Moçambique e Portugal assinam acordo de cooperação na Defesa


Os ministros da Defesa de Moçambique e Portugal assinaram esta segunda-feira, 10 de Maio, um acordo de cooperação para os próximos cinco anos, até 2026.

O acordo foi assinado na manhã de ontem no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, e vai quadruplicar a presença de militares portugueses em território moçambicano e triplicar o volume de investimento.

Portugal compromete-se em formar companhias das Forças Armadas, durante três a quatro meses, num período de três anos.

No final do encontro, os dois governantes consideraram que o novo acordo vai ser um reforço importante para ajudar Moçambique a ultrapassar os ataques de terroristas. "O país está a ser agredido", lembrou o ministro da defesa moçambicano Jaime Bessa Neto.

“Este programa-quadro vai ajudar Moçambique na formação e em outras, como capacitar as nossas forças de segurança, pois o nosso país está a ser agredido pelos terroristas de forças estrangeiras”, sublinhou o ministro moçambicano, lembrando que "até ao momento duas mil pessoas perderam a vida e 800 mil estão deslocadas. O terrorismo está associado a outras coisas, pensamos no tráfico de droga, de órgãos humanos, de crianças e mulheres”.

Este é um projecto importante de formação de forças moçambicanas em Catambe e Chimoio, apresentou o ministro da defesa português João Gomes Cravinho.

Quanto aos locais de trabalho, está previsto que os militares portugueses estarão no sul do país, em Catembe, perto de Maputo e no centro, afirmou o ministro da Defesa português. Em meados de Abril seguiram para Moçambique duas equipas-avançadas para prepararem, no terreno, as acções formativas.

Quanto à situação na província moçambicana de Cabo Delgado, que enfrenta ataques terroristas, o ministro da Defesa defendeu a necessidade de uma "abordagem multifacetada, que não se resolve de um dia para o outro mas no horizonte de um par de anos, começando pela situação securitária porque esta é a base para qualquer desenvolvimento, e prestar socorro humanitário às populações afectadas".

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo terrorista auto-proclamado Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou 2.500 mortes e 714.000 deslocados, de acordo com o governo moçambicano. (RFI)

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