afirmado - fazendo fé aos jornais - que aqueles que se escondem na imagem da Frelimo para desviar fundos publicos acabarão por responder pelos seus actos.

No discurso de 15 de Janeiro de 2015, nas suas 14 páginas, a palavra corrupção está mencionada duas vezes, e agora passamos a citar a última:

“Esse Governo terá que ser intolerante para com a corrupção.”

A corrupção que deixou o PR “Rispido:” e “Aborrecido” começou justamente dentro do seu governo na aurora do seu atribulado consulado.

A 27 de Março de 2016, exonerou Abdurremane Lino de Almeida do cargo de Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos por este ter pernoitado à luz do dias com práticas corruptas. Para situar os leitores, contamos a pequena história: Abdurremane Lino de Almeida, então ministro, queria ir em peregrinação à Mecca com amigos seus, e para conseguir os seus intentos através do Ofício N.° 217/ SP-MJCR/2015 de 1 de Se­tembro, mandou retirar 44.487 dólares dos fundos públicos.

Os amigos que Lino de Almeida convidou para irem consigo à Meca são Amis­se Baquile, proveniente de Cabo Delgado, Adelino Pinar e Ibraimo Selemane, estes últimos de Nampula. Os fundos para essa emprei­tada privada foram re­tirados do Cofre dos Regis­tos e Notariados de acordo com à acusação. E Abdurremane Lino de Almeida acabou por ir se sentar no banco dos réus devido a acção movida pelo Gabinete Central de Combate a Corrupção (GCCC) e foi condenado no dia 12 de Julho de 2017 a dois anos de prisão por crimes de abuso de cargo e de funções e pagamento indevido a pessoas sem qualquer vínculo com o Estado.

E Nyusi ainda estava no primeiro ano do seu mandato....

Imagine-se o que terá acontecido dai a visita à Zambézia.

Mais do que ladainhas discursivas, o que Filipe Nyusi fez durante estes anos para deter a corrupção e seus rostos que até coabitaram com ele em reuniões do Conselho de Ministros? Nyusi é capaz e não combate? Combate mais ela (a corrupção) não acaba?

Ou ele teme fazer a purificação de fileiras na Frelimo, onde parece que para alguns basta exibir o cartão de membro (e agora roupas de Xiguiane), e sentir-se excluido?

Eis o paradoxo de Filipe Nyusi!

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