Moçambique quer canalizar gás para metade dos bairros de Maputo até 2030

O Governo moçambicano quer canalizar gás de cozinha para pelo menos metade dos bairros da capital Maputo até 2030, uma alternativa à subida do preço do combustível em Moçambique, anunciou hoje fonte oficial.


© Lusa


"Queremos chegar a mais bairros da cidade de Maputo para que a capital deixe de transportar a botija e tenha o gás canalizado. Ter a metade dos bairros de Maputo com o gás canalizado, até 2030, vai ser a nossa grande satisfação", disse Moisés Paulino, diretor nacional de hidrocarbonetos e combustíveis no Ministério dos Recursos Minerais e Energia (Mireme) de Moçambique.

O responsável falava hoje a jornalistas após uma visita aos bairros em que se está a implementar o projeto em Maputo, avaliado em 30 milhões de meticais (463 mil euros).

Segundo Moisés Paulino, a iniciativa "é uma alternativa que o Governo de Moçambique, sendo produtor de gás, está a oferecer aos moçambicanos" para fazer face ao aumento do preço do gás.

A Autoridade Reguladora de Energia (Arene) de Moçambique anunciou em 01 de julho a terceira subida de preço dos combustíveis deste ano, com o gás de cozinha a subir quase 20%.


O Governo espera distribuir gás canalizado para 200 famílias, este ano, nos bairros 25 de Junho, Coop e Munhuana, em Maputo, havendo outras 100 casas a usar o gás, desde 2021, no bairro do Aeroporto, usado para a fase piloto do projeto.

"Tenho um ano a usar o gás canalizado e é muito económico porque consigo comprar mediante o valor que tenho disponível", referiu Luísa Adolfo, dona de casa e residente no Aeroporto.


Luísa conta que a sua botija de gás, que custava cerca de 850 meticais (13 euros) na altura, não durava um mês, mas com o gás canalizado passou a poupar mais e gasta, por mês, 900 meticais (14 euros).


"O custo de uma botija de gás é maior para o bolso do cidadão comparado ao custo de obtenção a partir deste projeto", frisou Moisés Paulino, referindo que o gás é pré-pago e que não há um preço definido.


As autoridades garantem haver segurança suficiente para evitar explosões, referindo que o gasoduto é posto no mínimo a 90 centímetros de profundidade e que o sistema corta automaticamente o fornecimento de gás e emite um alerta para a central quando deteta uma fuga ou anomalia nas instalações.


Segundo o diretor de hidrocarbonetos, o "grande desafio" do Governo é a massificação da iniciativa para outras regiões do país para "responder ao aumento do custo de vida".

"A tecnologia já está aqui, o grande desafio é fazer com que este gás chegue a mais moçambicanos", frisou.


De acordo com as autoridades, o projeto foi implementado pela primeira vez em Inhambane, havendo cerca de 3.000 ligações feitas nos distritos de Inhassoro e Vilanculos. (NM)

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