O Caso das Dívidas Ocultas e a Sucessão na FRELIMO


Por Salvador Mavonde*


Para os que tiverem memória fresca, certamente lembrar-se-ão das conclusões do Relatório de Auditoria da KROLL, feito às famigeradas dívidas ocultas. Uma das coisas mais notáveis do relatório é a lista das pessoas envolvidas na contratação das dívidas ocultas e o grau de envolvimento da cada uma delas. A cada pessoa envolvida foi atribuída uma letra do alfabeto, e foram tratadas por “Indivíduos”, de modo a ocultar a sua real identidade. É aquí onde começa o jogo de ocultação e distorção da verdade.


Após a publicação do Relatório Executivo da KROLL, o CIP (Centro de Integridade Pública) no seu Newsletter de 26 de Junho de 2017, vaticinou que “… o relatório fornecia elementos bastantes para a responsabilização criminal dos implicados neste que é o maior escândalo financeiro de Moçambique …”. A lista dos implicados compilada pela KROLL não incluía a maioria das pessoas actualmente detidas em conexão com as dívidas ocultas. Bem dito, de todos os detidos somente há dois nomes de pessoas implicadas referidas no Relatório da KROLL. A pergunta que todo o mundo nunca fez é: PORQUÊ? Porquê a PGR foi implicar e deter pessoas que não assinaram documentos, não deram parecer e muito menos aprovaram as dividas ocultas? Porque deixou todos os implicados de fora e foi deter os não implicados?

É na resposta a essa pergunta onde se encontra o “racional” de todo o jogo politico à volta da sucessão dentro do Partido FRELIMO.

As pessoas actualmente presas em conexão com as dívidas ocultas foram selecionadas por se acreditar que tinham vínculos e afinidades com o antigo Presidente da República Armando Guebuza, e que por meio delas, poder-se-ia chegar a descortinar o envolvimento de Guebuza neste processo, o que conduziria à sua detenção. Com Armando Guebuza detido e fragilizado, o jogo de sucessão dentro da FRELIMO aconteceria sem a ala deste imbondeiro e hábil politico. O peso da sua influência deixaria de existir, deixando-se assim o caminho totalmente aberto para as manipulações da dupla Filipe Nyusi/Celso Correia. É assim como deve ser visto este “grande teatro” das dividas ocultas.

Na execução do plano maquiavélico, os manipuladores fizeram as primeiras detenções no âmbito do processo 1/PGR/2015. Para o espanto e discredito de todos, foram prender o primogênito da Maria da Luz Daí Guebuza com Armando Guebuza, de nome Ndambi Guebuza, e a sua entourage, com o único objectivo de fragilizar e distrair Armando Guebuza do jogo politico de sucessão no seio da Frelimo.

Não tendo atingido os objectivo preconizados com a detenção de Ndambi Guebuza e sua entourage, com efeito, a PGR lançou uma incursão para deter Armando Guebuza que veio a fracassar, porquanto Guebuza recorreu a apoios no seio do Partido e do Conselho do Estado para contrariar e debelar o plano. Camaradas como Mariano Matsinhe e Eduardo Nihia posicionaram-se contra a ida de Guebuza à PGR para ser ouvido em Autos de Declaração, o que marcou um inequívoco sinal de apoio incondicional a um camarada veterano da luta de libertação.


Há uma prevalecente crença no seio dos conspiradores e manipuladores de que mantendo o filho de Guebuza preso irão limitar a capacidade de Guebuza fazer o “jogo de cintura” para reverter o jogo de sucessão dentro do Partido Frelimo. Uma vez que falharam implicar e prendê-lo, não consideram, nem de longe, a hipótese de soltar o filho, pois isso galvanizaria o pai. Para lograrem esse objectivo recorrem a todas as artimanhas e jogadas legais possíveis, incluindo a violação das leis e da Constituição da República. É na prossecução deste objectivo que até propões alterações aberrantes ao Código Penal vigente para conseguir que, uma vez pronunciados, o Ndambi Guebuza e sua entourage das dividas ocultas permaneçam detidos indefinidamente, até que os manipuladores e conspiradores consigam indicar o sucessor da sua preferência para os próximos pleitos eleitorais. Não é mera coincidência que, a dado passo, a fundamentação da Revisão do Código Penal diz “Assim, porque a pronúncia, em primeira instância, confirma. A existência de prova indiciária forte, não apenas da ocorrência do crime, como da sua imputação a determinados agentes, justifica-se que a prisão preventiva seja mantida [indefinitamente] até ao julgamento.”


Será que os camaradas percebem o jogo que está sendo jogado por Celso Correia nas costas de Filipe Nyusi? Certamente, quase todos percebem mas o mesmo dinheiro que Judas Iscariotes recebeu para trair a Jesus Cristo continua produzindo os mesmos efeitos na mente de alguns camaradas. Outros traiem os ideais da revolução porque foram prometidos posições de destaque no novo establishment. Outros traiem, porque são coagidos a respeitar a disciplina partidária, ou por outra, respeitar a voz de comando dos chefes actuais, sob risco de receber pesadas represálias caso não acatem as ordens superiores.


Tal como aconteceu no Tribunal de Nuremberg que julgou os criminosos de guerra Nazis, Independentemente daquilo que pesou para optar por um determinado posicionamento, cada um terá de responder perante o destino qual é que foi o seu papel para evitar que as coisas tivessem tomado o rumo que tomaram. Ninguém deverá dizer que fiz vista grossa porque tinha receio de perder o meu mandato da assembleia da república, ou a minha posição como Ministro, ou como director geral disto ou daquilo. Todos somos chamados a agir em prol do bem comum e da justiça para todos.


Por isso, este é o momento para cada um pôr a mão na consciência e fazer o que está certo para o bem de Moçambique e da FRELIMO. Os manipuladores e conspiradores devem ser travados!



*Militante e membro da FRELIMO









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