Mariano Matsinhe sai em defesa de Armando Guebuza e diz que ele "Não é corrupto"


Em entrevista ao semanário Ponto por Ponto, o vetererano de luta para a libertação nacional, Mariano de Araújo Matsinhe saindo em defesa do antigo estadista disse que

"Armando Guebuza não é corrupto". Há dias que o nome do Guebuza esta no ventilador da imprensa por ter sido convocado para prestar declarações a Procuradoria Geral da República, no ambito fo processo das "dividas ocultas" e também pelo nome dele ser referido no processo relativo que corre os seus tramites num tribunal em Londres.

Na entrevista o antigo combatente e membro influente do grupo conservador do Partido Frelimo, refere que Armando Guebuza, por ter sido uma pessoa muito visível naquela altura, fazendo com que as pessoas que o rodeavam o corrompessem, "pode ter cometido um e outro erro, aqui e acolá, mas ele não é corrupto."

Diante da convocatória Armando Guebuza teceu duras críticas à PGR dizendo que este não é um órgão de confiança, de tal sorte que tem razões de sobra para a falta de confiança no Ministério Público. Sobre este ponto, Matsinhe avançou que, apesar de Moçambique estar independente há 45 anos, o sistema judiciário moçambicano ainda está no processo de crescimento e que pode se estabilizar daqui a 100 ou 200 anos.

“Não podemos comparar o nosso sistema de justiça com o dos Estados Unidos ou dos países europeus que tem mais anos de existência que nós. Eles também quando começaram a se contruir como Estado tiveram os mesmos problemas de irregularidades. O bebê quando nasce, não começa logo a correr”, disse.

“É interessante porque durante a luta armada, havia países africanos com corrupção. Não digo governos corruptos. E nós sempre dizíamos que não vamos tolerar isto. Não estamos a tolerar. Basta ver o que está a ser feito ao nível da função pública assim como no sector privado. Há corruptos e corruptores, mas estamos a combater”, disse.


A evolução das forças não foi rápida


Mariano Matsinhe falava à Margem da celebração dos 58 anos do início da luta armada contra o jugo colonial e que culminou com a proclamação da independência nacional, 10 anos depois.

Sobre as celebrações do início da luta de libertação nacional o nosso interlocutor começou por comentar sobre a géneses das Forças Armadas de Libertação Nacional (FADM), do qual ele fazia parte como muitos outros jovens de seu tempo.

Disse que inicialmente as FADM era uma força de guerrilha e que a transformação para uma força regular, deu-se depois da independência.

“O Acordo Geral de Paz de Roma, veio transformar tudo isso. Perdemos tanques, aviões de guerra, reduzimos as nossas forças e integramos os elementos da Renamo e a partir dai tenho a impressão de que a evolução não foi assim tao rápida” lembra evidenciando que a disciplina militar das FADM ainda se mantêm.


Prestação das FADM no teatro de Cabo Delgado

Sobre a prestação das FADM no combate ao terrorismo na Província de Cabo Delgado, o veterano da Luta Armada avançou que o que está a acontecer naquele ponto do país é uma guerra de guerrilha o que não tem sido fácil.

“Estamos em guerra e há sempre avanços e recuos. Mas as FADM actuais são mais fortes do que nós eramos. Não tinamos aviação nem a marinha, mas conseguimos”, revelou.


Insurgentes usaram farda das FADM

Por outro lado, o antigo Combatente saiu em defesa das forças ao afirmar que os homens com fardamento das FADM que aparecem em vídeo a espancar e depois fuzilar uma mulher nua, não é possível que sejam do exército moçambicano.

Para Matsinhe, aquele vídeo não é o primeiro de insurgentes que usam fardamento parecido com o das Forças Armadas e depois cometem barbaridades em nome do exército.

“Fala-se muita da mulher nua hoje, mas já fizeram muitos outros vídeos de género para confundir a todo o mundo. Agora estamos a questionar a disciplina da nossa força e os insurgentes devem estar a gostar disso porque é o que eles querem. Quem confundir interna e externamente a credibilidade das Forças Armadas”, esclarece.


Alcançados objectivos da luta

Num outro diapasão Matsinhe lembrou que o objectivo principal do desencadeamento da luta era tornar Moçambique independente, entretanto, cada um dos jovens naquela altura tinha a sua ideia do que devia ser o país novo.

“A ideia principal que envolvia a todos nós é que essa independência deve servir ao povo moçambicano. Não pode ser uma independência que sirva a um pequeno grupo. É por isso que a política do Governo da Frelimo hoje é de servir ao povo”, explica. (PpP com edição de Moz24h)

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