Mocímboa da Praia: Uma vila fantasma


Por: Estacio Valoi


”Mocimboa da Praia que você conhecia esta totalmente destruída. Todos os mercados, lojas, hospital, Escola Secundaria, foram vandalizados” disse-nos em desespero um fonte residente na vilta que vem sendo sistematicamente alvo de ataques terroristas desde 05 de Outubro de 2017. Segundo a fonte, o ataque terrorista do último final de semana, pode ser considerado o mais ‘renhido’ entre as Forcas de Defesa e Segurança e os Terroristas.

“ É verdade. Até numa das minhas casas que salvou (não foi queimada), antes de ontem os militares levaram todos os bens que la estavam. Os bandidos queimaram muito, o Bairro Muenge e 30 de Junho. ”

Sexta-feira ultima os terrorristas que ainda permaneciam nas zonas cercanias do distrito de Mocimboa da Praia deram sequencia aos seus ataques que comecaram no dia 27, mas desta vez , os terrosristas que entraram de motorizadas, carros e barcos optaram por usar uma estrategia diferente, ataques noturnos e com fim nas madrugadas, comecavam as 19h e terminavam as 4h da madrugada. Cercaram toda a vila de Mocimboa da Praia.

“Todas essas motas os bandidos levaram nas casas em Mocimboa. Levaram motorizadas, carros, as camionetas de marca canter e queimaram tres carros. No sabado e domingo os militares também mandaram matar população, havia um alfaiate chamado Jarafe, foi morto com tiro de soldado e o enterro foi no Domingo”

“Os bandidosos bloquearam todas as entradas e saídas que vai a Pemba, outros estavam na estrada que vai para Palma, outros de barco. Atacaram, capturavam muitas meninas e meninos, levaram com eles para o mato.Quinta e e sexta –feira, eles atacavam e saiam. É por isso que muita população em Mocimboa esta a fugir.

Militares e população, juntos puseram se em fuga. “Não houve resposta por parte dos militares, juntamente com a populacao a pé fugiram at’e Awasse onde carro militar recolheu a lhes para Mueda.”

Desta vez as FDS não foram surpreendidas a tiros como no primeiro ataque num terrorismo que já vai faz quase três anos, que causou ate aqui mais de 1000 mortes, cerca de 211.000 refugiados e destruição de várias infra-estruturas.

No ataque dos dias 27 e 28 do mês passado os também chamados insurgentes, segundo fontes no local, “vieram a disparar varias armas, armamento sofisticado e moderno. As FDS desta vez estavam preparadas, responderam, houve uma troca de tiros durante muito tempo. Desde manhã os reforços iam chegando a Mocímboa da Praia de helicópteros vindos de Pemba e outros lugares. Uns desciam com cordas. Desta vez os reforços chegaram a tempo. ”

“As FDS circularam pelos lugares onde ouviram disparos, recolheram corpos dos insurgentes que foram amontoados e queimados. “Meteu-se gasolina.”

Mas o confronto ainda viria a reacender de forma intensa horas mais tarde, pouco depois das 12horas quando os terroristas, na tentativa de surpreender as FDS encetaram o ataque directo ‘tiros contra os homens da marinha a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) outras FDS; os insurgentes puseram-se em fuga, perseguidos de helicópteros, encurralados no Bairro Trinta, entraram em algumas casas onde guardaram suas armas e misturaram-se com a população. “No bairro Trinta a troca de tiros levou muito tempo, terroristas queimaram casas dos macondes, de funcionários públicos e de todas pessoas que não eram locais, raptaram algumas mulheres jovens e crianças.” Disseram fontes militares


Feridos


Ainda no Sábado, dia 27 feridos socorridos do campo de batalha chegavam ao porto de Pemba via marítima de entre eles membros das FDS ligeiramente e gravemente feridos. Eram 12 no total, quatro da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e oito da Marinha. Um dos corpos era de um coronel ou tenente-coronel da marinha, natural de Maputo.

Depois da segunda invasão daquele dia as FDS tiveram informação de que andavam pessoas ligadas aos insurgentes e as medidas tomadas forma invadir a aldeia, houve revista e vasculha em quase todas as casas, forma encontradas armas e sacos de dinheiro


Residentes de Mocimboa


A população a todo custo tentava sair de Mocímboa da Praia por todos os lados, “ fugir, quando ia para aqui ou la, encontrava insurgente.” Enquanto isso os militares actuavam na zona do quartel e ate o Bairro Trinta.” E, queimaram muito no bairro Muenge e Trinta onde vivemos onde a maioria que la vive são Macondes. Nós Mwanis Muçulmanos que vivemos. La em Muende e Trinta existiam duas mesquitas mas quando os bandidos la chegaram queimaram tudo em Muenge e Trinta. Foram os bandidos que queimaram o bairro trinta e não os militares. Talvez os militares tenham queimado os bairros Milmba e Nandota mas Trinta e Muengue foram os bandidos que queimaram.”

Se os militares na sua entrada pelo bairro Trinta encontraram “armas e sacos de dinheiro “ segundo fontes das FDS, antigos residentes do bairro Trinta e outros que sobreviveram e puseram-se em fuga já no fim do Sábado, não puderam ver as armas e sacos de dinheiro. “Não sei. Talvez la em Milamba e Nandota mas não no bairro Trinta. Os que viviam no Bairro Trinta estão todos refugiados, perderam todos os bens, não tem nada, vem com crianças e tudo. Queimaram todas minhas cinco casas.”

Segundo fontes locais, os militares nas suas anteriores buscas casa a casa nos bairros de Milamba, Nanduandua um dia antes do recente combate com os insurgentes, vários actos de violência foram por estes protagonizados contra a população. “ Muitas pessoas outras foram parar no hospital, por isso em resultado dessa vasculha que os militares fizeram os bandidos vieram com muita forca. Foram dois dias seguidos de vasculha e, no terceiro dia de vasculha os bandidos vieram. Porque ali em Milamba muitos são da oposição e muitos filhos que foram ao mato são filhos desses da oposição, a maioria das pessoas nos bairros de Milamba, Nandandua, Nacala.

Dos mortos reportados segundo fontes locais presenciaram a morte de alguns dos seus conhecidos. “ Vimos, sabemos, degolaram um motorista chamado Abuba era motorista do carro do senhor Raimundo Pachinuapa, deputado da FRELIMO- presidente da escola secundaria, também um comerciante de nome Mohamed, Napepa, esses foram mesmos degolados.”

“Também no bairro Trinta também degolaram um velho motorista chamado Nhoca e depois degolaram também toda a sua família, esposa, netos, crianças, seis pessoas da mesma da casa, outro velho que tinha cabritos também foi degolado quando saia do mato.”

Então o que nos estamos a sofrer em Trinta, Muengue. Estamos a sofrer por causa disso. Até aquela segunda vez que entraram no dia 24 quando os (bandidos) estavam nas ruas diziam que da terceira vez iriam queimaram tudo.


Vala (s) comum


A 16 de Março de 2018, depois do Moz24 ter estado em Chitolo poucas horas depois do segundo ataque, o Moz2h foi ouvindo algumas pessoas que reconfirmaram a existência de valas comuns na zona de N’JALMA onde por conseguinte os militares acabavam de entrar para a tal aldeia para onde residentes disseram que alguns residentes do distrito tinham sido levados, enterradas no tal local. De semana passada ate hoje, outras fontes locais disseram ao Moz24h que a dita vala comum esta localizada na aldeia Nantelemule- Localidade de Quelimane, entre M’JALMA, aldeia Unidade

Cidade fantasma a merce dos militares que vão pilhando um pouco de tudo segundo fontes locais “ ‘e verdade, ate numa das minhas casas que salvou (não foi queimada), antes de ontem levaram todos os bens que la estavam. Os bandidos queimaram muito, o Bairro Muenge e 30 de Junho. ” Disse a fonte

Sexta-feira ultima os terroristas que ainda permanecem nas zonas cercanias do distrito de Mocímboa da Praia deram sequência aos seus ataques que começaram no dia 27 mas desta vez optaram por usar uma estratégia diferente, ataques nocturnos e fim nas madrugadas, começo as 19h e termino as 4h da madrugada segundos fontes locais contactadas pelo Mo24h.

Os terroristas entraram via terreste em “ motorizadas, carros e barcos” cercando toda a vila de Mocímboa da Praia, bloquearam todas as entradas ou saídas.

“ Os bandidos fecharam a estrada que vai a Pemba, outros estavam na estrada que vai para Palma, outros de barco, atacaram e capturaram muitas meninas e meninos. Muitos levaram com eles para o mato; Os bandidos vêm sempre de mota. Atacavam e saiam, por isso que muita população em Mocímboa esta a fugir. Todas essas motas as bandidas levaram nas casas em Mocímboa. Levaram motorizadas, carros, as camionetas de marca canter e queimaram três carros. No Sábado e Domingo os militares também mandaram matar população, um alfaiate chamado Jarafe, foi morto com tiro de soldado e o enterro foi no Domingo”

Sem protecção, militares e população juntos puseram se em fuga. “Não houve resposta por parte dos militares, nenhum militar ficou la, juntamente com a população a pé fugiram até Awasse onde carro militar recolheu os militares para o Distrito de Mueda.

Segundo fontes locais, o distrito foi quase todo ou todo destruído. Mocímboa da Praia que você conhecia esta totalmente destruída. Todos os mercados, lojas, hospital, Escola Secundaria, vandalizaram tudo. “

“Toda a população abandonou” deixando Mocímboa da Praia completamente fantasma e cerca de 47 mil refugiados de guerra, índice populacional segundo estatística de 2007, a procura de refúgio em “Pemba, Nampula, Niassa, Montepuez”

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