Marcelino dos Santos (20 de maio de 1929 / 11 de Fevereiro de 2020)



Durante as exequias funebres de Samora Machel, o seu “marechal de eleicao” como fazia questao de mencionar, Marcelino dos Santos, com a voz tremula, disse algo que se pode encaixar nele agora que a alma se separou do corpo que o sustentou por quase 91 anos: “Como chorar-te, camarada presidente se ao longo da caminhada nao nos ensinaste a chorar”? “Como te despedir se um povo nao se despede da sua historia”. Ontem aquela voz calou, se deixando um legado historico de valor imensuravel.

Fundador da Frente de Libertacao de Mocambique (Frelimo) ido da Uniao Democratica Nacionalista de Mocambique (Udenamo) um dos tres movimentos nacionalistas que deu corpo ao movimento que se insurgiu-se e bateu-se por 10 anos pelo direito da liberdade ao final de 500 anos da noite colonial.

Quem foi na verdade este homem que chegou a longevidade.

Certa vez, numa tertulia (quando ainda existiam e eram saudaveis na Associacao dos Escritores – de que e membro fundador) perguntei-lhe como chegara aos 70 anos com uma juventude que ainda lhe transpirava as veias. “Meu filho” comecou por me dizer “e preciso saber de onde flui o vento. E preciso saber esquivar os perigos desse vento e seguir na berlinda”. Cogintando pode ter sido esse vento, seguido de mansinho, que o levou a chegar aonde chegou e a viver o que viveu. A dimensao universal deste nacionalista de primeira hora e de uma imensidao que nao creio que haja linhas que possam esgotar.

Marcelino dos Santos nasceu no distrito de Lumbo, Nampula, a 20 de Maio de 1929.

Chegou à vice-presidente da Frelimo. Depois da independencia de Moçambique, em 1975, Marcelino dos Santos foi o primeiro Ministro da Planificação e Desenvolvimento, cargo que deixou em 1977 com a constituição do primeiro parlamento (nessa altura designado “Assembleia Popular”), do qual foi presidente até à realização das primeiras eleições multipartidárias, em 1994.

Com os pseudónimos Kalunga no e Lilinho Micaia tem poemas seus publicados no Brado Africano e em duas antologas publicadas pela Casa dos Estudantes do Impero, em Lisboa Seus poemas estão na colectânea Poesia de Combate, edição da Frelimo. Era membro do Comite Central da Frelimo e do Conselho do Estado (L.N)

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