Missão militar internacional tem como inimigo número 1 Ibn Omar, o “rei da floresta”


TEXTO CÉSAR AVÓ*

Um mês depois da chegada de soldados e polícias ruandeses a Cabo Delga do, as tropas estrangeiras e moçambicanas tomaram no domingo Mocímboa da Praia, a terra natal do comandante militar do Estado Islâmico de Moçambique. Uma vitória simbólica, um ano de pois de o grupo armado islamista ter tomado aquela povoação. Na segunda-feira, o presidente mo çambicano Filipe Nyusi e o homólogo do Botsuana, Mokgoetse Masisi, inauguraram em Pemba a missão da Força em Estado de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) contra os grupos armados no norte de Moçambique. Durante a cerimónia, o comandante da missão, o sul-africano Xolani Mankayi, com prometeu-se em “estacar a crueldade do terrorismo”. O Departamento de Estado norte-americano identificou na sexta-feira o comandante das operações militares, das relações externas e Missão militar internacional tem como inimigo número 1 Ibn Omar, o “rei da floresta”

Responsável pelos ataques executados pelos terroristas. O seu nome é Bonomade Machude Omar, mas também dá por Ibn Omar ou Abu Sulayfa Mohammad. “Durante o ataque de março de 2021 a Palma, Omar liderou um grupo de combatentes, enquanto Abu Yasir Hassan, o líder do EI-Moçambique, liderou outro grupo de combatentes, e Omar também liderou o ataque ao Hotel Amarula em Palma. Omar foi responsável pelos ataques na província de Cabo Delgado, Moçambique, e na região de Mtwara, Tanzânia”, informou o departamento dirigido por Antony Blinken. Ao considerar Omar um “terrorista global com designação especial”, a administração norte-americana pode agir perante pessoas, empresas e organizações que se relacionem com o comandante militar, incluindo sanções económicas. A nota do Departamento de Esta do, que incluia classificação de outros quatro terroristas no Mali e na Somália, não fornece quaisquer elementos sobre a identidade dos mesmos. Em setembro do ano passado, o Centro de Jornalismo Investigativo publicou em inglês um texto sobre Omar, cujo nome de guerra é “rei da floresta”. Segundo a peça dos jornalistas moçambicanos, Ibn Omar viveu em Nanduandua, bairro de Mocímboa da Praia. Filho de Abdul Fomassane, um professor reformado e político local, Omar estudou na Escola Secundária Januário Pedro (que entretanto destruiu, a exemplo de outros edifícios como o hospital distrital ou a igreja) e prosseguiu os estudos noutros países. Tendo em conta a sua radicalização, e a exemplo de outros jovens da região, deverá ter sido enviado pelo Conselho Islâmico de Moçambique aprofundar estudos corânicos na Arábia Saudita ou noutro país da rede salafita, e feito parte do movimento fundamentalista que abriu mesquitas e madraças e entrou em choque com os hábitos dos habitantes locais, muçulmanos ou não. Descrito como dedicado, calmo e sem se meter em brigas no seu tempo de estudante, é caracteriza do como uma pessoa “esperta e muito inteligente”. Pelo comentário de outra fonte não identificada, Omar estabeleceu-se como uma autoridade religiosa: “Havia algo de estranho nele. Podia-se suspeitar do seu envolvimento nos ataques devido à discórdia semeada entre alguns dos jovens que ele ensinou, na crença de que o que eles faziam era o que Alá quer, e justificavam o seu extremismo como o que os muçulmanos puros fazem.

Ele era falso, podia-se ver a violência nos seus olhos, mas mesmo assim ele tinha muito apoio de alguns líderes comunitários e habitantes locais.” Outra fonte suspeita da colaboração de pessoas do regime com Omar, as quais revelariam as movi mentações da forças armadas. Também aponta para o facto de o uniforme do al-Shabab (como o grupo terrorista é conhecido local mente) ser semelhante ao das Forças de Defesa e Segurança do país e pergunta pelos uniformes e cerca de 200 armas automáticas que de sapareceram durante o último mandato de Armando Guebuza, quando Nyusi era seu ministro da Defesa. “Há alguém nos corredores do poder de Moçambique que está a ganhar”, acusa, sem no entanto sustentar as alegações.

Em dezembro, o agora presidente Filipe Nyusi apontara o dedo a estrangeiros de nacionalidade tanzaniana, somali, ugandesa e con golesa presentes em Cabo Delga do. “As suas lideranças são maioritariamente estrangeiras”, disse no discurso sobre o estado da nação, tendo nomeado alguns combaten Militares sul-africanos em patrulha a Pemba, antes do início oficial da missão da SADC; Bonomade Machude Omar, também conhecido como Ibn Omar ou “rei da floresta”, líder militar do EI-Moçambique.

A ONG International Crisis Group confirma a presença de estrangeiros, inclusive de pele clara e olhos azuis, segundo relatos de sobreviventes, bem como do ingresso do jihadista so mali Mohamed Ahmed Qahiye nas fileiras do EI-Moçambique. Rivalidades regionais A missão da SADC vai ser compos ta por militares de Angola, Botsua na, Tanzânia, Lesoto e África do Sul, este último o país do comandante da missão, Xolani Mankayi.

Este comprometeu-se em repor a ordem e a segurança no norte de Mo çambique e assegurou atuar em es treita colaboração com as forças moçambicanas e ruandesas. No mês passado, perante o avanço do contingente do Ruanda – pago por França, segundo o Savana – antes das tropas da SADC, a ministra da Defesa sul-africana Nosiviwe Ma pisa-Nqakula não escondeu o mal- -estar e classificou a iniciativa de “infeliz”, um sinal de que mais do que tomar localidades como Awas se e Mocímboa da Praia, o maior desafio pode ser o de integrar todos os atores no terreno. Até porque o Ruanda, segundo declarações do porta-voz das forças armadas à Lusa, planeia instaurar uma “refor ma do setor da segurança” em Mocambique. (Texto extraido com a devida Venia do Diario de Noticias, que se edita em Portugal)

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