O Meu desabafo


Por Nazira Suleimane


A seis dias para as eleições 2019, a incerteza é a única certeza que tenho sobre meu voto. Esperei ao longo destes dias, ver alguns anseios meus revistos nos manifestos eleitorais e nada aconteceu ou melhor, continuo mais decidido pelo voto em branco. Ao longo destes 39 dias de campanha ouvi um pouco de tudo, passo desde já a citar: "vamos acabar com a corrupção, vamos dar emprego a todos, vamos reduzir o IVA, vamos garantir que população local beneficie do dinheiro que virá do gás e outros recursos. " Se fosse há alguns anos estes trechos passar-me-iam de forma despercebida e iria à urna votar em quem me desse na telha mas a telenovela cheia de emoções vivida nos últimos cinco anos cria em mim um pouco de consciência isto sem contar o quão utópico parecem algumas promessas. Ora, a experiência já provou que maior parte das promessas eleitorais não passam de promessas mas vejam que desta vez, nem pelas promessas fui conquistado. Me pergunto se serei o única? É no mínimo desolador ouvir um partido que esteve no poder cinco anos e envolvido no maior escândalo financeiro do país, que colocou Moçambique em manchetes internacionais, prometer acabar com a corrupção sem nenhum plano concreto...é no mínimo perturbador e deveria ter uma crença enorme para levar fé nisso... Penso que nunca na história do país houve tantos directores, ex. ministros, diplomatas processados ou a ver ao sol aos quadrados por causa da corrupção que hoje se promete combater só com palavras. A oposição seria a posição certa mas nunca senti uma oposição tão sem rumo e sem "inspirar confiança". Olha que depois de mais um Acordo de Paz assinado com um novo líder urge das matas uma nova força que não se revê nessa liderança. Das matas de Gorongosa, nasce um novo general que diz em alto e bom tom que ninguém nasce presidente e que aprenderá sendo um. Por outro lado, vimos há quase um ano importantes nomes abandonarem um partido para outro, pela alegada falta de democracia que levaram anos para perceber que não tinham. Como resultado surgiram nomes nunca antes ouvidos e que permitam dizer, não irei confiar o meu voto. Surgiu ainda uma nova força que ouvi só uma fez e que disse em seu manifesto pretender acabar com as matas do país. Continuo me perguntando se foi isso mesmo que ouvi como um plano para governar um país que passou nos últimos tempos para piores níveis de corrupção, índice de desenvolvimento humano, para não entrar em detalhes sobre aumento da pobreza e outros factores.

Vejo um futuro sombrio para a terra que viu Samora nascer. Não sei quanto a vocês irmãos, mas para mim há ainda um longo trabalho por se fazer para garantir uma governação séria. Termino este texto dizendo que não é nenhum texto de cunho analítico, perdoem-me os académicos. É só um desabafo de uma cidadã que se sente, desculpem a expressão, na merda e não vê uma luz ao fim do dia 15 de Outubro. Ainda tenho a esperança de ouvir algo de jeito nos próximos dias e talvez o dedo pintado seja indicativo de uma escolha e não de indecisão.

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