Moçambique é exemplo dos perigos dos oceanos


O Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento

Agrícola (FIDA) Gilbert Houngbo disse em Maputo durante a

conferência “Crescendo Azul” que os oceanos provaram à população

moçambicana, sobretudo costeira que sofreu pelos ciclones Idai e

Kenneth que não são apenas uma fonte de rendimento e de sustento,

mas também de perigo. Gilbert Houngbo que falava sobre

“aquecimento global e seu impacto sobre os recursos e ecossistemas

marinhos” revelou também que os oceanos estão se tornando mais

quentes e mais ácidos para a vida animal, fazendo com que a vegetal

seja menos abundante, sendo por isso que, o mundo e as regiões

africanas em particular, perdem anualmente cerca de 1,5 bilhão de

dólares por causa da pesca ilegal, não declarada e não

regulamentada.


Estudos apresentados, mostram que o aquecimento global é uma

realidade no mundo tomando em conta os fenómenos naturais que tem

vindo a criar situações catastróficas um pouco por todo o mundo. Há cada

vez mais registo de tufões, tornados, cheias, inundações, entre outros

eventos climáticos. Sendo que os últimos acontecimentos que ocorreram

na zona centro e norte do pais é mais uma prova do aquecimento global.

Paralelamente, de acordo o Presidente do FIDA, o mais recente relatório

da FAO sobre o estado da pesca e aquacultura no mundo, mostra um

declínio preocupante nos recursos da pesca marinha.

O mesmo prevê se um crescimento da população mundial (9,8 bilhões até

2050), teremos que fornecer alimentos nutritivos e água limpa para 29%

de pessoas à mais das nossas terras agrícolas mal exploradas.

Para Gilbert Houngbo, a superação destas tendências desafiadoras exige

uma acção coordenada e compromisso com a gestão sustentável da terra e

do mar, sublinhando que as consequências do fracasso são inaceitáveis.

“Não apenas deixaríamos de alimentar os 9,8 bilhões de pessoas, mas

colocaríamos o próprio ecossistema e a vida na Terra em risco”, apontou

Houngbo.



Sobre os ciclones Idai e Kenneth que devastaram recentemente

Moçambique, o Presidente do FIDA fez saber que dados preliminares da

avaliação das necessidades pós-desastres indicam que as perdas totais

para o sector agrícola são de mais de 512 milhões de dólares, mais 16

milhões de dólares direccionados somente para o sector das pescas.

Neste contexto, destacou, a necessidade de reforçar a resiliência é mais

urgente do que nunca. “Depois que as necessidades humanitárias

imediatas forem sanadas, ainda precisaremos construir infra-estruturas e

restaurar os meios de subsistência das famílias”, disse.

Alias, o FIDA respondeu fazendo ajustes aos seus projectos existentes em

Moçambique, como Propesca, Proaqua e Promer para ajudar a restaurar a

infra-estrutura rural nas províncias de Sofala, Manica, Nampula, Cabo

Delgado e Niassa.

“Também estamos a desenhar dois novos projectos para apoiar numa

melhor resiliência climática na agricultura e na aquacultura e essas

respostas estão em consonância com os pilares propostos na Avaliação

das Necessidades Pós-Desastre” disse na conferência.

Abordando aquelas que considera ser as medidas de mitigação que

deverão ser tomados por região por forma a minimizar os impactos

nefastos da passagem dos ciclones Idai e Kenneth, Gilbert Houngbo

anotou que à medida que “procuramos reconstruir e melhorar a

resiliência, devemos igualmente assegurar que os nossos esforços

contribuam para uma maior sustentabilidade nas pescas e nas zonas

costeiras, com especial ênfase na pesca de pequena escala”.


Nesse contexto apelou ao governo de Moçambique para considerar dois

números. O primeiro é 66%, que é a proporção do peixe que é consumido

e que é capturado pela pesca de pequena escala.

O segundo é 33%, significando a parte da população de peixes que é

sobre-explorada, sendo a maior parte destinada à produção da farinha de

peixe e óleo não destinado ao consumo humano.

O FIDA há muito reconhece a importância da “economia azul” e a

necessidade de pesca sustentável em pequena escala, para a saúde e o

bem-estar humanos. Pelo menos 14 países africanos estão actualmente a

receber apoio do FIDA para projectos relacionados à pesca e a

aquacultura. Também apoiámos as comunidades costeiras no estabelecimento de formas alternativas de subsistência para reduzir a sobre-exploração dos recursos marinhos.

Por exemplo, citou, aqui em Moçambique, o Projecto Propesca está

ajudar a incrementar o valor económico da pesca de pequena escala,

tendo em conta que ao fornecer melhores barcos e redes, os pescadores

podem viajar mais longe da costa.

“Eles não estão somente a capturar espécies de maior valor comercial,

mas são igualmente capazes de se deslocar para áreas mais longínquas da

costa, aliviando deste modo à pressão da sobrepesca na costa”, explicou.

O projecto – tem impacto positivo em cerca de 50.000 pessoas - também

está investindo em electricidade, estradas para o escoamento dos produtos

pesqueiros, fazendo que os produtores se conectem aos mercados.

“Isso deve melhorar a renda e reduzir as perdas pós-colheita”, apontou,

acrescentando que este exemplo, mostra que é possível aumentar a renda,

criar empregos e nutrir o meio ambiente

De acordo com o Presidente do FIDA, no mar, pequenos pescadores

capturam dois terços do que é consumido. Em terra, os pequenos agricultores produzem metade de todas as “nossas” calorias alimentares. Eles também estão na linha de frente das mudanças climáticas e sofrem mais com a degradação ambiental”, por isso, apelou

Houngbo, “ao discutirmos a exploração sustentável e compartilhada do

oceano, gostaria de propor que colocássemos os pequenos produtores em

primeiro lugar. Isto aplica-se não apenas aos agricultores, mas também

aos Pescadores de pequena escala”.

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