MDM diz que morte de Nhongo não garante o fim da violência em Moçambique


O líder da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, disse à Lusa que a morte do guerrilheiro dissidente Mariano Nhongo não significa, só por si, o fim da violência armada no centro do país.

"Devemos todos encontrar as razões que originam estes conflitos para que sejam resolvidos. A solução não é eliminar este ou aquele", referiu Simango, sob pena de o conflito em causa reaparecer.

"Nós não podemos desprezar mortos, as mortes constantes não são celebradas, temos de encontrar a janela para solucionar as diferenças", disse o deputado, acrescentando que "a morte de Nhongo não significa o fim do conflito armado" no centro do país.

Lutero Simango considerou que enquanto não forem resolvidas "as causas e as razões que provocam estes ciclos de violência", não se estará a "cultivar um ambiente de paz permanente".

O líder parlamentar do terceiro maior partido do país e um dos candidatos à liderança da força política nas eleições marcadas para dezembro referiu que Nhongo podia ter usado a "janela" de que dispôs "para dialogar e encontrar uma solução pacífica" para as divergências com o Estado moçambicano.

O deputado sublinhou que, agora, é preciso dar atenção aos seus seguidores.

"Agora é preciso que os seguidores [de Nhongo] não sejam alvo de violência. É preciso sempre envolvê-los numa solução pacífica e enquadrá-los no processo de desmobilização", concluiu.

A polícia moçambicana anunciou que abateu Mariano Nhongo, líder de um grupo de guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), hoje pelas 07:00 (06:00 em Lisboa) numa mata de Cheringoma, província de Sofala, centro do país, depois de ele e outros terem disparado contra uma patrulha, desencadeando uma troca de tiros que lhe seria fatal.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo tem contestado a liderança do partido e os termos do processo de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) decorrentes do acordo de paz de agosto de 2019.

Apesar de várias tentativas de diálogo, algumas delas anunciadas por Mirko Manzoni, representante pessoal do secretário-geral das Nações Unidas em Moçambique, nunca houve um entendimento.

O grupo tem protagonizado ataques armados no centro de Moçambique que já provocaram a morte de 30 pessoas. (NM)

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