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Moçambique pode aceitar intervenção militar da SADC em Cabo Delgado, dizem analistas



Exercícios militares regionais, Lohatla, África do Sul, 2015


Sem segurança, a Total não retoma actividades Alguns analistas dizem que o facto de a situação em Cabo Delgado se ter tornado insustentável, tanto do ponto de vista militar como humanitário, para além de a Total ter deixado claro que se não forem criadas condições de segurança em Palma não há projecto de gás, fará com que Moçambique aceite o plano de intervenção militar da SADC no norte do país.


O assunto principal, na opinião de analistas, que estará em cima da mesa durante a cimeira da Troika da SADC, desta quinta-feira, 27, será o ângulo de intervenção militar que esta organização regional elaborou anteriormente, que não foi discutido ainda, dado ter sido adiado o encontro em que essa análise seria feita.



Relatos dão conta de que esse plano prevê o envio de uma força militar de três mil homens, e questiona-se até que ponto Moçambique poderá aceitar essa proposta.


O analista Fernando Lima diz que Moçambique poderá aceitar essa intervenção, "depois da reunião do Comité Central da Frelimo ter afastado muitas das resistências, para além de que o próprio plano será sujeito algumas modificações de pormenor, mas em geral penso que se encaminha para que Moçambique aceite o apoio da SADC".



Sem opção

A mesma opinião tem o analista Raúl Domingos, que, entretanto, entende que para além da via militar, é preciso também atacar outros aspectos que podem estar a ser explorados pelos jihadistas em Cabo Delgado.

O professor Lourenço do Rosário diz que esta cimeira é bastante importante, tendo em conta que "a estratégia que o terrorismo está a seguir no nordeste de Cabo Delgado é, efectivamente, desertificar o território para permitir a facilitação dos vários tráficos, de drogas, de armas, que têm acontecido naquela província."


Há quem veja esta cimeira como o fim da resistência das autoridades moçambicanas à intervenção militar da SADC no conflito em Cabo Delgado.



Fernando Lima diz que Maputo não tinha outra opção, "porque a situação é insustentável, não há melhorias assinaláveis da situação de segurança em Cabo Delgado e a situação de desastre humanitário é muito preocupante; e, por outro lado, a Total deixou muito claro que se Moçambique não altera o paradigma da segurança em Cabo Delgado não há projecto de gás, e isso aplica-se também para a área 4 onde o líder da exploração é a Exxon Mobil". (VOA)

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