O Acto de contrição de um presidente sob testemunho dos seus antecessores


Por Luis Nhachote

Da visita Papal ainda haverá muitos entretantos por se contar. Alguns já começaram a ser elencados como, por exemplo, as viaturas das marcas Daewoo e Toyota que transportaram o primeiro Jesuíta e latino americano, no posto sob domínio dos “guardiães da fé” do velho continente.

Para sociedades habituadas a verem um chefe de Estado – o Papa o é pelo Estado do Vaticano – ser transportado em Dubaizinhos sem expressão, sem lugar nos Procurements dos Mercedes, foi de certa forma uma chapada de luvas brancas aos shows de opulência que têm sido exibidos por regimes “legítimados” pela expresão do voto popular. Ainda que o voto seja distorcido, manipulado, roubado e omitido....em “eleições livres, justas e transparentes”!!!

Na audiência concedida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi ao Papa Francisco, seu anfitrião no Palácio da Ponta Vermelha (Ali.. onde pavoneiam os Pavões), foi interessante ouvir o discurso de Filipe Nyusi, qual acto de contrição, sobre as crises político-militares que têm assolado o país e, agora já pariram Nhongos que querem ser materialmente abençoados$.

O dinheiro é ou não uma benção? Quem não o quer? O Papa? A Igreja? Os governos? O víl metal é o condutor das economias e esse saber é secular. Só Jesus, de acordo com a bíblia, expulsou os vendilhões do templo.

Na peça televisiva relativa ao encontro, Nyusi disse e registamos:

“Em alguns momentos da nossa História, não fomos capazes de, como família moçambicana, nos mantermos juntos e unidos. Deixamos que as diferenças fossem superdimensionadas, esquecendo aquilo que nos une.

Confesso que vi a peça pela STV e o realizador, às palavras de Filipe Nyusi, direcionou o seu foco aos semblantes de Joaquim Chissano e Armando Guebuza que estavam próximos.

Não é obra do acaso esse apanhado no momento em que Nyusi falava dos “momentos da nossa história” em que “não fomos capazes , como família moçambicana, nos mantermos juntos e unidos”.

A nossa história recente quer queiramos, quer não, esta indélevelemente ligada a esses dois ex-presidentes da República. Pelas melhores e piores razões. Quando “deixamos que as diferenças fosse superdimensionadas” chegaram, em momentos distintos dos consulados Chissanianos e Guebuzianos, o rastilho da paz assinada em Roma, foi substituído pelo pavio da guerra.

Chissano têm a(s) sua(s) quota(s) de culpa, como alguns Guebuzistas e pro-Nyusi vociferam por aquele não ter desarmado a Renamo na totalidade...

Guebuza tem também a(s) sua(s) enormissíma(s) quota(s) parte de culpa, quando em nome do desarmamento da Renamo e da “defesa da soberania” foi enganado pelos “Nhagumeles da vida” e por toda a entourage em seu redor, desde o seu chefe da secreta, assessor político, secretária particular, filho e ...sabe-se lá quem mais.

Aquele momento mágico captado pelo realizador, levou me a cogitar sobre o que pensavam Chissano e Guebuza.

Eles que em 1974, ao final da decáda que pós termo ao jugo colonial, foram ministros do Governo de Transição e depois, igualmente, serventes no primeiro governo do marechal tombado nas fatídicas colinas de Mbuzine, foram testemunhas e actores de vanguarda no encerramento das igrejas e das palhotas seculares. Eram eles, jovens de então, timoneiros da construção do “Homen Novo” antes dos Tudológos!

Nyusi é aquele cristão que esteve no culto de sexta-feira e recebeu a hóstia que lhe foi goela dentro no elefante branco do Zimpeto.

Naquele olhar, de Chissano e Guebuza, parecia residir a vontade de eles poderem também fazerem o acto de contrição que Nyusi teve a oportunidade de fazer.


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