Moçambique pede apoio internacional para os deslocados de guerra de Cabo Delgado


Verónica Macamo, Ministra dos Negócios Estrangeiros


Número de deslocados atinge 800 mil A ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, diz que a crise humanitária, em Cabo Delgado está a assumir, cada vez mais, proporções complexas e pede mais apoios à comunidade internacional para fazer face à situação.


A governante, que falava num encontro, em Maputo, com representantes de missões diplomáticas e de organizações internacionais, alertou para o aumento do número de deslocados, estimando-se neste momento em 800 mil, um aumento em 100 mil, comparativamente ao mês de Março Passado, depois do ataque à vila de Palma.



"Gostaria de reiterar o apelo do Governo da República de Moçambique a todas as missões diplomáticas e organizações internacionais e regionais aqui representadas para nos ajudarem na mobilização de mais apoios, de forma a fazermos face à emergência humanitária que assola Cabo Delgado", disse Verónica Macamo.


Segundo a chefe da diplomacia moçambicana, o aumento do número de deslocados, eleva, consequentemente, as necessidades de assistência às populações, em particular as necessidades alimentares.



"As populações deslocadas abandonaram os seus pertences, campos agrícolas, colheitas e rebanhos para procurar lugares seguros, o que provoca uma situação de emergência humanitária de proporções cada vez mais complexas", frisou Verónica Macamo.


Muito preocupante é como descreve também o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados-ACNUR, que sublinha que para além da falta de alimentos, os deslocados precisam, igualmente, de assistência médica, segundo Juliana Ghazi, daquela agência internacional.


Ele referiu que muitas pessoas "precisam de apoio de agências humanitárias, pelo que é necessário mais financiamento, porque a crise humanitária em Cabo Delgado está a assumir proporções muito graves".



O Observatório do Meio Rural diz que já havia alertado para o agravamento da crise humanitária em Cabo Delgado, e defende ser necessário agir com urgência no sentido de garantir segurança e estabilizar a situação militar, bem como prestar assistência alimentar às populações.


O encontro com o corpo diplomático acreditado em Moçambique foi uma oportunidade para Verónica Macamo tornar claro que para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado Maputo inclina-se mais para a cooperação bilateral e não multilateral.(VOA)

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