• estaciosvaloi

O número 110: ligar pra escutar música ou ter auxílio !



Por: Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.

A COVID-19 está a revelar bastante coisa que por muito tempo ficou debaixo dos tapetes.

Ao aproximarmos um ano desde que tivemos primeiros casos em Moçambique, a pandemia está sendo um bicho-de-sete-cabeças para gerir e está a dividir as pessoas: entre irmãos, entre amigos, entre colegas e acima de tudo entre as autoridades da saúde e pacientes de COVID-19.


Porque estou a acompanhar de perto alguns casos de abandono, tenho voz para um pedido de esclarecimento, um pedido de socorro e um pedido de seriedade por parte daqueles que sugeriram o número 110.


À princípio ao abrir-se a linha do cliente, do paciente ou utente, deve ser criada as condições para o atendimento a todo aquele que procurar esclarecimento ou acompanhamento.

Qualquer empresa séria busca formas de interagir com os utentes como forma de colher resultados positivos.


A preocupação maior neste tempo da pandemia deveria ser a prevenção e impedir que os infectados sejam factores de mais contaminações.

Entretanto, ao deixar-se que cada um se salva do seu jeito, estamos a declarar uma derrota pois nem todos têm condições de observar todas as medidas por várias razões como ignorância ou incapacidade intelectual, pobreza ou outro factor.

O que provoca ao autor escrever esta crónica é o caso de abandono a sorte os pacientes de COVID-19.


1. Falta de interesse para se fazer teste

Eu pensava que todo aquele que tivesse sintomas de COVID-19 teria seu teste pronto bastasse se apresentar no hospital indicado. Porém, o que verificamos é falta de uma equipa que acompanha caso por caso para que haja teste e se encontre o resultado o mais rápido possível. Isso impediria a propagação da COVID-19.

Na realidade, quem estiver doente deve correr atrás dos meios para saber sua situação de saúde. Apesar de terem sido criadas condições para isso, na prática ninguém está interessado em ver os outros a fazer testes e consequentemente a evitar o pior.


2. Rastreio e isolamento

Após os testes de COVID-19, deveria haver uma equipa de rastreio para que em caso de um testar positivo se conheça onde passou e com quem esteve nos últimos 3 ou 4 dias.

Em caso de constatação, o isolamento seria obrigatório para que o infectado não passe para outras pessoas.

Esse trabalho só é possível com a colaboração de todos e principalmente a força e vontade das autoridades de saúde.


3. Assistência médica e alimentar

Não basta, por exemplo, saber que a pessoa tem COVID-19, está isolada e cumpre com as orientações, deve haver uma equipa médica que encontre os pacientes e cuide conforme as exigências da própria doença.

Deve se criar uma equipa capaz de tratar para curar os pacientes.

Porque muitas pessoas não têm emprego devido ao mesmo coronavírus, a equipa da saúde deveria ser parte de uma equipa multissectorial que controlasse as condições económicas de cada paciente. Ou seja, deveria haver certeza que o enfermo têm condições de se alimentar bem e ter bom repouso.

Pode parecer utopia demais, no entanto, esse tipo de acompanhamento diminuiria o número de óbitos por COVID-19.


5. Seriedade

Podemos brincar com tudo menos com essa COVID-19 porque ela não quer saber se somos sérios ou fazemos os outros de palhaços.

Não quer atender os pacientes de COVID-19, não quer que tenham esperança, então não faça uma publicidade enganosa enviando em mensagens aos que testam positivo o número de contacto, o tal 110 que nunca existiu e somente toca para ouvir uma música de irritação.

Não adiante colocar o 110, pago e justificado de que usaram dinheiro para criar linha do paciente ou utente se ninguém está nem aí para socorrer o irmão e a irmã.


A propósito, se ao ligar o 110 e alguém atender, eu mando um abraço e agradecimento pelo sinal de fraternidade e Moçambicanidade.

É urgente que haja seriedade da mesma forma que apelamos a todos para usarem máscaras, evitar as aglomerações, verificar o distanciamento social e observar a higienização.


Que se crie uma equipa que na hora de atender a pessoa que testou positivo encontre orientações práticas para que ninguém morra de desespero.

O abandono é sinal de derrota. Mas a luta continua e deve ser com garra para que os mais vulneráveis sobrevivam.


O abandono pode nos levar a questionar onde deixaram o dinheiro solicitado para o combate a COVID-19 e a intensificação de todas medidas para que o sistema nacional da saúde não entre em colapso.


Queremos que o 110 chame, mas que haja alguém que atenda e oriente o que deve ser feito por todos os infectados por COVID-19.

Não é suficiente saber que testou positivo mas é necessário saber os passos seguintes para que o pior não aconteça.

Deve haver rastreio das pessoas com sintomas e os vulneráveis.

Deve haver o espírito humano para vencermos a luta.


Tu que estás aí, se cuide, observa as orientações e se possível fique em casa. Saia somente por uma necessidade urgente.

Tu que podes fazer algo para ajudar aos pacientes de COVID-19, se entregue em espírito e alma para o bem dos teus concidadãos.

Vamos juntos nos unir para vencer a COVID-19.


34 visualizações0 comentário