Mocímboa da Praia: É prematuro o regresso da população ao distrito devastado por terroristas


"É importante que o Governo continue a fazer todos os esforços para prover água, luz e outros serviços básicos", diz especialista em segurança e Renamo aponta para violação da Constituição

CABO DELGADO — As autoridades governamentais em Cabo Delgado, norte de Moçambique, dizem estar para breve o regresso das pessoas que abandonaram a vila de Mocímboa da Praia por causa dos ataques jihadista, mas Egna Sidumo, especialista em assuntos de segurança, diz que ainda é cedo e alerta para uma eventual radicalização das populações. E a Renamo, partido que lidera a oposição, afirma que se o Estado permitir esse regresso, estar-se-à perante uma violação de um dos princípios constitucionais.

“Neste momento, não me parece que existam condições para as pessoas regressarem e puder realizar as suas actividades normalmente, sem que haja uma intervenção prévia, nem que seja uma intervenção de sensibilização e de organização clara do distrito de Mocímboa da Praia, para receber as pessoas,” diz Egna Sidumo.

Sidumo anota que as populações querem e estão dispostas a voltar a qualquer momento, "mas não me parece que seja uma situação tão simples quanto nós possamos imaginar; é importante que o Governo continue a fazer todos os esforços para prover água, luz e outros serviços básicos ao distrito de Mocímboa da Praia e outros que foram atacados".


Violação da Constituição


Além disso, aquela especialista diz ser necessário que o regresso das populações "seja antecedido por um exercício de sensibilização e de pensar em estratégias sobre como é que essas pessoas poderão ser úteis, justamente, para não serem alvos de radicalização e terem uma capacidade própria de fazer denúncias, caso alguma coisa aconteça dentro das suas comunidades".

O porta-voz da Renamo, José Manteigas, diz que o seu partido olha para o possível regresso, em breve, das pessoas a Mocímboa da Praia, com muita preocupação, "porque os focos do terrorismo continuam em Cabo Delgado e, inclusivamente, os terroristas têm tentado retomar algumas posições".

"Isso significa que a situação de segurança, neste momento, não aconselha um regresso breve das populações", diz Manteigas.

O político sublinha que "uma das obrigações do nosso Estado, segundo reza a Constituição, é garantir o bem-estar das populações, e se numa determinada região há falta de segurança e de serviços básicos, significa que devolver as populações numa situação dessas, estamos perante uma violação deste fim fundamental consagrado na Constituição".

A cimeira dos chefes de Estado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que decorre hoje em Lilongwe, no Malawi, vai estender a missão militar em Moçambique, depois da troika ter recomendado ontem a manutenção dos cerca de dois mil soldados no país.

A SAMIM, nas siglas em inglês, tinha previsto o fim da missão para este sábado, mas os chefes de Estado da região dizem que Moçambique precisa de ajuda para erradicar de vez o terrorismo. (VoA)


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