Mia Couto lança versão francesa de "As areias do Imperador"


O escritor luso-moçambicano, Mia Couto, lançou há dias, em Paris, na França a versão francesa das Areias do Imperador. “As areias do Imperador” na França tem a chacelada daeditora Métailié e conta com tradução de Elisabeth Monteiro Rodrigues.

O romance se passa na época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane – conhecido pelos portugueses como Gungunhane –, herói nacional símbolo da resistência contra a colonização européia, último dos líderes do Estado de Gaza, o segundo maior império no continente comandado por um africano.

Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para a batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Lá, o militar conheceu Imani, garota de quinze anos que tornou-se sua intérprete. Ela pertencia à tribo dos VaChopi, uma das poucas que ousou se opor à invasão de Ngungunyane. Em sua família, enquanto um de seus irmãos lutava pela Coroa de Portugal, o outro se unia ao exército dos guerreiros do imperador africano. O envolvimento entre Germano e Imani passa a ser cada vez maior, malgrado todas as diferenças entre seus mundos. Porém, ela sabe que num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar despercebida, como se fosse feita de sombras, ou de cinzas.

As areias do imperador faz parte da trilogia que Mia Couto dedicou à narrativa sobre os últimos dias do Estado de Gaza, em Moçambique. Ngungunyane foi derrotado em 1895 pelas forças portuguesas comandadas por Mouzinho de Albuquerque, e então deportado para os Açores, onde veio a morrer em 1906, em Angra do Heroísmo; seus restos mortais foram supostamente transladados de volta a Moçambique em 1985, numa cerimônia solene. Diz-se, porém, que o caixão continha senão areia.

Ngungunhana tornou-se uma figura mítica de herói nacional, intuito pelo qual esperava-se unificar o imaginário coletivo, a partir da criação de identidade entre o povo e uma ideia de resistência, unindo sob um mesmo sentimento nacionalista comum as populações locais, culturalmente bastante distintas.

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