Mais de uma dezena de mortos na corrida pelo rubi em Namanhumbiri


Estacio Valoi


Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, uma das províncias mais ricas em minerais foi exactamente onde na semana finda mais de uma dezena de pessoas morreram devido a desabamento de terra maior concessão de rubis do mundo com 40%

São vários os minerais no subsolo daquela província espalhados pelos vários distritos que a compõem. No subsolo avermelhado, acastanhado, negro, os minerais existentes vão desde o Gás, petróleo, Rubi, Ouro, Grafite, Granada e outros, são cerca de 15 minerais diferentes.

A corrida pelo controlo continua entre as mineradoras, população local e garimpeiros com enfase para na área dos rubis. Ditas associações marginalizadas, milhares de hectares tomadas pelas multinacionais e a pobreza para os locais vai se agudizando a cada dia que passa, sem áreas propícias onde explorar o Rubi, numa província rica pobre em que os minerais pouco ou em quase nada beneficiam as comunidades.


Buzinas- carros, motas, pessoas a pé, tudo e todos em alvoroço retornaram a zona de ‘Maningue Nice” onde ocorreu o incidente, na concessão da inglesa Gemfields com 75% e a sua congénere Moçambicana Mwriti.lda com 25% em resultado de uma parceria numa área de 33.000 hectares que actualmente já lhes rendeu quase acima quase bilhão de dólares!

A equipe do Moz24 horas, de domingo ate terça-feira desta semana esteve em Namanhumbiri, Namahate e, segundo informações que nos forma chegando ate este momento há varias pessoas soterradas. Em plena terça-feira apos o primeiro desabamento as autoridades segundos fontes só podiam retirar os corpos na manha seguinte com o auxílio de uma máquina buldózer. Enquanto as autoridades esperavam eis que ontem de manha quinta – feira mais um desabamento teve lugar na mesma área de Muapeia.

De acordo com algumas fontes a mina começou a desabar ontem três momentos. Primeiro as 08h morreram 04, depois por volta das 14h morreram 02 e por volta das 15hrs ocorreu o desabamento mais forte que ainda não se sabe no total quantos mortos. Hoje por volta das 09h ocorreu outro desabamento no mesmo local enquanto decorre o processo de retirada dos corpos. Alguns corpos já se encontram em Namanhumbiri. Existem também algumas mulheres. A retirada dos corpos começou de forma manual mais tarde a empresa disponibilizou uma máquina escavadora.”

“Trata-se de um buraco conjunto, onde havia muita gente cavando ali no maningue Nice. Fala - se de cinquenta há sessenta e tal corpos achados. As escavações para achar mais corpos continuam.

Naquela semana fatídica em que mais de uma dezena de garimpeiros perderam a vida, segundo próprios garimpeiros, eram pessoas as centenas que estavam em “ Maningue Nice” a procura dos melhores rubis porque ‘ a qualidade dos rubis de Mahate zona da mineradora Mustang 'e baixa,” a população invadiu a mina a zona dos verdadeiros rubis cor-de-rosa

Eram homens, mulheres e crianças. Ainda segundo nossas fontes no terreno duas mulheres morreram enquanto que outras catorze pessoas registaram de entre ferimentos ligeiros a grave.

Segundo o comunicado de Imprensa da Montepuez Ruby Mining (MRM) enviado ao Moz24h, foram cerca de 800 pessoas, incluindo mulheres e crianças envolvidas no incidente que teve lugar durante os dias 4,5 e 6 deste mês em três desabamentos consecutivos na mesma área “ periferia do poço” e “ o muro desabou devido à presença de um grande grupo de mineiros ilegais que entraram ilegalmente no poço.” Diz o comunicado.

Ainda segundo o comunicado “ tudo indica, as mulheres e crianças, que são propositadamente destacadas pelos mineiros ilegais para impedir a Polícia moçambicana, foram coagidas a estar presentes e na manhã dia quatro de Fevereiro corrente, a MRM foi informada sobre o colapso de uma parede alta dentro de um dos poços operacionais na concessão de mineração da mineradora.

“A equipa da MRM mobilizou-se imediatamente junto da Polícia. O corpo já tinha sido recuperado por outros garimpeiros, mas não se sabia de quem se tratava. Com a colaboração da MRM, a Polícia identificou. Tratava-se de Assane Alberto, de Montepuez, 36 anos, casado, com quatro filhos e residente em Napai, Montepuez. Um terceiro mineiro ilegal morreu nas mesmas circunstâncias no dia seguinte, ou seja, cinco de Fevereiro.

Os corpos dos mineiros ilegais falecidos foram recuperados pelos mineiros ilegais. Eles foram identificados pela polícia como: Abdul Aby, 23 anos de Montepuez; Bah Omar, 27 anos da Guiné Bissau; Agostinho Mali, 23 anos de Nampula; Ramadan, 35 anos de Balama; Emelio Valentim, 31 anos de Chiure; Nero Ricardo António, 26 anos de Ancuabe; Estevão Alberto, 24 anos de Ancuabe; Agustinho Luís, 23 anos de Namanhumbir. Mais detalhes são esperados.

Esta presença a tempo inteiro da Montepuez Ruby Mining não é de hoje. Em todas as situações idênticas, a MRM fornece assistência humanitária nas operações de resgate e recuperação, bem como sinalização no local e programas de conscientização às comunidades, alertando sobre os perigos da mineração ilegal. A recente escalada da mineração ilegal é preocupante porque há probabilidade de mais mortes serem registadas.”

No whiskey barato produzido por algumas empresas moçambicanas que vão servindo de forca motriz para alguns garimpeiros e para alguns membros de algumas famílias, como ‘o opio do povo’ carentes que já nem conseguem comprar um caderno em troca as parcas quinhentas pelo whiskey, pessoas da comunidade porque ‘ já não temos onde cavar, as pedras com qualidade estão lá em Maningue Nice.”

Na luta pela sobrevivência, em Montepuez-Namanhumbir, Nanhupo, a corrida pelo rubi vai continuar e, logicamente a violência que caracteriza o cenário. Atormentado pelas peripécias nas zonas de mineração, a nossa reportagem foi tentando perceber mais sobre a actual dinâmica, o sonho daquelas pessoas. Pairava uma nuvem escura, espessa sobre mim. Uma incógnita. Que futuro!? Lembrei-me de acordar o Mapiko, quiçá pudesse trazer-me algumas respostas sobre muitas perguntas sem reposta!

54 visualizações

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI