MOÇAMBIQUE DELAPIDADO*


Estamos num momento de confirmação pública da realidade que o país vive desde a independência nacional. A máscara caiu e a fantasia de gente rica começa a ser questionada, pois, as riquezas ostentadas pelos governantes, seus filhos, familiares, amantes e amigos são uma quimera, uma acumulação criminosa de bens e capitais roubados do povo.

Moçambique é sem dúvida, um país dela- pidado desde que alcançou a independência nacional , onde um regime sedento de acumular riquezas, esqueceu-se do seu povo, violentando todos e tudo e deixando a maioria do povo na miséria.

Na verdade, o nosso país sempre teve governantes sonhadores, mentindo ao povo que traziam bons projectos de desenvolvimen- to, quando na verdade o país estava longe

de alcançar qualquer avanço e eles foram desenvolvendo uma política de terra queimada. Abraçaram um perfil de economia deficiente, optaram por políticas erradas, de promiscuidade entre interesses públicos e privados. Criaram políticas de exclusão,

separando moçambicanos em classes, tal e qual faziam os colonialistas no nosso país.

Parte deste governo é o que está assentado na barra do tribunal na B.O, como vimos, a

tentar cobrir o sol com a peneira, deixando claro que estamos numa situação em que

“zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades”. De facto, uma das verdades des-

cobertas é que afinal , dentro do partido delapidador dos recursos do país existe perse-

guição política.

Os mandachuvas desavindos, acusam-se uns aos outros, fogem à verdade com todo

o descaramento, apesar de as evidências de um dos desfalques financeiros ser evidente.

Aliás a pergunta geral dos moçambicanos é sobre o por quê de estarem a julgar apenas

uma parte dos ladrões de dinheiro se na verdade foram muitos envolvidos?

Também é um sentimento geral que os big boss da nomenclatura devem estar presen-

tes no tribunal, como arguidos, porque muitos deles têm seus nomes mencionados na

grande tenda da B.O, como envolvidos no grande calote financeiro.

Certamente, as audições que estão a acontecer na tenda B.O, exibidas como espetá-

culo nas televisões, mostram-nos uma parte desse governo, o peixe pequeno, deixando

de lado os decisores, aqueles que deram os avales para que as dívidas acontecessem.

Naquele julgamento, assistimos muitos figurões que pensam estar acima da Lei e lá desfilam com respostas do tipo, não sei, não me lembro, não quero falar, perguntem o fulano, e repetem sempre a mesma canção que nem dá graça aos que a ouvem de tanto ser repetitiva.

O nosso país encontra-se delapidado economicamente, não só pelas dívidas conhecidas até então, mas também pelas que se encontram na zona de penumbra, contraídas com potências que vão pautar sempre pelo silêncio, até que acabem nossa madeira, recursos marinhos e até minerais, para não falarmos da fauna que está na mira deles ante o silêncio cúmplice do governo moçambicano.

O nosso país está sendo retalhado e os maiores responsáveis dessa desgraça ainda não chegaram na barra do tribunal e nem sabemos se eles lá chegarão de tanto esta-

rem acima da Lei. É por causa destes “superpoderosos” insensíveis, que Moçambique está a definhar economicamente, deixando o povo num cenário desanimador, exposto à fome, nudez e doenças, desemprego, exclusão e violência .

O povo quer ver estes também na grande tenda, lá da Machava para esclarecerem ao

povo sobre os seus crimes financeiros. (*texto retirado do A Perdiz, publicacao da Renamo)

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